quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Depois da Torre, a Resiliência





A palavra tem sonoridade estranha e significado pouco conhecido, mas pode fazer a diferença na sua vida. O conceito vem da física: é a propriedade que alguns materiais apresentam de voltar ao normal depois de submetidos à máxima tensão. As fibras de um tapete de náilon são o exemplo simplificado dessa ação - elas recuperam a forma assim que acabam de ser pisadas e amassadas. A psicologia tomou emprestada essa imagem para explicar a capacidade de lidar com problemas, superá-los e até de se deixar transformar por adversidades. Detalhando melhor, o resiliente não se abate facilmente, não culpa os outros pelos seus fracassos e tem um humor invejável. Para completar o leque de requintes, ele age com ética e dispõe de uma energia espantosa para trabalhar. Perfil de herói? Parece. Mas essa qualidade é encontrada em gente de carne e osso. Segundo Haim Grunspun, professor de psicopatologia da PUC-SP, um terço da população do mundo tem traços de resiliência.
Os especialistas em comportamento começaram a estudar o tema, lembra Grunspun, quando se colocaram diante da interrogação: por que - em comunidades atingidas por enchentes, terremotos, perseguições raciais, violência e guerras - algumas pessoas se saem bem e outras não? Chamava a atenção um detalhe: aquelas que venciam um obstáculo se mostravam "vacinadas" para enfrentar o próximo. Que fenômeno seria esse? Até os anos 90, os estudiosos defendiam que a habilidade para administrar conflitos era inata, como um dom. A partir daí, comprovaram que o homem pode, sim, desenvolver a capacidade de se recuperar e de crescer em meio a sucessivos problemas. Grunspun acredita que é na infância que se aprende melhor esses conteúdos. Ele está lançando o livro A Criança Resiliente: Quando e Como Promover Resiliência para ajudar a criar essa mentalidade desde cedo. Nas escolas de Nova York, foram distribuídos em setembro passado 2 milhões de cartilhas para que alunos entre 8 e 11 anos possam crescer resistentes. A medida foi tomada depois que psicólogos atestaram a eficácia da intervenção social, com base na resiliência, adotada com os filhos das vítimas do atentado às torres gêmeas.
O fatalismo e a vitimação passam longe dos resilientes. Nunca pensam: "Tudo é difícil", "Não consigo mudar de rumo" ou "Ninguém faz nada por mim". Pelo contrário, arregaçam as mangas para reverter a situação indesejável. E têm metas bem definidas -nada de grandes devaneios, como enriquecer, ficar famoso... Plano, para eles, é algo concreto, acessível e realizável a curto prazo.
COMO DESENVOLVER E/OU AUMENTAR A RESILIÊNCIA
O Dr. Alberto D’Auria fornece as seguintes orientações:
mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade;
aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação;
praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição;
procurar manter o lar em harmonia, pois isto representa “o ponto de apoio para recuperar-se”;
aproveitar parte do tempo para ampliar conhecimentos, pois isto aumenta a autoconfiança;
assumir riscos (ter coragem), pois não adianta brigar com os problemas mas enfrenta-los para não ser destruído por eles;
tornar-se um(a) “sobrevivente” repleto(a) de recursos no mercado de trabalho;
usar a criatividade e a imaginação para quebrar a rotina e mudar seus hábitos para resolver situações imprevistas, adversas e delicadas;
transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom e melhor;
apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas);
separar bem quem você é e o que você faz;
permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer para, em seguida, retornar ao seu estado original.
VANTAGENS
O desenvolvimento da resiliência pode proporcionar ao ser humano as seguintes vantagens:
permitir nossa reciclagem pessoal através da renovação de nossas energias e da reintegração ou ajustamento à uma nova realidade;
fornecer a oportunidade de curar velhas feridas;
descobrir novas formas de lidar com a vida e de nos organizarmos de modo mais eficaz;
melhor preparação para lidarmos com pressões;
fornecer meios de reduzir pressões desnecessárias, reconhecendo como são criadas e mantidas;
desenvolver a capacidade que cada um tem de se adequar e flexibilizar às situações sem perder seus objetivos.
CARACTERÍSTICAS DA PESSOA RESILIENTE
Para Frederic Flach, as características da pessoa resiliente são:
capacidade de aprender;
auto-respeito;
criatividade na solução de problemas;
habilidade em recuperar a auto-estima quando diminuída ou temporariamente perdida;
independência de espírito: autonomia;
liberdade e interdependência;
habilidade de fazer e manter amigos;
disposição para sonhar;
bom senso de humor;
grande variedade de interesse.
Já, para Eduardo Camello, autor do livro “Supere – A arte de lidar com as adversidades” (Ed. Gente), são reslientes as pessoas que possuem uma combinação das seguintes qualidades:
são bastante confiantes: acreditam em si mesmos e naquilo que são capazes de fazer;
gostam e aceitam mudanças: encaram as situações de estresse e adversidades como desafios a serem sempre superados;
têm baixa ansiedade e alta extroversão: são abertos a novas experiências e formas de fazer as coisas. Nunca desanimam:
têm autoconhecimento e auto-estima positivos: conseguem administrar seus sentimentos e suas emoções em ambientes imprevisíveis e emergenciais;
são emocionalmente inteligentes: conhecem suas emoções, sabem administrá-las, conseguem automotivar-se, reconhecem emoções em outras pessoas e sabem manejar relacionamentos;
são altamente criativos: procuram constantemente por inovações. Não se conformam com a monotonia;
dispõem de uma eficaz capacidade de resposta: mantêm altos níveis de clareza, concentração, calma e orientação frente a uma situação adversa.
Comece a prestar mais atenção a você mesmo quando situações adversas, como um acontecimento do passado lhe trouxer lembranças amargas ou ser acometido por uma doença ou uma perda, ou ... e você ficar “para baixo” ou deprimido. Este é o momento que a vida está lhe dando para saber, realmente, se você é resiliente ou não.
Ou, como afirma Kelly Young: “o problema não é o problema. O problema é sua atitude com relação ao problema”.
Notou a diferença?

Fontes :Luiz Roberto Fava
http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=6&canallocal=27&canalsub2=86&id=875

Revista Cláudia :claudia.abril.com.br/materias/1728/?sh=29&cnl=26 - 16k -

2 comentários:

Leonardo Chioda disse...

Show, Vera!
Dá-lhe Torre. rsrs
Beijão!

Vera Chrystina disse...

Oi Léo,

Obrigada!Percebi que sou resiliente, pelo menos isso!rsrssr
Beijão!