quinta-feira, 11 de junho de 2009

Um pequeno estudo sobre o método no Tarô



QUARTA-FEIRA, 10 DE JUNHO DE 2009

Uma nova proposta para a leitura da Cruz Celta

Rogério Novo

Em função da pesquisa que venho fazendo, ousei fazer algumas modificações na distribuição das Casas, tentando adequá-las à Geometria Sagrada, e na forma de sua leitura, para que eu ritmo seja mais fluente. As experiências que fiz resultaram positivas, então estou a repassar agora a nominação das Casas como as tenho usado na leitura. Evitarei dar exemplos concretos, pois as experiências foram em leituras muito pessoais, e assim abrem-se as portas para as experimentações de cada um que queira testá-la.
O diagrama é o que está no final do artigo publicado no site do Clube do Tarô, onde o tema foi abordado com mais profundidade,acima reproduzido.
Passemos então à explicação de cada Casa.
Casa 1: deve ser vista, e interpretada, como a própria essência da consulta, a questão em si. Acredito que o atributo principal do arcano que aí estiver é o mais apropriado para identificar essa Casa, não importando em qual plano (material, mental, sentimental ou espiritual) esteja a pergunta, pois ele suplanta todas essas “restrições”;
Casa 2: deve ser interpretada como uma "advertência", pretendendo indicar qual a atitude que o consulente deveria tomar para dar força à Casa 1, ou seja, é o comportamento que falta ao consulente para dar plenitude à Casa anterior, por isso estar cruzando a anterior. Não consigo imaginá-la como um “obstáculo”. É, antes de tudo, uma identificação da atitude que está ausente ao consulente;
Casa 3: representando a base da questão, o que o consulente já conhece (ou tem consciência) sobre o assunto e sua interpretação combina mais com o plano mental do arcano;
Casa 4: representando o que está “sobre” a questão, o que o consulente não conhece (ou não tem consciência) sobre o assunto, por isso estar colocada “longe” dele, também se adequa melhor quando interpretada pelo plano mental;
-Casa 5: colocada à esquerda das centrais, por representar o passado recente, é melhor analisada pelo plano material. Embora já tenha dito que essa temporalidade pode ser traiçoeira, acredito que se pode partir de um período de até três meses anteriores à data atual;
Casa 6: colocada à direita das centrais, representará o futuro imediato, também sendo melhor analisada pelo plano material, e pode seguir o mesmo padrão de temporalidade da Casa anterior, só que se projetando para um período de até três meses da data da consulta;
Casa 7: analisada pelo plano material, mostrará como o consulente está se portando em relação à questão, como ele a está vendo, como ele está agindo;
Casa 8: acredito que a melhor nominação para essa posição seria a Casa dos relacionamentos, ou seja, como o consulente está se relacionando com seu grupo social, familiar ou extra-familiar, e, interpretada pelo plano material, mostrará como isso vem acontecendo, se o apoiando ou o desaprovando;
Casa 9: vários autores denominam essa Casa como “esperanças e temores”. Sempre tive certa prevenção contra essa denominação, pois essas duas “sensações” são antagônicas. Ou se tem “esperança” (fé, desejo de algo aconteça, confiança em alcançar uma coisa), ou se tem “temor” (acreditar que algo ruim vá acontecer, ter medo de alguma coisa).
Como já é de consenso geral, todo arcano tem dupla polaridade. Assim, se denominarmos a Casa como “Esperança”, um arcano que “cair” ali já indicará se essa esperança é “positiva” ou “negativa”. Da mesma forma ocorrerá se a denominarmos “Temores”.
Agora, deixarmos nessa dubiedade, o conflito resultará evidente, pois é inevitável que o consulente não esteja ansioso em ter uma resposta à sua dúvida, senão ele não estaria ali sentado à sua frente, esperando (positivamente) ou temendo algo. Então, se ali tivermos um arcano bem aspectado, a que ele estará se referindo? À efetiva realização da “Esperança” ou à concretização do “Temor”? E caso a conjugação dos arcanos seja desfavorável? Estará desfavorável a qual das “sensações”?
Em função dessa análise passei a identificar essa Casa como Expectativas. É a palavra que melhor exprime a sensação a ser identificada nessa posição e que não gerará qualquer conflito na interpretação, podendo esclarecer a situação com a correta interpretação do arcano que ali estiver, e que acredito deva ser feita pelo plano material, pois, apesar de a sensação ser um “sentimento”, a sua identificação implicará numa atitude (material);
Casa 10: é o Resultado. Interpretado pelo plano material, dará a resposta mais adequada à solução da questão posta pelo consulente, se a pergunta é procedente ou não.
Observações importantes:
1) não uso uma carta “significadora” (aquela que alguns autores colocam sob a Casa 1 já virada para cima), seja para identificar o consulente, seja para representar a questão; escolhida previamente ou “sorteada” do monte.
E isso se deve, fundamentalmente, a duas explicações básicas: a) o consulente já será, naturalmente, identificado na Casa 7, e b) a questão já é a essência da Casa 1, e que pode ser ampliada pela conjugação com as Casas 3, 4 e 9;
2) também não pratico a leitura “invertida” das cartas, por considerá-la supérflua, face à dupla polaridade dos arcanos, já mencionada acima, e que resultaria na mesma informação;
3) várias outras combinações podem, e devem, ser feitas para ampliar a leitura.
Por exemplo, as Casas 3 e 5 poderão indicar o motivo da questão (Casa 1); ou então as Casas 2, 7 e 8 para explicar as suas expectativas (Casa 9); e até as Casas 2, 3 e 4 para lançar uma luz sobre o futuro imediato (Casa 6);
4) qualquer Casa poderá, e às vezes necessitará, ser interpretada, também, como um “conselho”. Isso dependerá exclusivamente da sensibilidade do leitor, que poderá perceber uma situação “desaconselhável” ao consulente.
Um exemplo disso seria um Carro na Casa 6, prevendo um futuro imediato, um Diabo na Casa 7, que poderia estar a indicar uma atitude ilícita por parte do consulente, e que poderia se refletir numa Torre na Casa 10, numa questão que envolvesse uma expectativa de promoção no emprego. Ele tenderia a agir inconseqüentemente, sendo efetivamente promovido, mas tendo sua atitude descoberta e até demitido por causa disso.
Caberia, então, um aconselhamento, no sentido de explicar ao consulente que ele deveria rever suas atitudes para não cair no ridículo, prejudicando seu futuro profissional.
- Com relação às combinações possíveis para se dar exemplos, seria impraticável pelo menos chegar perto de esgotar as alternativas, pois implicaria numa fórmula matemática que teria a seguinte estrutura: 22!/12!x10! x 56!/46!x10! Além do mais, qualquer tentativa nesse sentido desestimularia o interesse em testar essa nova configuração!
5) Com relação ao Sistema a ser usado, aconselho o conhecido por “Europeu”, pois o arcano maior indicaria a “situação” e o arcano menor a “manifestação”, trazendo maior riqueza de informações à leitura.
Acredito que o Sistema denominado Italiano é um pouco restrito, pois poderia retirar até 3 naipes, e elementos, do jogo.
Já o Sistema “Americano” me causa certo arrepio, pois, mais das vezes coloca um arcano menor se contrapondo, pretendendo até a “negar” um arcano maior, o que já é de consenso ser inadmissível;
6) a disposição das cartas voltadas para o consulente tem se mostrado muito produtiva, dentre outros fatores, fundamentalmente por estar mais consoante à Geometria Sagrada.
Acho que com essa “conclusão” poderei deixar mais clara a minha intenção de demonstrar a importância da adequação do método à Geometria Sagrada, e minha tentativa de despertar em cada um o “bichinho” da curiosidade que poderá levar-nos refletir cada vez mais sobre esse instrumento maravilhoso que é o Tarô! E enquanto isso continuo minha pesquisa comparativa entre mais de 25 esquemas expostos por mais de 20 autores.
Grato pela paciência de todos!

Belo Horizonte, 8 de junho de 2.009

Contato com o autor:
Rogério Novo - rabnovo@yahoo.com.br


Ilustração de Leca Novo

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