quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Diabo

Tarô Rider - Waite



Símbolos: um demônio alado e cornudo, um pedestal negro, um homem e uma mulher nus, correntes, um pentagrama invertido.

História: o Louco chega ao pé de uma montanha negra gigantesca, onde reina uma criatura metade bode, metade deus. Em seus cascos, pessoas nuas acorrentadas ao seu trono, envolvidas em todas as atividades imagináveis: sexo, drogas, comida, ouro, bebida. Quanto mais perto chega, mais o Louco sente seus desejos terrenos aumentando: luxúria, paixão, obsessão, avareza. “Eu me recuso a me entregar a você!” ele urra ao deus, com toda sua força. A criatura
responde com um olhar curioso. “Tudo o que estou fazendo é trazer à tona o que está dentro de você. Esses sentimentos não devem ser temidos, não devem
causar vergonha, nem mesmo serem evitados.” O Louco gesticula com raiva para as pessoas acorrentadas. “Você diz o mesmo para essas pessoas escravizadas?” O deus-bode imita os gestos do Louco. “Olhe novamente.” O Louco olha novamente e nota que as correntes no pescoço são largas o suficiente para poderem ser tiradas facilmente pela cabeça. “Eles podem ser livres se assim quiserem.” diz o deus-bode, “Você está certo, eu sou o deus dos seus desejos mais fortes. Mas você só vê aqui aqueles que foram dominados por esses desejos.” Então o deus-bode aponta para cima, para o pico da montanha. “Você não vê aqueles que permitiram que seus impulsos os levassem ao topo daquela montanha. A inibição pode escravizar tanto quanto o excesso. Ela pode te impedir de seguir sua paixão até as alturas.” O louco percebe a verdade nisso, e percebe que errou em relação ao deus-bode. Agora ele entende que não se trata de uma criatura do mal, mas de uma criatura de grande poder, o mais baixo e o mais alto, besta e deus. Como todo o poder, é assustador, e perigoso... mas é também a chave para a liberdade e superioridade se for entendido e bem usado.

Significado: talvez o mais mal interpretado dos Arcanos Maiores, o Diabo não é realmente “Satã”, mas Pan, o deus da natureza meio-bode, e/ou Dionísio. Existem deuses do prazer e da devassidão, do comportamento selvagem e dos desejos desenfreados. Tendo Capricórnio como signo, essa é uma carta sobre ambições; também é sinônima de tentação e vício. Por outro lado, pode indicar alguém que está muito contido, alguém que nunca se permite ter paixões, ser bagunceiro e maluco – ou ambicioso. Isto é, também, uma forma de escravidão. Se representar uma pessoa, o Diabo pode ser um homem de muito dinheiro ou de muito poder erótico, agressivo, controlador, ou simplesmente persuasivo. Não se trata de um homem mau, mas certamente de um homem poderoso, difícil de resistir. É importante lembrar ao consulente que as correntes estão sendo usadas por vontade própria, você só é prisioneiro porque permitiu isso.

Observações: esta carta explora algumas coisas bastante assustadoras, coisas que nos foram ensinadas como más ou vergonhosas. Coisas como materialismo, desejo sexual, dinheiro, comida, drogas, falta de controle, excesso, obsessão e ambição pura. Em seu pior sentido, é tanto o viciado quanto o traficante, totalmente obcecado, escravizado. Em seu melhor, significa ceder aos impulsos, correr atrás do ouro, escalar qualquer montanha. Dentre todas as cartas, essa é das mais complexas, pois nenhuma outra carta é tão parcial. A maioria das cartas pede equilíbrio, unidade, comedimento, yin e yang. Mas essa não. Totalmente inclinada para o lado masculino, é a carta da alegria ao extremo. Há um argumento convincente para dizer que é a carta mais poderosa e perigosa do Tarô. Magicamente falando, é a carta que esconde o segredo de como se livrar das amarras temporais e materiais da Terra. É uma carta muito poderosa e fascinante.

Tradução anônima do site : http://www.aeclectic.net/tarot/learn/


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