sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Origem da ideia egípcia do Tarô

Antoine de Court Gebelin
Tudo começou com Gebelin

Entre 1775 e 1784, Gebelin declarou em suas obras ter descoberto as origens do Tarô através de uma simples visita de quinze minutos em uma cartomante. Disse que as cartas eram hieróglifos egípcios, escondidos dos bárbaros e disseminados pelos ciganos e que ele havia descoberto a chave para a tradução da escrita arcaica.
Traduziu a palavra Tarot como sendo a estrada real da vida.
Em 1820, quando Jean Champollion descobriu verdadeiramente a chave para a escrita egípcia e copta, revelou-se que tudo o que Gebelin havia traduzido estava errado. Não existe a palavra "tarot" na língua egípcia e nenhum símbolo que se conecte com as cartas, assim, os conceitos de Gebelin foram esquecidos pela ciência, mas foram acalentados pelos místicos.
Gebelin ficou rico e famoso com suas obras e a partir de então, o tarô se tornou uma febre parisiense



Jean Françoise Alliette
Conhecido como Etteilla, disse que o tarô foi criado em 2170 antes de Cristo por Hermes Trimegistro. Ele resolve restaurar o tarô e cria o Libro di Thot, o gioco di 78 tarocchi egiziane

Temperança, Estrela e o Mundo
Livro di Thot - Etteilla
Coleção do Instituto Graf - Bolonha


Em uma série de volumes publicados entre 1783 e 1785, Etteilla explicou que o Livro de Thot é mágico, mas acima de tudo, ele prevê o futuro. Para dar total atenção as suas idéias fundou a Sociedade dos intérpretes do Livro de Thot. Assim nasceu a Cartomancia, uma prática divinatória que ainda não mostra sinais de  declínio.

A moda egípcia progrediu com sucesso até 1856, quando Eliphas Lévi, publicou Dogma e Ritual de Alta Magia, acrescentando mais confusão.
Lévi alegou que as cartas do tarô, na verdade, seriam os símbolos da ciência sagrada dos judeus, após a destruição do Templo de Jerusalém e que estes símbolos, foram mantidos por sábios cabalistas judeus e de lá transmitidos para a cultura medieval.

As revelações de Levi influenciaram profundamente o ocultismo ocidental . Ele associou as letras hebraicas aos vinte e dois arcanos maiores do tarô e declara que  as cartas foram introduzidas por Moisés na cultura egípcia.
Levi diiz que as figuras do tarô devem ser modificadas para tornar-se um sistema de símbolos universais.
Com essas idéias, os esotéricos da época, aventuraram-se a projetar novos baralhos.
Oswald Wirth, por exemplo, ressalta o simbolismo maçônico e as letras hebraicas.

Papus

Gérard Encousse, publica entre 1865 e 1909, que o tarô foi criado por Hermes Trimegistro. Ele faz uma compilação das obras de Gébelin, Etteilla, Orsini, Levi, Paul Cristhian e lança o Tarô dos Boêmios em 1889, redesenhando os símbolos do tarô de Marselha com vestimentas egípcias

Falconier

O divisor das águas para o padrão de cartas egípcias, foi a publicação em 1896 do livro " Les lames XXII hermètiques du tarot divinatoire. As cartas ganharam definitivamente desenhos que imitavam a arte egípcia, tal como a conhecemos nos dias atuais.

O famoso Tarô Egípcio da Kier , foi criado em 1970 em Buenos Aires, pela editora Kier. Na história do tarô existiram poucos tarôs com iconografia egípcia. O primeiro ocorreu com Falconier ( 1896), depois com Papus (1910), Editora Kier (1970), Ansata (1981) e Íbis (1989).


Bibliografia: Tarô, Ocultismo e Modernidade - Nei Naiff - Ed. Elevação




O Claustro e a Sacerdotisa do Tarô Medieval

Claustro de Mossiac - França
Tarô Medieval - A Sacerdotisa

O claustro é  um lugar central no monastério, constituído por um jardim interior rodeado de galerias que se abrem em arcos para esse jardim. Em outra concepção, o claustro refere-se ao conjunto do monastério, enquanto grupo de edifícios fechados. O significado essencial nesses dois casos é a ideia de encerramento, enclausuramento, presente na etimologia latina da palavra claustro, claustrum, que vem de claudere, fechar.
O imaginário do claustro é a clausura , associada à do jardim fechado, e esse encerramento protege tanto as produções herbáceas e frutíferas dos monges quanto o espaço da espiritualidade ao qual a imagem da Virgem será ligada de modo privilegiado à partir dos séculos XI - XII. Quando a Virgem supera as peripécias de sua vida terrestre, ela encontra-se no céu, após a Ascensão, ou em um jardim fechado. A referência fundamental do claustro como um jardim fechado é o paraíso, e de fato o pensamento simbólico medieval muitas vezes evocou o claustro monástico como o paraíso. Essa imagem da Sacerdotisa do Tarô Medieval é uma das que eu mais gosto e acho fidedigna a esse arcano.
O claustro é a metáfora do coração e do homem interior que valoriza a paz interior frente a agitação do mundo.
O motivo do claustro é o enclausuramento e esta prática foi imposta principalmente às mulheres. As monjas foram submetidas a uma regra de enclausuramento muito rígidas à partir do século V. No século XVI, a reforma protestante termina com os monastérios, conventos e clausuras, a Contrarreforma Católica prolonga a clausura para as mulheres. O Concílio de Tentro decreta a excomunhão para qualquer infração do voto de clausura.
No final do século XIX e começo do século XX, o claustro tornar-se a imagem romântica de um paraíso monástico medieval.


Claustro de Mossiac - França

Heróis e Maravilhas da Idade Média - Jacques Le Goff
Imagens do tarô: http://www.albideuter.de/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Jogral, O Louco e o Mago

Golden Tarot of Renaissance / Estensi Tarot (Este) -  Il Bagattelliere

O Jogral é um animador. Seu nome vem do latim jocus,
"jogo".


O Jogral foi considerado como o sucessor dos mímicos da Antiguidade. Ele absorve uma parte da herança dos animadores pagãos  celtas. O Jogral é um animador itinerante que vai fazer seus malabarismos nos lugares onde eles são admirados e bem pagos, tais como os castelos medievais. Ele é um animador que faz de tudo um pouco. Recita versos, conta histórias. Ele é o malabarista da boca e não o autor dos textos. Ele é apenas um executante.
Ele é um malabarista de gestos, um acrobata, um saltimbanco, tudo depende de sua atividade e do sentido que ele lhe dá.

Ele ilustra, em sua figura ambígua, a dupla natureza do homem, que foi concebido por Deus, mas pecou. É por este motivo que suas atitudes podem pender para o bem ou para o mau. Ele pode ser o bobo da corte de Deus ou o do Diabo.

É interessante notar, que o Jogral na Idade Média, fazendo uma analogia com o Mago do tarô, é uma mistura do Mago e do  Louco (arcano 1 e arcano sem número).

Thomas de Chobham, em 1215 distinguiu os bons e os mau jograis. Segundo ele, o jogral mau, é aquele que não coloca o corpo a serviço da alma. Ele não recua diante do burlesco, é excessivo nas palavras e nos gestos. Faz espetáculos vergonhosos e faz aparecerem fantasmas. Já o bom jogral, é aquele que não é ilícito e diverte os doentes.

Para São Bernardo, século XII, os jograis forneciam aos homens, um exemplo de humildade. Dizia : " os homens quando são humildes, parecem-se com os malabaristas e acrobatas que de cabeça para baixo, fazem o contrário dos homens, andando sobre as mãos e atraindo assim os olhares de todos.

No século XIII, São Francisco de Assis, recuperou a imagem dos jograis. Ele declarava-se um bobo da corte, mas especifica que é um malabarista da boca.

Posteriormente, a imagem do jogral muda para a de menestrel, devido a liberação da música e da difusão de novos instrumentos. No século XVI surge o circo e mais uma vez a imagem do jogral é modificada. Ele é apenas uma artista especializado dentre os artistas circenses. Ele representa as brincadeiras e a destreza frente aos perigos.





Significado: sendo o número 1, o Mago é o poder masculino da criação, através da força de vontade e do desejo. Em um significado arcaico, é a habilidade de fazer coisas apenas falando-as em voz alta (“E Deus disse ‘que haja luz!’, e a luz apareceu”). O fato de o Mago ser representado por Mercúrio é reflexo disso. Ele representa o dom das línguas, um interlocutor envolvente, um vendedor. Pode ser também um ladrão (Mercúrio era o deus dos ladrões) ou um curandeiro – podendo ser um médico de verdade ou alguém tentando vender-lhe óleo de cobra. Os quatro naipes colocados à sua frente lembram-nos dos quatro ases, que no Tarot simbolizam o poder cru, não desenvolvido e não direcionado de cada naipe. Quando o Mago aparece, ele diz que você tem tudo o que precisa para conseguir o que quer: vida amorosa, dinheiro, carreira, soluções, qualquer coisa.


Observações: se há uma carta que representa o Tarot essa carta é o Mago. É uma das cartas mais singulares do Tarot, e é sempre bem-vinda. É também o único dos Arcanos Maiores que se refere aos Arcanos Menores, com os naipes expostos sobre a mesa. Enquanto o Louco é sempre interpretado como se fosse o consulente, o Mago pode ser tanto o consulente quanto outra pessoa, um médico, um professor, um vendedor ou um vigarista. É importante lembrar que o Mago pode ser tanto malicioso quanto hábil, tanto charlatão quanto bruxo. Se interpretar como alguém na vida do consulente, interprete-o como uma personalidade atraente, alguém que pode convencer as pessoas sobre quase tudo. Para o bem ou para o mal, suas palavras são mágicas. O que é mais importante lembrar, eu acho, é que sendo interpretado como uma pessoa, o consulente ou como algum significado, no final das contas o Mago simplesmente cria ou revela as ferramentas. Fica a cargo do consulente explorar a utilidade das ferramentas ou ser guiado por elas.



Bibliografia : Jacques Le Goff - Heróis e Maravilhas da Idade Média
Tradução do site Aecletic Tarot  - http://www.aeclectic.net/tarot/
Imagens - http://www.albideuter.de/




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Atendimentos e Curso de Tarô


Mystic Fair


Minhas palestras serão no domingo, dia 9 de outubro, uma, às  18:00 horas : Tarô e Neurociência - Um diálogo ( sala temática sobre o Tarô) e a outra, às 20:00 horas, sobre os Arcanos Menores do Tarô no auditório 5. Participem!

Maiores informações no site:
http://www.mysticfair.com.br/


 

2º Fórum Nacional de Tarô - Rio de Janeiro



2º Fórum Nacional de Tarô e Simbologia

2º Fórum Nacional de Tarô e Simbologia
Universidade Candido Mendes - Rio de Janeiro/RJ
27 de agosto de 2011 (sábado) das 10hs às 19hs


Tema: Qual o futuro do tarô no Brasil?

Fórum de tarô

Com o objetivo de compartilhar experiências sobre a atividade do tarólogo, o fórum deseja reunir aqueles que anseiam conhecer melhor os caminhos do tarô em nosso país. O evento contará com renomados profissionais expondo as diversas formas de estudo (cabala, mitologia, simbologia) e de consulta (previsão, orientação, autoconhecimento). Também será abordado durante o evento o atendimento virtual e os cursos online, bem como as normas criadas pelo Ministério do Trabalho no reconhecimento da classe (CBO 5168-05).
ENSINO:

Confira a programaçao em: www.neinaiff.com/forum



Tema

1)ENSINO Mediador: Gian Schmid (Petrópolis/RJ)

Por que tanta pluralidade na instrução do tarô: cabala, numerologia, mitologia e simbologia? Tanto conhecimento ajuda ou atrapalha o profissional ou o estudante?

Anna Maria Costa Ribeiro
(Rio de Janeiro/RJ)

Giselle Moniz
(Rio de Janeiro/RJ)

Prem Mangla
(Rio de Janeiro/RJ)

Yedda Paranhos
(Rio de Janeiro/RJ)

Tema

2)CONSULTA - Mediadora: Vera Crystina (São Paulo/SP)

Podemos classificar uma consulta de tarô como adivinhação ou autoconhecimento?
É possível o cliente mudar o destino com qualquer informação do tarô?

Johann Heyss
(Rio de Janeiro/RJ)

Pedro Camargo
(Rio de Janeiro/RJ)

Raquel de Carvalho
(Rio de Janeiro/RJ)

Tova Sender
(Rio de Janeiro/RJ)



Tema

3)PROFISSÃO - Mediador: Alexsander Lepletier (Rio de Janeiro/RJ)

O que um tarólogo pensa ou sente durante uma consulta? Quais seus receios e objetivos durante a revelação oracular? O que ele deseja do futuro profissional?

Adriana Kastrup
(Rio de Janeiro/RJ)

Eloisa Gebara
(Rio de Janeiro/RJ)

Glória Britho
(Rio de Janeiro/RJ)

Graça Colombin
(Niterói/RJ)

***

Nei Naiff (Rio de Janeiro/RJ)

Minipalestras:

Qual o futuro do tarô no Brasil?
(abertura / mesa 1)
Blog, Orkut e FacebooK: o caos no ensino do tarô.
(abertura/mesa 2)
Tarólogos: direitos e deveres na CBO 5168-05.
(abertura/mesa 3)












O 2º Fórum Nacional de Tarô no Rio de Janeiro foi maravilhoso!



7ª Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa - Ano 2011

Formada em 2005, a Conferência de Wicca & Espirutalidade da Deusa foi criada como um evento que convida Wiccanianos, Bruxos, Pagãos e todas as religiões que celebram o Sagrado Feminino para compartilhar, aprender e melhor compreender os diversos aspectos destas práticas espirituais na sociedade e cultura contemporânea. 


Seu idealizador é Claudiney Prieto, personalidade de renome da Wicca no Brasil e autor de inúmeros livros sobre Paganismo, entre eles o best seller "Wicca- a Religião da Deusa". Hoje, a CWED é o maior evento da América Latina que engloba a Wicca e a Espiritualidade da Deusa e conta com a participação de palestrantes internacionais e nacionais, além de praticantes da Wicca de todo o Brasil. O propósito da CWED é promover programas, workshops, palestras e vivências que transmitam informações diversas para que os praticantes da Wicca, Paganismo e Espiritualidade da Deusa aprofundem suas práticas e conhecimentos teóricos em suas muitas manifestações. A Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa celebra o Sagrado Feminino em todas as suas formas e está possibilitando para muitos acesso a novos paradigmas, através das visões e insights compartilhados por seus conferencistas e palestrantes. 

O tema da minha palestra foi : Tarô - Origem, estrutura e simbolismo
Conferencista: Vera Chrystina

O Tarot é um oráculo que incorpora de forma simbólica valores que caracterizam a história das diversas civilizações, tais como: poder, esperança, autoridade, perseverança, etc.
Prática divinatória das mais difundidas e pesquisadas em todo o mundo, o tarot enquanto oráculo definido pelos valores acima descritos, é e foi motivo de adaptações e releituras que desde o século passado intriga e fascina a leigos e iniciados.
Nesta palestra iremos conhecer um pouco da história do tarô e o simbolismo dos Arcanos Maiores.

 Tópicos Abordados:
·         História do Tarô
·         As três correntes do tarô
·         Simbologia dos Arcanos Maiores
·         Metodologia e planos dos Arcanos

O evento foi maravilhoso! Agradeço de coração ao amigo Claudiney Pietro!


Eu e o Leo Dias

Pietra Di Chiaro Luna , eu e Claudiney Pietro

Leo Dias e eu depois da palestra

Tarô - O mapa da vida

Eventos de tarô - Confraria Brasileira de Tarô

Participei de muito eventos sobre o tarô. Aqui vão algumas fotos da Confraria Brasileira de Tarô realizada no Espaço Faces da Lua, nos dias 09 e 10 de julho de 2011,  pela dupla de tarólogos Pietra Di Chiaro Luna e Edu Scarfon. 

O evento superou as minhas expectativas e foi excelente. Um encontro maravilhoso de profissionais e estudantes que amam o tarô e lutam para que ele seja bem compreendido.
Muito obrigada Edu e Pietra, pelo convite e pela oportunidade!



O tema de minha palestra foi sobre Tarô - Destino ou Livre - Arbítrio?

Eu e o meu querido Nei Naiff

Eu, Emanuel, Leo, Euclydes, Nei Naiff, Lucas, Doraci, Sofia e Edy

Pietra Di Chiaro Luna, Nei Naiff, eu e Leonardo Dias

Eu

Pietra de Chiaro Luna, Nei Naiff e Edu Scarfon

De volta

Andei afastada do meu cantinho predileto. Volto com muitas idéias e novidades.