quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Jogral, O Louco e o Mago

Golden Tarot of Renaissance / Estensi Tarot (Este) -  Il Bagattelliere

O Jogral é um animador. Seu nome vem do latim jocus,
"jogo".


O Jogral foi considerado como o sucessor dos mímicos da Antiguidade. Ele absorve uma parte da herança dos animadores pagãos  celtas. O Jogral é um animador itinerante que vai fazer seus malabarismos nos lugares onde eles são admirados e bem pagos, tais como os castelos medievais. Ele é um animador que faz de tudo um pouco. Recita versos, conta histórias. Ele é o malabarista da boca e não o autor dos textos. Ele é apenas um executante.
Ele é um malabarista de gestos, um acrobata, um saltimbanco, tudo depende de sua atividade e do sentido que ele lhe dá.

Ele ilustra, em sua figura ambígua, a dupla natureza do homem, que foi concebido por Deus, mas pecou. É por este motivo que suas atitudes podem pender para o bem ou para o mau. Ele pode ser o bobo da corte de Deus ou o do Diabo.

É interessante notar, que o Jogral na Idade Média, fazendo uma analogia com o Mago do tarô, é uma mistura do Mago e do  Louco (arcano 1 e arcano sem número).

Thomas de Chobham, em 1215 distinguiu os bons e os mau jograis. Segundo ele, o jogral mau, é aquele que não coloca o corpo a serviço da alma. Ele não recua diante do burlesco, é excessivo nas palavras e nos gestos. Faz espetáculos vergonhosos e faz aparecerem fantasmas. Já o bom jogral, é aquele que não é ilícito e diverte os doentes.

Para São Bernardo, século XII, os jograis forneciam aos homens, um exemplo de humildade. Dizia : " os homens quando são humildes, parecem-se com os malabaristas e acrobatas que de cabeça para baixo, fazem o contrário dos homens, andando sobre as mãos e atraindo assim os olhares de todos.

No século XIII, São Francisco de Assis, recuperou a imagem dos jograis. Ele declarava-se um bobo da corte, mas especifica que é um malabarista da boca.

Posteriormente, a imagem do jogral muda para a de menestrel, devido a liberação da música e da difusão de novos instrumentos. No século XVI surge o circo e mais uma vez a imagem do jogral é modificada. Ele é apenas uma artista especializado dentre os artistas circenses. Ele representa as brincadeiras e a destreza frente aos perigos.





Significado: sendo o número 1, o Mago é o poder masculino da criação, através da força de vontade e do desejo. Em um significado arcaico, é a habilidade de fazer coisas apenas falando-as em voz alta (“E Deus disse ‘que haja luz!’, e a luz apareceu”). O fato de o Mago ser representado por Mercúrio é reflexo disso. Ele representa o dom das línguas, um interlocutor envolvente, um vendedor. Pode ser também um ladrão (Mercúrio era o deus dos ladrões) ou um curandeiro – podendo ser um médico de verdade ou alguém tentando vender-lhe óleo de cobra. Os quatro naipes colocados à sua frente lembram-nos dos quatro ases, que no Tarot simbolizam o poder cru, não desenvolvido e não direcionado de cada naipe. Quando o Mago aparece, ele diz que você tem tudo o que precisa para conseguir o que quer: vida amorosa, dinheiro, carreira, soluções, qualquer coisa.


Observações: se há uma carta que representa o Tarot essa carta é o Mago. É uma das cartas mais singulares do Tarot, e é sempre bem-vinda. É também o único dos Arcanos Maiores que se refere aos Arcanos Menores, com os naipes expostos sobre a mesa. Enquanto o Louco é sempre interpretado como se fosse o consulente, o Mago pode ser tanto o consulente quanto outra pessoa, um médico, um professor, um vendedor ou um vigarista. É importante lembrar que o Mago pode ser tanto malicioso quanto hábil, tanto charlatão quanto bruxo. Se interpretar como alguém na vida do consulente, interprete-o como uma personalidade atraente, alguém que pode convencer as pessoas sobre quase tudo. Para o bem ou para o mal, suas palavras são mágicas. O que é mais importante lembrar, eu acho, é que sendo interpretado como uma pessoa, o consulente ou como algum significado, no final das contas o Mago simplesmente cria ou revela as ferramentas. Fica a cargo do consulente explorar a utilidade das ferramentas ou ser guiado por elas.



Bibliografia : Jacques Le Goff - Heróis e Maravilhas da Idade Média
Tradução do site Aecletic Tarot  - http://www.aeclectic.net/tarot/
Imagens - http://www.albideuter.de/




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