sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Claustro e a Sacerdotisa do Tarô Medieval

Claustro de Mossiac - França
Tarô Medieval - A Sacerdotisa

O claustro é  um lugar central no monastério, constituído por um jardim interior rodeado de galerias que se abrem em arcos para esse jardim. Em outra concepção, o claustro refere-se ao conjunto do monastério, enquanto grupo de edifícios fechados. O significado essencial nesses dois casos é a ideia de encerramento, enclausuramento, presente na etimologia latina da palavra claustro, claustrum, que vem de claudere, fechar.
O imaginário do claustro é a clausura , associada à do jardim fechado, e esse encerramento protege tanto as produções herbáceas e frutíferas dos monges quanto o espaço da espiritualidade ao qual a imagem da Virgem será ligada de modo privilegiado à partir dos séculos XI - XII. Quando a Virgem supera as peripécias de sua vida terrestre, ela encontra-se no céu, após a Ascensão, ou em um jardim fechado. A referência fundamental do claustro como um jardim fechado é o paraíso, e de fato o pensamento simbólico medieval muitas vezes evocou o claustro monástico como o paraíso. Essa imagem da Sacerdotisa do Tarô Medieval é uma das que eu mais gosto e acho fidedigna a esse arcano.
O claustro é a metáfora do coração e do homem interior que valoriza a paz interior frente a agitação do mundo.
O motivo do claustro é o enclausuramento e esta prática foi imposta principalmente às mulheres. As monjas foram submetidas a uma regra de enclausuramento muito rígidas à partir do século V. No século XVI, a reforma protestante termina com os monastérios, conventos e clausuras, a Contrarreforma Católica prolonga a clausura para as mulheres. O Concílio de Tentro decreta a excomunhão para qualquer infração do voto de clausura.
No final do século XIX e começo do século XX, o claustro tornar-se a imagem romântica de um paraíso monástico medieval.


Claustro de Mossiac - França

Heróis e Maravilhas da Idade Média - Jacques Le Goff
Imagens do tarô: http://www.albideuter.de/

2 comentários:

Emanuel disse...

Eu gosto muito de relacionar essa carta - e, em sua oitava menor, a Rainha de Copas, conforme apresenta o Robert M Place - a um milagre de Santa Clara.
Quando da invasão de Assis pelos sarracenos, Santa Clara apanhou o ostensório com a hóstia consagrada e enfrentou o chefe deles, dizendo que Jesus Cristo era mais forte que eles. Os agressores, tomados de repente por inexplicável pânico, fugiram. Por este milagre Santa Clara é representada segurando o Ostensório na mão.
Há uma versão que diz que ela ficou no claustro, segurando o ostensório, eles não conseguiram passar da porta; por isso, o pânico.

Vera Chrystina disse...

Caro Emanuel, muito interessante sua colocação. Um beijo!