terça-feira, 13 de julho de 2010

O Traidor, O Enforcado, o Pendurado


Outro arcano que gera muitas controvérsias. No Tarô Cary – Yale ( 1420  1460), no trunfo da Esperança, existe a figura de um homem com uma corda no pescoço e a palavra Judas Traidor escrita em suas vestes. "A virtude da esperança superou o traidor Judas, que representa a deslealdade e hipocrisia." Kaplan LWB. LWB Kaplan.
Até 1750, mais ou menos, o nome da carta era o Traidor, em vários baralhos existentes. Ou Traidor ou Enforcado, referindo-se a Judas.
Só em 1781, no volume 8 de Le Monde Primitf , Court de Gébelin, modifica  o nome do Enforcado para Prudência.
Court de Gébelin, considerando que faltava no baralho uma carta relativa à Prudência, decidiu que o (Traidor ou Enforcado) seria esta. Ela será encontrada em seu devido lugar, entre a Fortaleza e a Temperança – um homem suspenso pelo seu calcanhar. E por que está assim?
É uma obra de um fabricante de baralhos presunçoso que, não entendendo a beleza da alegoria resolveu corrigi-la. A Prudência só pode ser representada de maneira inteligível, por um homem ereto, que tendo posto um pé à frente, ergue o outro e então examina o chão onde colocá-lo com segurança. Esta carta, então, é o homem com o pé suspenso, o fabricante dos baralhos, em sua ignorância, o fez como um homem suspenso pelo pé.
Em outras palavras, para Court Gebelin, a carta está de cabeça para baixo e, da maneira como ele descreveu, parece ter pertencido a um baralho belga do século XVIII. Esta mesma carta, no baralho Gringonneur , é de um homem ruivo, pendurado por um pé à trave horizontal de uma forca. Esse é o Judas traidor que com 30 peças de prata que ganhou a trair Cristo e, como diz na Bíblia, ela apanhou uma corda e se enforcou. É esta carta conhecida como Traidor.
Como podemos ver, o nosso querido Gébelin começou a confusão, por que queria que a Prudência ficasse no meio das virtudes como a Força e a Temperança.
O que representa essa atitude do Gébelin?
Representa que desde 1781, o homem tem tendência de invadir os saberes existentes e modificá-los ao seu bel – prazer, para caber dentro de suas crenças e dogmas.  Por causa desse tipo de vaidade o saber é desfragmentado, alterado, mutilado, de sua concepção original. Um dos problemas quando não se entende o símbolo. Haja paciência!
Em 1789, Etteilla segue Court de Gébelin e denomina a carta do Traidor, também como Prudência.
Em 1855, Eliphas Levi, no seu livro Ritual de Alta Magia, inventa que a forca é o Tau hebraico e que o Enforcado é a carta do Adepto. Ele começa a fazer a confusão do tarô com a Cabala. 
Em 1865, Edmond Billaudot's ( Madame Lenormand foi sua aluna) publica o Belline Tarot e diz que o Enforcado significa abnegação, prudência, paciência. Ele diz: dedique-se ao outro, esta é a lei divina, mantenha sua alma sempre pronta para prestar contas ao eterno, porque via no Enforcado, uma morte violenta e imprevista (Ross Caldwell).
Ross Caldwell acredita que ele fez uma mistura dos conceitos de Levi, Paul Christian e Gébelin, mesclando várias tradições.
Em 1889 Papus continua com a mesma visão, em seu Tarô dos Boêmios.
"Este Enforcado serve como um exemplo para o presunçoso, e sua posição indica a disciplina, a submissão absoluta que o ser humano deve ao Divino".
Em 1890 a Golden Dawn faz referência ao Enforcado, no ritual do adepto: Se tu, não nascer da água e do espírito, não podereis entrar nos reinos dos céus. Na verdade esse ritual simbolizava uma morte mística, onde o adepto era salvo e renascia, traduzindo em letras miúdas.
Matters em seu ritual, coloca o Enforcado na  posição  horizontal e faz analogia com o simbolismo egípcio ( o renascimento de Osíris)
Em 1922, TS Elliot refere-se ao homem enforcado como Odin.
Em 1927, Oswald Wirth, no tarô dos magos, diz: o Enforcado é o signo alquímico da Grande Obra. O Enforcado é inativo e impotente, mas sua alma é liberada. Ele não representa uma crença cega, mas, um homem prudente, que aprendeu a diferença da vaidade e da ambição individual e compreendeu as riquezas do sacrifício heróico que aspira ao esquecimento total de si mesmo. O herói mitológico que melhor se relaciona com o Enforcado parece ser Perseus...
Isso é um breve relato histórico das mudanças feitas no arcano o Pendurado.
O que é importante destacar é que Waite e Crowley ocuparam os mais altos postos da Ordem  Golden Dawn e atribuíram ao tarô seus conhecimentos ocultos, que para uma leitura tarômantica não ajudam em nada.
Termino a pesquisa com o texto de Nei Naiff em seu livro Tarô, Ocultismo e Modernidade ( Ed. Elevação):
Todas as correspondências cabalísticas serão puramente determinadas por um ego pessoal, será sempre uma alusão de um sistema escolhido para atingir uma meta, tais como os degraus dentro de uma ordem, um rito mágico predeterminado, um esboço metafísico, todas as correspondências são muito particulares. Assim, podem existir vários sistemas cabalísticos agregados ao tarô, todos são válidos em seu desempenho individual, mas em nada altera uma leitura de tarô.
Qualquer tarô que siga uma simbologia coerente e análoga aos tarôs tradicionais, mesmo que seu símbolo enfraqueça o atributo original, ainda estará apto para uma leitura e interpretação, independente de qualquer outra fonte arquetípica, agregada, seja ela a cabala, a mitologia, a numerologia ou a astrologia.
Não existe nenhum trabalho de tarô com relação a cabala, astrologia, numerologia, que preencha todas as exigências esotéricas ou que esteja livre de alguma forma doutrinária ou dogmática. Quem inclui a cabala diretamente nas imagens do tarô e da astrologia, tenta manipular em que mundo quer transitar, qual objetivo que quer atingir: a subida da escada de Jacó ou a descida ao mundo adâmico. Assim as chaves cabalistas são infinitas.
A norma de toda a simbologia é o seu caráter sugestivo, impossível de ser alcançado ou contido pelo discurso verbal. O Tarô não escapa a esta regra.

Bibliografia: Ross Caldwell em suas listas de discussões do Aecletic Tarot
http://www.aeclectic.net/tarot/
Nei Naiff : Tarô, Ocultismo e Modernidade – Ed. Elevação
Brian Innes : Tarot, como usar e interpretar as cartas - Ed. record

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Papisa, a Sacerdotisa



Esta é provavelmente a mais enigmática carta do tarô e a mais difícil de analisar do ponto de vista histórico.
Quando ela não é substituída ,  por um assunto completamente diferente, é denominada de La Papess  (Papa feminino) , la Papessa em italiano e La Papesse em francês .
Nos tarôs mais antigos você não vai encontrar a lua crescente e nem os dois pilares brancos e pretos. As imagens mostram um véu pendurado atrás dela, o livro no colo e a tríplice coroa do papado. Em outros tarôs ela tem a chave papal em vez do livro. Todos esses símbolos, exceto o véu que pode ser meramente decorativo, são símbolos do papado e pode ser muito bem mostrada como um papa do sexo masculino.
A Papisa forma um quartenário, com a Imperatriz, o Imperador e o Papa, posteriormente denominado de Hierofante.
Há uma simetria agradável:  dois governantes seculares, dois  eclesiásticos, dois homens e duas mulheres..
Essas quatro cartas eram sempre colocadas anteriores ao Mago, mas, teve a sua ordem muito diversificada.  Eram elas : Imperatriz, Imperador, Papisa e  Papa.
No tempo da Contra-Reforma, as autoridades da igreja se irritaram e tanto o Papa, como a Sacerdotisa eram considerados assuntos impróprios para permanecerem estampados em cartas de jogatina.
Na região central e do sul da Itália, o controle era mantido pela Igreja e as cartas foram retiradas para apaziguar as autoridades.
Duas, das três variantes de tarôs feitos na França, Bélgica e no tarô de Bensançon, também retiraram essas duas cartas. Depois de 1700, somente o tarô de Marselha manteve essas duas figuras controversas.
Aqui está uma lista das substituições que foram feitas:

  • Tarocco Bolognese - todos os quatro "papi" (Imperatriz, Papisa, o Imperador, o Papa) são substituídos por "mori (mouros)

  • Minchiate de Florença – a Papisa é descartada completamente e o Papa é transformado em "Eastern Imperador".

  • Tarot da Bélgica - a Papisa é substituída pelo capitão espanhol Fracasse, a commedia dell'arte, e o papa é substituído pelo deus pagão Baco, nu, abraçando um barril de vinho! (Presumivelmente, isso é melhor para a moral do público do que uma imagem do papa)

  • Tarot de Besançon - a Papisa se torna a deusa Juno, e o Papa torna-se Júpiter, como rainha e rei do céu. A substituição é preservada no  JJ Tarot Suiço, que é o descendente moderno do Tarô de Besançon.
Estes são os fatos.
No século XV, havia o costume de usar figuras ou abstrações para representar as instituições. A Papisa aparece como uma referência alegórica ao papado e a Igreja em geral, apesar de que, se ela fosse a Igreja manteria esse nome e não o nome de Papisa como sempre foi denominada.
Outra referência é a lenda da Papisa Joana, que também não faz muito sentido. As imagens da época  retratam a Papisa Joana com seu filho e em outras enforcada  pelo seu grave delito. Por este motivo é improvável que o autor do tarô mantivesse essa concepção.
Gertrude Moakley chamou a atenção para uma pequena seita herética , os gugliomitas, nome de seu fundador Guglielma, que atuou em Milão, um século antes das  cartas do tarô serem inventadas. Os gugliomitas acreditavam que o mundo entraria numa nova era e que esta seria anunciada pelo Espírito Santo em forma feminina. Elegeram como um de seus membros a irmã Manfreda  como papa. Manfreda tinha relação com a família Visconti que governou Milão e encomendou as cartas de tarô que chegaram até nós atualmente. A carta da Papisa do Tarô Visconti para mim é uma das mais assombrosas. Suas vestes são de uma freira, mas, ela veste a coroa papal. Sua expressão é serena, enigmática e pensativa e a inclinação da cabeça é uma reminiscência da Madona. Pode ser que o inventor do tarô se simpatizasse com esta seita e fez uma referência a parte feminina de Deus.
A dificuldade com essa idéia é que ela parece sectária. O tarô não era apenas popular em Milão, mas, em toda Itália, França e Suíça. Os símbolos do tarô são de propriedade comum da cultura européia, o que representa que eram universalmente compreendidos como as camadas sociais da época e os princípios cósmicos da mesma.
Eu acredito ( o autor) que a carta da Papisa prova que o inventor do tarô atribuiu uma teologia não convencional em que enfatiza  a polaridade masculina e feminina. Essa  teologia caracteriza os primeiros cristãos gnósticos, que permitiu as mulheres, assumirem  as mais altas posições clericais em seus ritos. Para os gnósticos  a polaridade macho – fêmea eram o símbolo para outras dualidades : o corpo e o espírito, a humanidade e Deus, a escuridão e a luz.

Não podemos nos esquecer do princípio monoteísta do judaísmo, que depois da vinda de Cristo, traz Maria.
 A face feminina da religião reapareceu na adoração popular da Virgem Maria, que agora, mais do que Jesus, tornou-se a mediadora através do qual os oprimidos possam comungar com Deus.. A Papisa do tarô não é a Virgem Maria, são substratos da mente humana como válvulas de escape já que as instituições eram hierárquicas e só prezavam os homens.
Assim talvez,  com isso em mente, podemos rever a posição peculiar da Papisa no tarô de Marselha. O Papa preside a Imperatriz e o Imperador e a Papisa preside o Mago e o Louco, mais humildes que o Imperador e a Imperatriz.
O rosto de Deus é quem sabe de Maria, Mãe de Deus, que re-encarna a Deusa Mãe da época pré-cristã. O  rosto feminino da religião tem uma permanência que persiste por muitas manifestações .High Priestess é realmente um nome muito apropriado para esta lamina, eu acho que, mesmo a partir de uma perspectiva histórica. É uma pena, porém, que o título análogo para o trunfo   V, "Sumo Sacerdote", ficou perdido em algum lugar ao longo do caminho. Os tarôs históricos claramente nos convidam a comparar e contrastar essas duas figuras.. Os escritores modernos, muitas vezes fazem o contraste com a Sacerdotisa e o Mago, uma vez, que rompem o paralelismo que  foi incorporado inicialmente ao sistema do tarô. 

Tradução e compilação do excelente site:
http://www.tarothermit.com/priestess.htm
 

Oração de São Francisco de Assis com imagens do tarô



Lord, make me an instrument of your peace;
where there is hatred, let me sow love;
where there is injury, pardon:
where there is doubt, faith ;
where there is despair, hope
where there is darkness, light
where there is sadness, joy
O divine Master,
grant that I may not so much seek to be consoled as to console;
to be understood, as to understand;
to be loved, as to love;
for it is in giving that we receive,
it is in pardoning that we are pardoned,
and it is in dying that we are born to Eternal Life.
Amen.
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém

Querida Pamela

Trapolla Cards



Trappola é uma palavra italiana que significa "armadilha", ratoeira, fraude,  e no que diz respeito à derivação da palavra, Peignot Trappola observa que significa uma coisa genial, isto é, algo que engana.
Trappola foi descrito por Cardano em seu Liber de Ludo Aleae, escrito em 1564, como um  jogo veneziano popular no século 16. 
Ele possui os quatro naipes : Paus, copas, espadas e ouros, apesar de possuir apenas 36 cartas.
Esses dados provam que o tarô era um jogo lúdico, muito apreciado naquela época.
Referências:
http://en.wikipedia.org/wiki/Trappola