quinta-feira, 1 de março de 2012

Fé cega, faca amolada





Knives - Andy Wahol

Os sites de atendimentos de tarô online, não falo de todos, mas de uma grande maioria, exploram não só os tarólogos com taxas de pagamento ou porcentagem inferiores ao piso que estes profissionais realmente merecem. São verdadeiros sanguessugas do trabalho alheio. O tarólogo que necessita ganhar dinheiro, tarô é profissão e esta protegido por lei, tem que ficar horas atendendo os clientes para que pelo menos no final do mês tenha certa tranquilidade financeira. Não satisfeitos em sugarem as entranhas de seus funcionários, exigem que o tarólogo minta para o seu cliente. Um exemplo: se o cliente tem algum problema afetivo e o tarólogo abre um método e o resultado é uma Torre com Três de Espadas, para os que não entendem nada sobre a simbologia do arcano, essa dupla nega a evolução ou continuidade do casamento, do noivado ou do namoro, os donos de tais sites, aconselham os seus funcionários a dizerem que o relacionamento não vai acabar que a situação é difícil, mas dará certo, ao contrário do resultado dado pelas cartas que nega a volta da relação. O cliente desesperado, abalado, continua consultando o tal site acreditando na tal promessa enganosa e faz mais perguntas ingênuas tais como: quando ele vai me ligar etc. e tal. A fé cega permite que a faca amolada rasgue o bolso do cliente para ganhar dinheiro. A faca amolada mata a fé em bons aconselhamentos e na credibilidade sobre os tarólogos em geral, já que o cliente passado um tempo, percebe que foi enganado e passa a rotular todo tarólogo de picareta. A mão que segura a faca amolada é cruel, só pensa em si e no seu retorno financeiro.
O preço por minuto de consulta varia de oitenta centavos até dois reais e cinquenta centavos. O cliente acredita que vai pagar pouco por uma consulta, mal sabe ele, que esse tipo de serviço quer que o cliente volte e torne-se assíduo e dependente. As contas no final do mês são enormes, assim como o prejuízo financeiro e emocional de quem optou por este tipo de serviço.
Esse tipo nocivo de ganhar dinheiro à custa da ignorância de outrem tem um nome: estelionato e é crime previsto por lei.

De conformidade com o Código Penal brasileiro o estelionato é capitulado como crime econômico (Título II, Capítulo VI, Artigo 171), sendo definido como "obter para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento."

Vale a ressalva de que, para que exista o delito de estelionato, faz-se mister a existência dos quatro requisitos citados no artigo acima mencionado: obtenção de vantagem, causando prejuízo a outrem; para tanto, deve ser utilizado um ardil, induzindo alguém a erro. Se faltar um destes quatro elementos, não se completa tal figura delitiva, podendo, entretanto, formar-se algum outro crime. Alguns golpes comuns que são enquadrados como estelionato são o golpe do bilhete premiado e o golpe do falso emprego.

O crime de estelionato protege o patrimônio. Pode ser praticado por qualquer pessoa que tenha a intenção de induzir (criar situação que leva a vítima a errar) ou manter (a vítima estava no erro e o agente nada fez para mudar) outra em desvantagem.

O estelionato é crime de resultado. O agente deve, imprescindivelmente, obter vantagem ilícita e este prejuízo pode ser à pessoa diversa da vítima, porém deve ser pessoa determinada. Caso vise à pessoa indeterminada, caracterizará crime à economia popular.

É crime doloso, não havendo forma culposa. Há aumento na pena caso seja cometido contra entidade de direito público ou instituto de economia particular, assistência social ou beneficência.- Wikipédia


A intenção de escrever sobre este artigo é que conheci muitas histórias de amigas que trabalharam nestes sites e saíram por não concordarem com tanta sacanagem.
Alguns sites gravam o diálogo do tarólogo com o cliente para que possam monitorar se o tarólogo está enrolando o cliente da forma que eles desejam.
Em outros sites de leituras gratuitas, o cliente acredita que está sendo atendido por um bom tarólogo e na verdade está sendo atendido por um programa de computador com algumas palavras básicas que são enviadas ao e-mail do cliente. Posteriormente, o profissional responsável pelo site, escondido num avatar fake, aconselha que o cliente deva fazer um trabalho para que seus caminhos sejam abertos e cobra um preço absurdo.
Não podemos ficar calados diante de tanta vigarice e faca amolada. Eu não fico! #prontofalei


7 comentários:

Miriam Torrês - Tradutora disse...

Puxa, e eu que pensava que era só com as agências de tradução que isso acontecia. Sou tradutora freelance e não faço traduções para essas empresas. Sua descrição é perfeita também para eles.
Abraços
Miriam Torrês
Neófita no Tarô

Vera Chrystina disse...

Não esquecendo que quando o dono de um site diz ao tarólogo para "enrolar" o cliente, a fim de que este volte ao site, e o tarólogo aceita fazer isso, ele, também, está cometendo estelionato.

Vera Chrystina disse...

Miriam, não sabia que isso também acontece com as agências de tradução. Uma lástima!

Um beijo!

Arierom Salik disse...

Vera,
parabéns pela iniciativa corajosa de escrever este post. Sua colocação no comentário sobre um tarólogo aceitar o que diz o dono do site ("enrolar" no atendimento) é perfeita!

Beijos!

Vera Chrystina disse...

Caro Arierom, é a pura verdade, infelizmente.

Um beijo!

Regina Guigou disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vera Chrystina disse...

Com certeza, Regina Guigou. Estou preparando um novo artigo com mais coisas que eu descobri sobre esses sites.

Um abraço!