quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Arquétipos


Quando falamos em Arquétipos, pensamos logo em símbolos, algo mais próximo do que podemos conceituar. Só que esse termo já está bem definido e conceituado, e não é nada disso do que costumamos pensar.


O termo "Arquétipo" foi usado por filósofos neoplatônicos, como Plotino, para designar as idéias como modelos de todas as coisas existentes, segundo a concepção de Platão. Nas filosofias teístas, o termo indica as idéias presentes na mente de Deus. Pela confluência entre neoplatonismo e cristianismo, o Arquétipo foi incorporado à filosofia cristã, por Agostinho, até vir a ser usado academicamente por Carl Gustav Jung, na psicologia analítica, para designar a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar. Ou seja, os modelos inatos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique.


É nesta aplicação psicológica que costumamos encontrar as distorções. Portanto, vejamos este texto de Lázaro Freire, que trata de desfazer alguns enganos:
Não existem "Arquétipos do Tarot", nem o "Arquétipo de Ísis", nem o "Arquétipo do Leão", nem outros absurdos esquisotéricos que ouvimos por aí. Arquétipos estão numa camada muito mais profunda e amorfa. Senão, não são mais Arquétipos, e sim mitos criados para que possamos lidar com eles dentro de uma referência cultural ou simbólica.


Se falam do conceito original, formulado por Jung (mas estuprado e distorcido por todos que quiseram dar um certo ar "científico" aos seus credos), o Arquétipo é quem cria os deuses. É como o buraco da forma de gelo. Não há, portanto, Arquétipo de Maria, nem de Pacha Mamma, nem de Ísis, nem de Lakshimi, nem da Deusa, nem da Imperatriz do tarot. Mas há um Arquétipo UNIVERSAL da Grande Mãe, algo sem forma, sem mito, que está presente no inconsciente coletivo da humanidade, e que fará qualquer povo de qualquer lugar, mesmo se isolado numa ilha ou planeta, daqui há algum tempo arrumar alguma deusa ou figura similar para preencher o buraco psíquico deixado por este arquétipo.


Um dos mais conhecidos é o do Herói, e explica - dentre mil outras coisas - o gosto de muitos por filmes de ação, o acompanhamento de olimpíadas e torneios, e até mesmo porque muito sujeito aparentemente normal e pacífico é possuído por um misto de curiosidade, hipnose e sangue na boca quando vê, num telão desses, algum vale-tudo, jiu jitsu ou luta de boxe.


Se Deus criou tudo, quem criou Deus?
Resposta junguiana óbvia: O Arquétipo.
A "encarnação" de um Arquétipo, seja em um deus, seja em uma carta de tarot, seja na parte do Todo que atribuimos a um signo zodiacal, a um personagem de uma saga de ficção, a um dos tipos do eneagrama, a um santo do catolicismo, não são mais ARQUÉTIPOS. São "mitos". No melhor do sentido da palavra, que não tem nem um pouco de ficcional (embora esteja presente na ficção).


Note também que Arquétipos são COLETIVOS. Necessariamente! A somatória de situações pessoais na lida, por exemplo, com o Arquétipo ou simbolismo do "Pai", do "Poder", são chamadas de Complexos.


Ou seja, PAI tem função simbólica que nos remete a regras, a herança, expectativa, falo, masculino, algum poder. Já o GRANDE PAI é um Arquétipo, algo que faz projetarmos um "pai" coletivo na figura de um grande Deus masculino que tudo vê, como é comum na religião ocidental (note que nao tem nada a ver com o Todo do Tao e de Bhraman). Cada pessoa pode ter uma relação diferente com essas idéias. Como, por exemplo, com o "PODER": Criado resistindo a uma ditadura militar em regime corrupto capitalista, numa noção de ética dos 70 e 80 que faria Delúbio, Valério e cia parecerem fichinha, minha geração certamente não reage ao conceito de "PODER" do mesmo modo que norte-americanos, que consideram a palavra positiva. Aqui, poderoso é pejorativo. Lá, vende mais o livro que usa "The Power Of..."


Isso são COMPLEXOS, ou seja, amontoados de experiências que permeiam nossos conceitos. Note que o termo não é negativo ou necessariamente patológico como no uso popular (complexado). Quando lidamos com o feminino, por exemplo, apenas em parte estamos lidando com a mulher ÚNICA de carne-osso-alma-sentimentos que temos à nossa frente. De certo modo, fazemos ela vestir o nosso complexo de feminino, de mãe, de Anima (este sim um arquétipo), de outros relacionamentos... E repetimos padrões sem perceber.


Mas não é certo dizer que estou projetando o meu Arquétipo de mãe, e muito menos o da Grande Mãe. Entretanto, a somatória coletiva de todos os Complexos, e dos conceitos inconscientes que o originaram, foram, aí sim, um grande Arquétipo inconsciente e coletivo universal. Ou, em efeito Tostines, por ele foi formado.


Voltando aos Arquétipos: Se deixarem de acreditar em um Deus, ele desaparece? Provavelmente sim. Mas o Arquétipo que o originou fará que sua função seja ocupada, em outra mitologia, por algum outro conceito substituto.


Aliás, vários termos hoje populares vêm da linguagem junguiana: Introvertido, Extrovertido, Complexos, Arquétipos, Inconsciente coletivo, Anima. Nem preciso dizer que quase todos são usados de forma equivocada, e não raro distorcidos para fins esquisotéricos e/ou comerciais. Pobre Jung, logo ele, tão acadêmico e preocupado com fundamentação...

Regras para ser um péssimo tarólogo



1-Afirmar que o tarô veio do Egito, ou melhor da Atlântida.

2-Afirmar que tarô é intuição e vidência e não é preciso estudo.

3-Escolher um apelido bem exótico.

4-Método? Para que método?

5- Perguntas objetivas não são importantes porque o guia sabe tudo.

6- Depois de escolher um apelido exótico, escolher uma roupa exótica também.

7- Afirmar que em sua vida passada você foi queimada pela Inquisição.

8-Trabalhar só com os Arcanos Maiores.

9- Ignorar os Arcanos Menores e dizer: são menores,não tem importância!

10-Ignorar qualquer estudo porque o inconsciente coletivo sabe tudo.

11-Dizer que foi para o Peru e encontrou o cordão de prata da Shirley Maclaine

12-Se a intuição falhar dizer para o cliente que o seu tarô está fechado.

13- Fazer consultas com cara de mistério, olhando fixamente no ponto entre as sombrancelhas do cliente.

14- Enaltecer sua vida passada e seus guias.Guia tem que ter prestígio, não pode ser um zé ninguém.

15- Descrever com detalhamento preciso a localização do Templo Egípcio onde foram encontradas todas as lâminas pintadas.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Perguntas Adequadas ao Tarô




A pergunta é uma das condições essenciais para consultar o Tarô.A experiência ensina que a resposta do Tarô correspone exatamente à pergunta formulada.Uma pergunta clara leva a uma resposta clara.Uma pergunta séria leva a uma resposta séria.Quando a pergunta não foi formulada não existe resposta.Quando a pergunta é absurda, o mesmo acontece com a resposta.E quando a pergunta é leviana e se deve a um mero "capricho", é claro que a resposta também parecerá "leviana". Além disso, é preciso levar em conta não só o que você deseja saber, mas até que ponto você está sendo "sincero". Se o futuro não se mostra a nós como um livro aberto, é por um bom motivo, e você também pode ter bons motivos para não querer saber alguma coisa.


Não se deve brincar com o Tarô nem desafiá-lo, pois, como diziam os gregos da Antiguidade: " faça ao oráculo só as perguntas cujas respostas você está disposto a ouvir"
A pergunta pode ser formulada em voz alta ou baixa, pode ser repetida várias vezes ou anotada num papel.Faça como quiser.Nenhum método é melhor que o outro.O mais importante é ter certeza absoluta da pergunta que você fez, e depois não pensar mais nela, escolhendo, revirando e interpretando as cartas com toda a tranquilidade e descontração.Formule a pergunta da mesma forma como lhe ocorreu no pensamento.Não tente torná-la mais lógica ou mais bonita.Basta ter clareza naquilo que você quer perguntar e deseja saber.Para evitar confusão, não misture vários assuntos ou acontecimentos na mesma pergunta. Ao invés disso, deite as cartas separadamente para cada assunto e claro com o método adequado.

Hajo Banzhaf

Metodologia e Tarô



Pense em si mesmo como um astronauta, lançado do cabo Kennedy em uma espaçonave, na época de seu nascimento.No Controle da Missão, em Houston, cada fator contolando o seu vôo foi calculado antes da decolagem: é possível que todos os ajustamentos sejam feitos antes de seu vôo, para que, se nada der errado - e se antes de mais nada, você não fizer coisa alguma - a espaçonave o leve automáticamente a seu destino. Às vezes , contudo, acontecem erros: uma pequena interrupção no fornecimento de combustível, uma célula solar que se carrega como não deveria, uma ligação elétrica que se solta.E você, entediado naquele ambiente entulhado, pode começar a interferir na operação da nave.Talvez seja um leve movimento de corpo desequilibrando o aparelho ou você pode decidir-se a mexer nos botões.Em Houston, mudanças mínimas no vôo da nave serão detectadas muito antes de você notá-las, sendo-lhes possível corrígi-las através da orientação vinda pelo rádio.



O Tarólogo, o Astrólogo podem ser comparados ao Centro de Controle da Missão. Através de estudos e métodos, eles tomam consciência de seu plano de "vôo original" (mapa astral) e no caso do Tarô (momento presente que pode estar conturbado) o quanto você desviou dele. Podem aconselhá-lo sobre as modificações a serem feitas, para que se evite o desastre.As direções do mapa astral , as disposições das cartas dentro dos métodos de tiragens no Tarô, fornecem um foco de concentração que os deixará em "sintonia" com você.



Mesmo não aceitando a idéia da existência de tal plano de vôo - se acredita que seu vôo através do tempo e do espaço começaram acidentalmente - você está cônscio desse vôo e do que faz para controlá-lo; como experiente engenheiro de vôo, o conselheiro psíquico e sério, poderá alertá-lo sobre o provável resultado de seus atos.É este o significado e o valor da "interpretação"e da metodologia no tarô e nas direções astrológicas.