sábado, 5 de julho de 2008



O Cirque Du Soleil divulgou recentemente o nome do espectáculo que ficará fixo em Tóquio. Chama-se ZED. É o primeiro espectáculo fixo do Ciruqe Du Soleil em Tóquio.

ZED é um poema vivo, uma evocação eterna que atrai o Tarô e o seu arcana, um mundo imaginário que conjuga a vitalidade da condição humana e apoia um espelho às nossas personalidades verdadeiras. ZED representa toda da humanidade em todas as suas aparências externas, da sabedoria à loucura, da descoberta à aventura.

Zed ( personagem ) e descobre o mundo na sua viagem da iniciação. A gente do céu e a gente da Terra tentam comunicar uns com os outros através de Zed, e como consequência dessa comunicação eles juntam-se.

Mosaico de Tarô em uma capela












http://hermetism.free.fr/Avenieres/avenieres12-english.htm

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Oráculos: é realmente possível prever o futuro?



Entrevista: Roberto Goldkorn

Poder rasgar o véu do futuro e tentar controlar a vida e o destino, é uma possibilidade que fascina o homem. Nesta entrevista ao Vya Estelar, o especialista em fenômenos psíquicos do processo transpessoal, Roberto Goldkorn, que pesquisa avidamente as ciências ocultas, há mais de 20 anos, põe as cartas na mesa e esclarece, de uma vez por todas, as verdades e mentiras sobre essa fascinante arte.

De forma clara, profunda e equilibrada Goldkorn não enaltece e nem joga pelo ralo os oráculos ou qualquer tentativa para se tentar prever o futuro. Mas nos ensina como lidar com esse intrincado universo.

Vya Estelar - É possível que alguém possa prever o futuro de uma outra pessoa? Caso possa, existiria uma margem média de acerto ou erro?

Roberto - Claro que é possível. Ao longo desses 17 anos, fiz isso cerca de milhares de vezes, com muito mais acertos do que erros. No entanto, eles existem. Costumo comparar as previsões, como alguém que está observando a rua do alto de um prédio. Lá embaixo, ele vê uma mulher receber um dinheiro e colocar dentro da bolsa. Do outro lado do prédio, ele vê um ladrão indo em direção à mulher. Nenhum dos dois sabem um do outro, mas do alto eu posso fazer uma previsão. Dentro de alguns minutos vai haver uma transferência de valores. Mas sem que eu veja, uma viatura policial se aproxima, ou sem que eu saiba, a mulher é uma policial e está armada. Ou o ladrão ao avistá-la lembra-se da sua mãe ou avó e decide deixar barato. Ou... enfim existem sempre os fatores imponderáveis, que podem levar ao erro da previsão, ou ao seu acerto parcial. No meu caso, a margem de acerto, medida por olhômetro, é de 90%. O duro é explicar os outros 10%, por que falharam.

Vya Estelar - De que forma seria feita esta previsão. Através de oráculos, numerologia, astrologia ou vidência... Existiria alguma forma mais eficaz ou depende do profissional?

Roberto - Há inúmeras formas. Em algumas tribos africanas, há uma adivinhação através de um frango envenenado. O feiticeiro segura o frango pelos pés, já meio grogue. O consulente faz a pergunta. Se o frango morrer a resposta é positiva, se viver é negativa.

Mas resumidamente existem três grandes fórmulas de previsão:

Fórmulas de previsão

1ª)Com o uso de apoios externos, como o frango, o tarô, a astrologia, os búzios, a borra de café e todos os outros meios, que são centenas, que o homem desenvolveu para tentar adivinhar a linguagem divina.

2ª)Os apoios internos que são os chamados dons: vidência, précognição, sonhos proféticos e a clariaudiência: a capacidade de alguns indivíduos de ouvir sons extra físicos. Por exemplo: ouvir uma pessoa cantando uma música. Essa pessoa pode estar em outra cidade, ou até em outro plano de existência.

3ª)Os espirituais, onde em teoria se conta com o auxílio de entidades desencarnadas ou puramente espirituais como anjos, elementares e etc...


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Desde a mais remota antigüidade o homem lança mão desses recursos, dessas três instâncias, para diminuir a sua cegueira em relação ao mundo que o cerca e ao futuro. A própria Bíblia mostra esse comportamento como sendo rotineiro nos antigos.

O tarô é o mais eficaz

Não existe meio mais ou menos eficaz, mas sim em relação ao que se precisa. Na minha opinião nada supera em precisão o tarô, que está na frente da astrologia por não necessitar de dados (data, horário, local de nascimento), sobre o consulente ou sobre o evento consultado.

Vya Estelar - É verdade que as previsões do tarô valem no máximo por um mês?

Roberto - Isso não é uma verdade. Como o tarô age num continuun atemporal, teoricamente poderíamos fazer uma consulta sobre o que vai acontecer daqui a trezentos anos, ou na próxima encarnação. O problema é que como o futuro não está engessado, quanto mais longe no tempo você apontar o seu telescópio de cartas mais chances têm de errar, e mais difícil fica a interpretação dos eventos.

Vya Estelar - Por que é possível prever o futuro?

Roberto - . Existe uma dimensão do continuum espaço tempo, onde presente passado e futuro SÃO. Não cabe aqui apresentar centenas de relatos de fatos comprovados onde pessoas, tiveram acesso a esse "Arquivo" e de lá trouxeram informações sobre fatos que iriam acontecer.

Sonhos, transes hipnóticos ou mediúnicos (e até induzidos por drogas naturais ou sintéticas), estados alterados de consciência costumam "levar" o indivíduo a esse "Arquivo". O problema é que o conhecimento está armazenado lá, em forma de imagens (não, não é em inglês, nem em linguagem Java), imagens cujo reconhecimento é mais ou menos universal.

Ao voltar do "arquivo" com a tal informação, o indivíduo, deve sair do estado alterado de consciência, atividade sob responsabilidade do cérebro direito, e voltar ao estado de vigíliae, aí compreender ou transmitir a sua experiência.

Nesse momento em que o cérebro esquerdo volta a assumir, e a traduzir o mundo pelas palavras, é que se dá o "gap". Essa dificuldade de "transdução", de colocar a experiência sensório imagética em palavras sintaticamente organizadas é que inviabiliza, 99.99% das pesquisas dos humanos nesse Bancão de Dados.

Os instrumentos, entre eles o tarô foram feitos para o papel de "ponte" entre esses dois universos. O nosso Inconsciente, que é uma terminal do Grande "Arquivo", ou Inconsciente Coletivo, Anima MUNDI, Arquivo Akáshico, Memória da Espécie, etc, sabe de tudo, tudo que diz respeito a nossa vida, mas é mudo, e não sabe expressar em palavras coerentes. Por isso fala nos sonhos, nos atos falhos, nos lapsos linguaje, nos divãs dos analistas etc. Por isso, é possível prever o futuro de um indivíduo, e pelo mesmo motivo essa previsão é tão imponderável.

A prova

Não dá ainda para provar por a+b cientificamente. O Dr. J.B. Rhine da Duke University, pioneiro na pesquisa parapsicológica, sentiu o gosto amargo dessa tentativa. Depois de alternar sucesso e fracassos, com a técnica do baralho Zener (se os sujeitos poderiam prever qual carta seria tirada), ele percebeu que a máquina humana, é regulada pela emoção. Por isso sacou que para satisfazer o rigor científico, de produzir estatísticas volumosas, os seus estudantes/cobaias acabavam ficando de saco cheio, e a curva de acertos despencava. A isso ele deu o nome de boredon effect, que eu traduzi como efeito saco cheio. Mas as evidências são tão grandes, e os estudos são tão contundentes que só mesmo os mal intencionados, burros, e alienados podem negar a existência dessa capacidade de prever o futuro.

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Vya Estelar - Uma pergunta que já virou um surrado clichê. Se videntes acertassem o futuro não poderiam estar milionários prevendo resultados de loterias?

Roberto - Estava demorando. Ouço isso pelo menos a vinte anos. Oráculos e especialistas para prever o futuro trabalham em cima de pessoas. Usam as emoções humanas para servir de ponte para o que está vindo. Embora há sempre quem afirme o contrário, não é possível prever como cairão as bolas num misturador, ou os dados numa mesa, ou onde vai parar a roleta. Eu mesmo já tentei, inutilmente graças a Deus!

Vya Estelar - Eu mesmo já tive a oportunidade de presenciar videntes ou cartomantes capazes de revelar com riquezas de detalhes o passado e o presente de quem está sendo consultado. Mas na hora de falar do futuro... tudo dá errado. Talvez aí não esteja o grande perigo. Se matematicamente o vidente acertou o passado e o presente por analogia ele não acertaria o futuro? Por que acontece este acerto (passado e presente) e este desacerto (futuro). Se bem que tem muito picareta por aí, que não acerta nada.

Roberto - Simples. O futuro ainda é um feixe de possibilidades. Certamente há linhas mestras apontando para esse ou aquele lado. Mas a inexorabilidade do futuro está na razão direta do nosso desconhecimento, desse mesmo futuro. Ou seja, no momento em que por algum artifício rasgamos esse véu do futuro, o colocamos em cheque e criamos uma caminho triplo onde antes só havia um.

1º) Caminho: A nossa intervenção não altera em nada o andar da carruagem.

2º) Caminho: A nossa intervenção altera parcialmente.

3º) Caminho: A nossa intervenção altera totalmente. O grande problema é se alterarmos totalmente o futuro, como saber que o alteramos?

Vya Estelar - O que funcionaria não são os oráculos, mas sim a vidência. Estes elementos seriam apenas um mero pretexto para concretizar no mundo real a vidência do profissional e assim justificar suas previsões?

Roberto - Sim, em muitos casos funciona assim mesmo. Muitos videntes se utilizam de "bengalas" apenas para o apoio de sua vidência. Um antigo mestre me dizia que quando ele pegava as cartas (baralho comum) sentavam-se no seu ombro dois "ciganos" (entidades) e começavam a falar no seu ouvido. As cartas eram apenas o código de acesso.

Vya Estelar - Antes da Copa do Mundo, o Fantástico (TV Globo), entrevistou numerólogos, tarólogos, astrólogos e pais-de-santo para saber o que iria acontecer com a seleção brasileira, mas ninguém acertou nada, não só da seleção, como também dos outros times. Por quê?

Roberto - Há muito tempo, eu pessoalmente não aceito mais fazer esse tipo de coisa. Por dois motivos:

O primeiro pela futilidade do propósito. A pergunta é para quê? Em que isso vai beneficiar você? É puramente especulativo, perda de tempo.

O segundo é a grande dificuldade das previsões que envolvem tantas variáveis apresentadas. Há tanta gente envolvida, e cada um pode representar a decisão. Seria necessário um super computador para fazer esses milhões, talvez bilhões de cálculos.

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Vya Estelar - Vamos falar agora do contrário? Quando um profissional que prevê o futuro consegue acertar tudo e em geral obtém êxito. Por que isso acontece?

Roberto - Acredito que quando isso acontece, é a soma de vários fatores: experiência de vida, sensibilidade, proficiência no uso do instrumento de consulta. Mas não acredito existir um profissional que acerte sempre 100%, pelo menos ao longo desses quase vinte anos, nunca vi, nem soube da existência de tal fenômeno. Melhor assim, prefiro a vida pelo menos com alguns mistérios.

Vya Estelar - Às vezes alguém procura um profissional indicado por alguém muito bem sucedido em sua consulta. E quando esta pessoa procura o profissional indicado dá com os burros n'água. Por que isto acontece, funcionar com um e não funcionar com outro?

Roberto - Pode e acontece. Na psicologia existe um fenômeno chamado halo. É mais ou menos o que se chama simpatia, ou "O meu santo bateu com o dele". Essa empatia, a criação desse vínculo entre o consultor e o consulente, pode ajudar muito a melhorar o fluxo de informações. O contrário também é verdade. A antipatia, "o santo que não bateu" também pode atrapalhar muito o fluxo de informações, de mente para mente, mas também pode influenciar na interpretação dos sinais por parte do profissional. Conheci uma vidente fantástica. No entanto, a vida dela estava tão bagunçada, tão mal, que ela tendia a interpretar todos os sinais que via, negativamente, e apesar de ser autêntica errava muito, por esse motivo.

Vya Estelar - Já que estamos na internet gostaria de saber sua opinião sobre os oráculos on line?

Roberto - Já tive a oportunidade de dar uma olhada e não me surpreendi quando vi que alguns tinham um incrível grau de acerto. Mas acredito que se forem vistos como uma ferramenta, dentro das suas limitações naturais, ou seja, não personalizadas, não individualizadas, podem até ser úteis. Desde que não se crie dependência delas é claro.

Vya Estelar - Procurar esses profissionais ledores do futuro, na prática, mais ajudam ou atrapalham a vida das pessoas se pudéssemos por hipótese eliminar a variável dos profissionais picaretas?

Roberto - É difícil dizer. Em princípio acho que a busca de informações privilegiadas só deveria ser feita quando se estivesse diante de uma necessidade de decisão e os elementos para essa tomada de decisão fossem escassos. Na maioria dos casos o que move as pessoas nesta busca é a mera curiosidade ou o medo humano eterno do desconhecido. Ou seja, outras buscam essas artes divinatórias para que confirmem suas expectativas, para verem confirmadas as coisas que querem ouvir.

Nunca fiz sucesso nesse campo, pois dizia as pessoas o que achava que elas precisavam ouvir, e nem sempre isso era muito agradável. Ganhei muitas inimizades por isso. Definitivamente não sou político. Uma consulta bem feita, com a mente aberta, com a confiança no profissional, e com uma estratégia pronta para usar as informações obtidas ali, é de valor inestimável.

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O diabo escondido

Certa vez, atendi a um grande empresário que estava em dúvida para saber se comprava ou não uma empresa que lhe havia sido oferecida. Aparentemente um bom negócio. O tarô disse não faça, existe um diabo escondido. E ele seguiu o conselho do tarô. Meses depois um outro grupo comprou a tal empresa. Em pouco tempo, estourou um escândalo contábil envolvendo a empresa comprada, que arrastou o grupo, para quase um abismo.

Vya Estelar - O que você aconselha para os ávidos em quererem saber o próprio futuro e tentar controlar o seu destino. Existiria uma outra alternativa para estas pessoas viverem em paz sem ficarem dependendo dessas muletas psíquicas?

Roberto - Eu diria: cuidem bem do presente. Construam o futuro a cada dia com vergonha na cara, com discernimento, com ética, com generosidade, com justiça. O imponderável entreguem a Deus, confiem que se fizerem a sua parte direitinho, Deus fará a dele. Desistam da insensatez de tentar controlar suas vidas de forma absoluta, mas não abram mão de controlarem vocês mesmos o que puderem e não ceder os controles para uma igreja, um guru...

Vya Estelar - Para você qual é o significado real dos oráculos? Instrumentos do autoconhecimento?

Roberto - Sim. Mas não acho que pare aí. Acredito que ao contrário do que dizem certos religiosos, os oráculos são criações divinas, são escritos divinos deixados de presente por Deus para o homem ir decifrando à medida em que evolui, para minimizar a sua impotência das forças que controlam a sua vida.

Vya Estelar - A semiótica por exemplo considera simbolicamente todos esses oráculos como meras manifestações de linguagem. Uma necessidade do homem para poder se expressar no mundo. O que você acha disso?

Roberto - A semiótica vê esses elementos como meras linguagem em si. E são mesmo. A semiótica não pode ir além disso, ela não pode ver a dimensão transpessoal do oráculo. Seria a mesma coisa que pedir a sociologia que entendesse a relação da mediunidade enquanto manifestação espiritual.

Vya Estelar - O futuro só a Deus pertence?

Roberto - Sim, e como somos filhos de Deus, nos pertence também tudo o que existe em termos de oráculos não foram criados pelo diabo, mas sim por Deus. Mas assim como as uvas criadas por Deus, muito vinho pode embebedar e aí você está como o diabo gosta.

Vya Estelar - Como você enquadra a numerologia e a astrologia dentro deste universo de prever o futuro. Seriam ciências?

Roberto - Sem a menor dúvida. Não conheço muito de astrologia, mas admiro e já vi o que essa ciência pode fazer. A numerologia a cada dia me mostra resultados mais fantásticos. Realmente, posso dizer que, pelo menos comigo, a numerologia é uma ciência que não no sentido estreito e limitado que alguns cientistas tratam, mas no sentido de ser, uma enorme boca sempre ávida, pronta para engolir tudo à sua frente sem discriminação, só querendo se alimentar, crescer e ficar fortinha. Ciência na minha opinião é isso: a busca voraz e incontrolável do conhecimento.

Leitura de intenções




Para neurociência, a 'leitura de intenções' no cérebro, como no filme,Minority Report já é uma realidade.

Um amigo meu anda preocupado com o que a neurociência talvez um dia seja capaz de fazer: ler pensamentos. Não, mais do que isso: ler intenções. Identificar diretamente no cérebro a vontade de ir ao cinema, aceitar uma proposta de casamento, dar um presente ou fazer um agrado. E também a vontade de mentir, trair a mulher, cometer homicídio. Tanta preocupação surgiu ao tomar conhecimento de uma descoberta da neurociência feita uns vinte anos atrás, e desde então confirmada de diversas formas.

A tal descoberta tem a ver com aquele papo de que a gente vê somente cinco anos mais tarde o brilho de uma estrela afastada cinco anos-luz da Terra. Lembra dessa história? Ela explica por que uma estrela que já morreu décadas atrás pode ainda brilhar por aqui na Terra. Pois bem: segundo o americano Benjamin Libet, badaladíssimo nos anos 80, a consciência dos nossos atos voluntários seria algo parecido: uma explicação criada pelo cérebro para algo -- como a ordem de executar um movimento -- que já aconteceu até meio segundo mais cedo.

Num dos experimentos mais simples e elegantes da história da neurociência, Libet pediu a seis voluntários que prestassem atenção à trajetória de um pontinho andando rapidamente em círculos numa tela, como se fosse o ponteiro de um relógio, enquanto um eletroencefalograma registrava a atividade elétrica sobre a região do cérebro que dá comandos de movimento aos músculos. A tarefa dos voluntários era moleza: eles deviam ficar lá prestando atenção ao pontinho e, se por acaso sentissem uma vontade súbita de mover um dedo, notar em que posição estava o pontinho no momento em que a vontade bateu. Pela posição do pontinho, Libet podia estimar o tempo decorrido entre a vontade e o movimento.

Resultado? A vontade bate uns dois décimos de segundo antes de o dedo mexer. Natural, não é? Primeiro dá vontade; depois você mexe o dedo. O que não estava no programa é que as regiões de planejamento motor do cérebro entram em atividade MUITO ANTES de "bater a vontade" de mexer um dedo -- outros dois ou três décimos de segundo mais cedo do que a "vontade". A implicação é que o cérebro não "sente vontade" de mexer um dedo, depois ativa o programa adequado, depois mexe o dedo. Ao contrário: ele primeiro ativa o programa adequado; dois ou três décimos de segundo mais tarde aquilo de alguma forma se transforma em "vontade"; e só outros tantos depois o dedo mexe, mesmo.

Desde então, vários laboratórios já comprovaram que a ordem para a execução voluntária de um movimento é dada no cérebro até mais de meio segundo antes de ser executada. E, como demonstrou Libet, ela pode ser detectada eletronicamente ao menos dois décimos de segundo ANTES que a própria pessoa tenha sequer consciência de que a ordem foi dada. Se você ainda está pensando que é pouco, não se engane: dois décimos de segundo são muita coisa. Tempo o suficiente, por exemplo, para bater palmas duas vezes. Ou apertar um botão.

Donde a preocupação do meu amigo. O intervalo significa que há tempo hábil para uma máquina "ler" no cérebro a intenção do movimento, e até intervir. A ordem para apertar o gatilho do revólver, por exemplo, poderia ser detectada por um sensor implantado no cérebro a tempo de algum dispositivo reagir e impedir o disparo. Seria a versão neurocientífica da situação concebida por Philip K. Dick e levada à telona por Steven Spielberg no filme Minority Report, onde três paranormais prevêem crimes iminentes com poucos minutos de antecedência, graças a alguma mutação genética vagamente explicada. No filme, são os paranormais que têm seus cérebros escaneados em permanência, deixando a polícia espiar diretamente suas visões de crimes que ainda não aconteceram, mas cuja intenção existirá e é lida, por sua vez, no cérebro dos futuros perpetradores.

O "sistema" poderia ser questionado quanto à invasão da privacidade cerebral humana, mas o filme voa muito além de qualquer preocupação ética desse tipo. A questão que realmente importa é outra: será a previsão, paranormal ou neurocientífica, 100% infalível? A Divisão Pré-Crime de Dick-Spielberg prende os ex-futuros criminosos com base na sua intenção de matar -- antes que o crime seja consumado, naturalmente. Mesmo que o risco de erro pudesse ser eliminado, como "as estatísticas do Pré-Crime comprovam", não haveria uma possibilidade de mudanças de curso imprevistas?

A ficção de Dick-Spielberg se dá em 2054, mas em alguns aspectos esse futuro já chegou. A leitura de intenções é uma realidade. Ao menos no cérebro de ratos e macacos, como demonstrou o brasileiro Miguel Nicolelis e sua equipe na Universidade Duke, nos EUA. Nesses bichos, os comandos para movimentar as mãos já podem ser detectados por eletrodos implantados na região motora do cérebro, e transmitidos a um equipamento que identifica a ordem a ser dada aos músculos e intervém, acionando por sua vez uma máquina que executa o movimento correspondente antes mesmo que o animal consiga contrair seus músculos.

Até que algo surpreendente ocasionalmente acontece. Provavelmente ao notarem que a máquina dará conta do recado, os ratos aprendem a abortar a execução do comando. O cérebro dá a ordem, sim, que é detectada pelos eletrodos e executada pela máquina. Mas não necessariamente pelo animal -- que descobre que pode ficar preguiçosamente aguardando a chegada do braço mecânico que traz água à sua boca, sem mover um dedo. A ordem é dada. Só que o rato não faz nada.

Libet explica. Está certo que a ordem para o movimento é dada pelas regiões motoras do cérebro muito antes de se transformar, de alguma forma, em vontade de movimento, na sensação de "desejar" um movimento. Como o brilho da estrela morta distante, a sensação de livre-arbítrio chega somente depois que a ordem já foi dada. Mas, ao contrário da estrela já morta, não chega tarde demais. Mesmo a ordem já "desejada conscientemente" ainda pode ser abortada. Os voluntários de Libet conseguiam resistir à vontade de mover um dedo. Qualquer um de nós, aliás, consegue. E os ratos também.

Como a polícia Pré-Crime de Dick-Spielberg acaba descobrindo, é este o problema do seu sistema de detecção das intenções. E é também a solução para as preocupações do meu amigo. Eles não contavam com essa capacidade amplamente subapreciada do cérebro humano: o poder de mudar de idéia.

McCrone J. Going Inside. A tour round a single moment of consciousness. Londres, Faber and Faber, 1999.