quinta-feira, 29 de março de 2007

O que é Analogia


Analogia : sobre, acima, elevação, ação de elevar, de arrebatar para o alto.O termo "analogia" portanto, dá a entender que se trata de uma relação em sentido ascendente. Dois objetos estão unidos por uma relação de analogia estão conectados por cima: é em seus aspectos superiores , e por eles, que os entes podem estar em analogia.O que estabelece uma analogia entre dois entes, portanto, não são as similitudes que apresentam no mesmo plano, mas o fato de que emanam de um mesmo princípio, que cada qual representa simbolicamente a seu próprio modo e nível de ser, e que contendo um em outro, é forçosamente superior a ambos.Um exemplo de analogia: O ouro ao mel,o mel ao leão,o leão ao rei, o rei ao sol, o sol ao anjo, o anjo ao Logos.
Olavo de Carvalho
O erro é achar que analogia é igual, similar.Em vários livros encontramos a informação deformada da velha frase: O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.( Hermes Trimegistos).A tradução é : O que está abaixo é análogo ao que está em cima e não igual.
Um outro exemplo: a bôca é análoga ao estômago, mas não é igual.Um outro exemplo de analogia para ilustrar melhor o seu significado:a b- = -b y
Uma analogia é uma relação de equivalência entre duas outras relações.As analogias têm uma forma de expressão própria que segue o modelo: A está para B, assim como C está para D. Por exemplo, diz-se que: "Os patins estão para o patinador, assim como os esquis estão para o esquiador". Ou seja, a relação que os patins estabelecem com o patinador é idêntica à relação que os esquis estabelecem com o esquiador.A maior parte das pessoas achará a analogia dos esquis/patins verdadeira. No entanto, é extremamente dificil estabelecer de forma rigorosa porque é que é verdadeira. Normalmente, as analogias são fluidas e uma análise mais detalhada poderá revelar algumas imperfeições na comparação. Afinal, esquiar e patinar são actividades parecidas, mas não são exactamente iguais.
Wikipidia

A Golden Dawn


Hermetic Order of the Golden Dawn (Hermética Ordem da Aurora Dourada) foi criada em 1887. É uma sociedade mágica, cujo objectivo é alcançar a perfeição do espírito e os seus dogmas são uma amálgama muito pessoal de folclore masónico e rituais rosicrucianos e cabalísticos. As origens da Golden Dawn, segundo reza a versão oficial, que quase corteja a lenda, iniciam-se no momento em que Wynn Westcott, um médico legista, e ocultista, pertencente à Maçonaria, descobre um manuscrito antigo num alfarrabista. Intrigado pelo achado, Westcott leva-o consigo e não sendo capaz de o decifrar sozinho decide pedir colaboração a Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mathers já tinha reputação de ser um indíviduo excêntrico, que se vestia de lorde escocês, caminhando as ruas de Londres armado até aos dentes, provocando homens na rua, entrando em restaurantes e ameaçando os empregados para sair sem pagar, mas apesar de ser um "poseur" era um brilhante académico e um excelente tradutor, conhecedor profundo da história e miltologia egípcia. Mathers traduz o manuscrito com bastante facilidade e descobre que o fragmento se divide em quatro rituais, obscuros e, de alguma forma, enraízados em folclore rosicruciano. Apresenta a nova informação a Westcott que corrobora as suas suspeitas e, ainda, lhe mostra que, estranhamente, o manuscrito estava endereçado a uma tal Sra. Spriengel. Podia esta mulher ser real? Só havia uma forma de saber: os dois homens escrevem a Sriengler, enviando-lhe uma cópia do manuscrito e explicando a situação. Para surpresa de ambos, a sra. Spriengler responde. Afinal, a mulher era líder de uma sociedade mágica secreta, independente mas inspirada em material rosicruciano, chamada Die Goldene Dammerung. Isto impressiona imenso Westcott e Mathers.
Westcott, apesar de pertencer à maçonaria, era, sobretudo, um pesquisador — um explorador — e viu aqui a oportunidade de iniciar algo novo onde pudesse aplicar as suas descobertas. Mathers, por seu lado, ficou seduzido com a ideia de vir a ser líder de uma sociedade mágica e com a benção posterior de Spiengler os dois homens, com o apoio de um grande amigo de Westcott, o Dr. William Woodman, outro maçón, fundaram o gémeo britânico da Die Goldene Dammerung: a Hermetic Order of the Golden Dawn. A maçonaria não odiava a Golden Dawn mas não a aprovava, já que não seguia as tradições cristãs da maçonaria e rejeitava grande parte dos seus dogmas como folclore desnecessário, apresentando uma nova abertura a outras influências mágicas, como a Cabala. Outra razão, culpada do desentendimento entre as duas sociedades, consistia no facto de que a Golden Dawn admitia mulheres no seu seio e oferecia-lhes lugares de poder. Mulheres como Moina Mathers, esposa de Mathers, e a primeira mulher a filiar-se na sociedade. Florence Farr, actriz de grande beleza, amante de Bernard Shaw, possuidora de forte carácter e que chegou a liderar o templo de Londres durante o período da revolta interna no seio do grupo. Annie Horniman, figura importante no mundo das artes, produtora de teatro no Abbey Theatre de Dublin, encenadora e organizadora de exposições. A Golden Dawn atraiu vários indíviduos do mundo das artes e das letras e entre os seus membros mais ilustres figuravam os escritores Wiiliam Buttler Yeats (que chegou a liderar a sociedade após a expulsão de Mathers), Arthur Machen e Algernon Blackwood; assim como o ocultista Arthur Edward Waite, criador do baralho de Tarot mais famoso do mundo e grande amigo de Arthur Machen.
Woodman morreu pouco tempo após a criação da Golden Dawn, em 1891, o que afectou fortemente Westcott. Quando o médico morreu, Mathers ficou a ser o único líder da sociedade. Em breve, a decadência instalou-se com Mathers a deixar o poder subir-lhe à cabeça e a recrutar novos membros sem quaisquer critérios de qualidade. Os membros mais antigos, confundidos por esta mudança, abandonaram o grupo. Um dos membros que permaneceu foi Aleister Crowley que se encontrava desiludido com a conduta de Mathers e, mais importante ainda, magoado com ele. Crowley sentia-se traído por ter acreditado em Mathers, que encarava, agora, como um "poseur" e um mentiroso. Após uma luta pelo controle da sociedade, numa disputa que tinha como objectivo descobrir quem seria o melhor mago, Crowley e Mathers acabam por ser expulsos por uma aliança dos restantes membros. O feudo de Crowley e de Mathers incluíu vários ataques mágicos: Mathers enviou um vampiro astral atacar Crowley e este ripostou enviando uma legião de demónios da Goetia. Nenhum dos homens ficou incapacitado neste duelo de feiticeiros… Mathers não recebeu nenhuma compensação pelo trabalho que dedicou à sociedade nos anos em que foi filiado, todavia, para atingir o seu adversário, Crowley publica na sua revista, The Equinox, vários textos e rituais da Golden Dawn. Os textos estavam despidos do hermetismo que apertava a sociedade e liam-se com fluidez, apresentando-se compreensíveis para qualquer leitor que não estivesse familiarizado com a magia. No material revelado por Crowley apresentava-se todo o estudo dedicado ao Tarot e à Cabala que Mathers havia escrito no seu Book T. A intenção de Crowley era ferir Mathers, mas a publicação dos textos no The Equinox teve outro efeito.
Encorajou todos os indíviduos que não possuíam calibre para entrar na Golden Dawn, a criar os seus próprios cultos mágicos e seitas. Para eles, o ocultismo estava à venda e o protagonismo à distância de meia dúzia de trocados. Foi o golpe de misericórdia. A Golden Dawn, já dividida interiormente, e privada do seus membros mais valorosos, acabou por falir. No seu período áureo a sociedade continha um dos arquivos mais completos sobre ocultismo ocidental e instruía os seus membros em diversos sistemas mágicos e mitologias: desde a Cabala, mitologia egípcia clássica e os oráculos de Chaldean; os manuscritos de Salomão, Abra-Melin e John Dee; os livros mais proféticos de William Blake; alquimia, geomancia, Tarot e astrologia. A Golden Dawn e o trabalho individual dos seus membros mais criativos são os pais de todo o moderno ocultismo ocidental do século XX e todos os novos grupos e sociedades mágicas, conscientes ou sem o saberem, vão roubar rituais e mito à Golden Dawn; tal como esta se apropriou da Cabala e de folclore rosicruciano.
Hoje, a sociedade mágica continua viva em Oxford, onde se encontra uma sede com o mesmo nome criado por Westcott, Woodman e Mathers; recipiente do seu material original. Existem, também, templos nos EUA; na Flórida, por exemplo, resultado do trabalho iniciado por Francis Israel Regardie, aluno e amigo pessoal de Aleister Crowley.
http://osonhodenewton.crimsonblog.com

Eu e meu caderninho



Quando comecei meus estudos de tarô não existiam muitos livros à respeito.Não existia a Internet.Tudo era difícil!Na época o meu interesse pelo Egito era grande.No primário , nas aulas de História Geral com Dona Antonieta, esse povo fascinante enchia os meus sonhos.Não é à toa que o primeito tarô que estudei foi o Tarô Egípcio da Kier.Por ser um tarô transcultural e não ter livro sobre ele, apenas o Cabala da Predição em espanhol, encontrei e aprendi muito com a minha mestra Nelise Vieira.Ela não gosta que eu a chame assim, mas não tem jeito, ela o foi. Mestra , iniciadora e incentivadora para que eu assumisse o meu lado taróloga.Nos meus estudos, Nelise me incentivava a ter um caderno de tarô e fazer as anotações sobre todos os arcanos.Comprei um caderno , tirei xérox em branco e preto de todas as cartas, pintei uma à uma com aquarela e fui formando o meu arquivo de dados manual e criativo.Sugiro que vocês façam o mesmo!É muito bom para o aprendizado de tarô.1- Crie um caderno de tarô com uma ou duas páginas dedicadas a cada arcano.2- Tire xérox das cartas e pinte cada uma delas.Vocês não tem idéia de como vem insights com essa interação.3- Escreva as definições de cada arcano. Numeração, nome, atributos...4- Escolha uma palavra-chave ou uma frase para cada arcano.Por exemplo: Sacerdotisa: intuição, passividade.Enamorados, poder de escolha.5-Estude, estude e estude e observe cada figura em seus detalhes.6- Compre um bom livro sobre Símbolos e faça uma boa pesquisa histórica.7-Quando tiver assimilado o conceito de cada arcano, comece a estudar os métodos.8- Leia várias vezes suas anotações para que seu cérebro possa gravar as informações.O cérebro é o nosso maior banco de dados e ele precisa ser exercitado.Tente escolher boas obras, bons livros para fazer gravações corretas. Quando você aprende algo errado , depois é difícil de resignificar.O conceito figa gravado e demora um tempo para você fazer uma nova gravação por cima.
9-Faça jogos para assuntos onde você possa ter o retorno da Mídia. Anote-os para checar o resultado.Por exemplo: O Lula vai se reeleger? O Lula sabia?10- Quando estiver mais confiante crie um grupo de estudos quinzenal e troquem leituras entre os membros.Essas dez regras são muito boas para se tornar um bom tarólogo!

A Ética do Cliente


Fala-se muito da ética do tarólogo que na verdade é um dever de qualquer profissional, mas pouco da ética dos clientes.Quantas vezes, algumas clientes marcam uma consulta logo cedo, no primeiro horário e não comparecem e nem sequer telefonam avisando do cancelamento? Várias!!!!Outras marcam o horário e nada. Retorno com um telefonema e a resposta : Juro que eu esqueci!!!!Outras querem ser atendidas no mesmo dia. Tem que ser para já!!!!Esquecem que o tarólogo tem seus afazeres, tem que estar bem para atender ou melhor : existe vida além do tarô!Quantas vezes acordei cedinho, depois de ter dormido poucas horas por causa de cursos, tomei o café correndo,me vesti rápidinho, fui para o meu espaço e nada do cliente chegar. Ou outras em que deixei de almoçar , porque o cliente que trabalha só tem horário disponível no almoço, e nem sequer aparece ou tem a educação de desmarcar a consulta.Respeito é uma via de mão - dupla!

Sobre a Arte de Viver

Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo, pois ele é algo artificial. Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma e faz isto. Se você quer o título para dar aulas, o ideal é fazer o curso da maneira mais rápida e fácil. Tendo recebido o diploma, ai você expande a sua educação.Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a a Universidade de Paris. Estava dedicando-me ao Francês ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian – toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha, comecei a estudar Sanscrito e me envolvi com o hinduismo. Depois Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo – deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: “Devo voltar para aquela garrafa?” Meu interesse pelo romance celta se fora.Fui à universidade e disse: “Olha, não quero voltar para aquela garrafa”. Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isto eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.
É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja.Outras pessoas tem um monte de planos para você.Ninguém quer que você faça o que você quer fazer.Eles querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que quiser.Eu fiz isto. Fui para o mato e li durante cinco anos.Foi entre 1929 e 1934, cinco anos. Fui para uma pequena cabana em Woodstock, Nova York, e mergulhei. Tudo que fazia era ler, ler, ler, e tomar notas. Foi na épca da Grande Depressão. Eu não tinha dinheiro, mas havia uma importante distribuidora de livros em Nova York chamada Stechert – Hafner, e eu escrevia e pedia livros para eles – os livros de Frobenius eram caros – e eles me mandavam alguns exemplares, e eu não pagava. Era assim que as pessoas agiam durante a Depressão. Eles esperaram até eu conseguir um emprego, e então eu os paguei. Foi um gesto muito nobre. Fiquei realmente grato por eles. Li Joyce, e Mann e Spengler. Spengler fala de Nietzsche. Vou a Nietzsche. Então, descubro que não se pode ler Nietzsche sem ter lido Schopenhauer, e por isso vou a Schopenhauer. Descubro que não se pode ler Schopenhauer sem ter lido Kant. Então, vou a Kant.– bem, concordo, vc pode começar daqui, mas é bem difícil.
Depois Goethe.Era excitante ver que Joyce estava na verdade, lidando com o mesmo material. Ele nunca menciona o nome de Schopenhauer, mas posso provar que esse foi uma figura importante na forma como Joyce construiu seu sistema.Depois leio Jung e vejo que a estrutura de seu pensamento é basicamente a mesma de Spengler, e fico reunindo todo este material…Não sei como passei esses cinco anos, mas estava convencido de que ainda sobreviveria mais alguns. Lembro-me de uma ocasião em que tinha uma nota de um dólar na gaveta de uma cômoda, e eu sabia que enquanto ela estivesse ali, eu ainda contaria com meus recursos. Foi bárbaro. Eu não tinha responsabilidades, nenhuma. Era excitante – escrever meus comentarios no diario, tentar descobrir o que eu queria. Ainda tenho tudo isto. Quando leio esse material hoje, não consigo acreditar. Na verdade, houve momentos em que quase pensei – quase pensei – “Caramba, gostaria que alguém me dissesse o que eu tenho de fazer”, algo assim Ser livre, implica tomar decisões, e cada decisão é uma decisão que altera o destino. É muito difícil encontrar alguma coisa no mundo exterior que se ajuste ao que o sistema dentro de você tanto anseia. Hoje, sinto que tive uma vida perfeita: aquilo de que precisava apareceu justamente quando eu precisava. Na época, eu precisava viver sem emprego durante cinco anos. Isso foi fundamental.Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito.
E tem uma teoria:se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

JOSEPH CAMPBELL

A Lua e o Medo


O medo e a dúvida constituem os portões básicos para a negatividade.Tais atitudes servem de alimento ao consenso de que estamos separados da Divindade.Vamos examinar a dinâmica existente por trás do medo.O medo é prerrogativa da vida na matéria física.Está sempre relacionado ao corpo e a alguma forma de sobrevivência.Examine-o e verá que se relaciona à ansiedade referente a ser magoado fisicamente, a não ser de algum modo persistente, a não ter dinheiro para sobreviver, a morrer...Quando você sabe que não é seu corpo físico, a dinâmica do medo começa a perder a influência sobre você.Mas ainda há a memória do medo dentro das células de seu corpo.Ele é intrínsico ao corpo da matéria e reminiscente da consciência animal.É a maneira pela qual o corpo nos adverte.Quando você atravessa uma rua e há um carro se aproximando, o corpo, instintivamente, o sentirá e o mobilizará. Quando há um vulto ameaçador no ar, ou seja, a presença de um criminoso ou uma sensação de morte ou destruição iminente, você a sentirá no seu corpo emocional.Você registra vibrações opressivas ou violentas através da premonição. Seu corpo mental serve também para alertá-lo, através de deduções intuitivas. Essas formas de medo são parte dos mecanismos dos corpos inferiores em sua expressão na vida da terra.A manipulação ocorre quando alguém ativa estes mecanismos, com propósito de obter o controle sobre pessoas e situações.
Pergunte-se quem se beneficia com o medo induzido. Os sacerdotes, os políticos, as instituições, as autoridades...O medo escraviza.Quando uma mulher tem medo de seu marido deixá-la, ela renuncia a seu poder, sua autoridade como ser -Deus, sua autonomia e sua independência. Ela adquiriu a crença de que não pode sobreviver (mesmo emocionalmente) por si própria." São nestes momentos que nós tarólogos somos procurados". Ele me ama? Ele tem outra? Ele vai me deixar?Quando uma pessoa tem medo de não conseguir o aluguel do mês seguinte, passa a crer que não tem sorte e nem capacidade.De algum modo acredita que não tem valor.A falta de recursos físicos está intimamente ligada ao medo e à culpa.Desse modo, as pessoas tem medo de aviões, de ruídos altos, de relacionamentos,de progredir profissionalmente...faça você mesmo à sua lista!Tememos que algo possa nos prejudicar, a menos que acreditemos em tal ritual, pessoa, causa ou produto-exterior a nós mesmos.A arte não só está em aprender essa dinâmica, mas em aprender a decifrar os sinais e separar os temores reais (que são avisos verdadeiros)daqueles induzidos (propaganda).A repetição de afirmações positivas, seja lá quais forem,reprograma nosso circuito mental e emocional e nos distancia de nossa sensação de impotência.É surpreendente como muitas pessoas se vêem como um corpo, um nome , uma profissão, um sexo ou uma personalidade, pouco percebendo que a identidade é uma criação, que pode ser descartada e resignificada, percebendo que é dispensável, ilusória e irreal. A percepção disso marca o passo principal na nossa libertação do medo.O medo é assassino. Ele abre a porta para a negatividade, a manipulação, ao controle externo.O contato experimental com o Eu Divino ( Eu Superior) é o antídoto!
Zulma Reyo
Extraído do livro:Alquimia Interior - Ed. Ground- Zulma Reyo

A Temperança

Em hebraico, os atributos bons são chamados " boas medidas"- o que sugere que a excelência de uma qualidade é determinada pela sua proporção, não pelo que é em si mesma, mas pelo seu uso corretamente relacionado com determinadas circunstâncias.Tudo o que não está na medida certa, que se relaciona desproporcionalmente com uma situação, tende a ser ruim.Assim ,o bom é o que está contido dentro dos limites corretos, e o ruim,o que ultrapassamos e vai além desses limites;e não importa se esta ultrapassagem das fronteiras é positiva ou negativa, restritiva(Arcano 13 - A Morte) ou excessiva ( Arcano 15 - O Diabo),os parentêses são meus,trata-se da recusa de afeto ou generosidade no amor.E , de fato, essa necessidade de equilíbrio é verdadeira em todos os organismos vivos;cada célula do organismo tem uma certa forma e uma certa velocidade fixa de crescimento e sempre que sua forma é distorcida ou seu crescimento excede o que deveria ser, o resultado é uma patologia.O mal no mundo é apenas uma quebra de limites, o que possibilita a existência de fatores parasíticos e danosos.É fácil confundir este princípio de manter-se dentro dos limites corretos com a mediocridade, como não ser uma coisa e nem outra.Na realidade, há uma enorme diferença.O que se recomenda não é apenas um meio - termo, é uma rejeição dos extremos em termos de um conhecimento claro de manter tudo, inclusive o extremo, em seu lugar correto.

A Rosa de Treze Pétalas - Adin Even Yisrael

A Estrela e a Astrologia : integração cósmica


“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto. E conversamos toda a noite, enquanto A Via Láctea como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.” Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” Soneto XIII da Via Láctea (Olavo Bilac, Poesias, 1985: 52)

O Tarô Egípcio é um Tarô transcultural, isto é , ele se baseia na Mitologia Egípcia.Os Arcanos Maiores são similares aos Tarôs tradicionais, o que não poderia deixar de ser. O que muda são as estruturas dos menores. Neles não existem os naipes explícitos e sim a hierarquia da sociedade egípcia. Todos os arcanos foram numerados de 1 a 78, já que o autor Iglesias copiou a idéia de ocultistas como Papus, Levi, Borgeat e Etteilla.Os Arcanos Menores começam com os reis e desenvolvem-se em ordem decrescente até os ases.O naipe de paus representa o povo, os artesões, o comércio,a navegação. O naipe de copas faz referêcia aos artistas, escultores, pintores, dançarinas e claro as emoções. O Naipe de espadas está relacionado com os guerreiros, soldados, e claro aos problemas deste naipe. O Naipe de ouros traz a representação da vida do faraó, da generosidade, da especulação financeira, a vida material.O Tarô Egípcio é fascinante! Eu adoro.O problema é que não existem livros à respeito!Quanto a tudo que se fala à respeito deste Tarô, cabala, alfabeto dos anjos etc é fruto de muita viagem ocultista. O autor Iglesias copiou o Tarô e deu uma dimensão mágica que nem ele consegue explicar.A Kier aproveita a onda do misticismo e mantém este tarô numa redoma de obscurantismo, não citando fontes, etc.Aproveita a idéia de que a maioria acredita que o Tarô veio do Egito e mantém esse ardilosidade para os incautos.Eu ainda tenho a pretensão de pegar a Kier de jeito....rsrsrsEste tarô é reproduzido em Buenos Aires , na Kier e a qualidade do papel é lamentável. Estive em Buenos Aires e fui na Kier especular, mas nada consegui! rsrsrStuart Kaplan da US Games conseguiu o direito de publicar este tarô, mas rompeu com a Kier, o que infelizmente é desastroso, já que a impressão que Stuart fêz era de ótima qualidade.É um tarô lindo e muito profundo!

Dois de Espadas


Por vezes, não é que não haja solução; o problema é que não está identificado. No baralho Rider-Waite, uma mulher com uma venda nos olhos segura duas espadas cruzadas à frente do peito, por trás tem o mar, rochas pontiagudas a sobressair, a Lua Nova misteriosamente no horizonte. Quando uma carta de Espadas surge, a energia negativa parece ser o ponto central. Primeiro olhem para o número da carta – dois representa dualidade, dois assuntos, dois em algo. Parem um momento para olhar realmente para a imagem à vossa frente, sintam a carta antes de criarem uma história. Sim, cada leitura é uma história. A venda chama-me a atenção. Porquê uma venda? É preciso força para manter as espadas direitas, com as mãos cruzadas em frente ao peito. Lembrem-se que espadas não são objectos leves. O que é que acham? Problemas, situações de stress e parecidas ultrapassam-nos. Daí a venda – não ser capaz de ver o problema, de ver o caminho, de ver a solução para a situação corrente e a nossa perspectiva está neste momento nublada. Esta carta está a tentar dizer para tirarem a venda, vejam o problema de todos os ângulos, usem a vossa capacidade intelectual para encontrar a resposta. Ou são bons a erguer fachadas falsas? A quem estão a tentar enganar? Se uma decisão tem de ser tomada, se significa uma troca, desistir de algo, após uma análise cuidadosa e meticulosa, então façam o que têm a fazer. Por vezes a única solução tem de ser drástica, desastrosa na altura, mas em última análise pode ter sido a melhor coisa a fazer.
As rochas ao fundo são significativas. As rochas podem significar problemas; as rochas podem também indicar rigidez. As rochas são estruturas sólidas, e como tal, são rígidas. Talvez um pouco de flexibilidade possa ajudar, e para isso é necessária vontade e coragem. Olhem para a Lua – misteriosa e perturbadora. Que sombras se escondem na escuridão? Olhem para os recantos profundos do espírito, ouçam a vossa intuição, procurem a orientação através do vosso Ser Interior. Decisões, escolhas. Não é disto que a Vida é feita? Uma porta fecha-se, outra abre-se, foi a decisão certa? Lembrem-se da Senhora e do Tigre. Por vezes trabalhamos muito para chegar “lá”, mas quando chegamos “lá”, não é aquilo que esperávamos. Onde está a Força? O elemento Ar é misterioso, mas essencial. Todos precisamos de uma lufada de ar fresco de vez em quando, talvez os problemas que aparecem sejam uma ferramenta necessária para deixar “entrar” um perspectiva nova, um ponto de vista novo, um ângulo diferente, uma aproximação “fresca” à vida. Às vezes o dia começa com o pé errado, um dia mau! Esta é a mulher na carta, a segurar as espadas cruzadas frente ao peito, firmemente. Isto para mim significa a capacidade para enfrentar a vida contra todas as probabilidades. Mostra a coragem que temos cá dentro para equilibrar a nossa vida privada com a nossa face mais pública, de trabalho. Há um momento quando sentimos que o fio que usamos para manter tudo junto está prestes a partir, e tudo o que ele une está prestes a partir e cair em todas as direcções.
No nosso mundo ocupado, as nossas prioridades ficam baralhadas. Parem um minuto e dêem uma olhada mais de perto ao que é importante para vocês – ir naquela viagem de negócios e perder uma importante celebração em família, trabalhar horas extraordinárias para comprar outro brinquedo ou gastar tempo sozinhos, para reflectir, contemplar, meditar. A lista continua. Perguntem a vocês o que podem mudar antes de se sentirem “esgotados” antes do tempo. O Dois de Espadas oferece-vos essa visão, que a venda pode sair, reconheçam a realidade, para o bom e para o mau. Vocês têm a coragem, a capacidade para tomar decisões e fazer escolhas melhores. Nem sempre vão estar certos, mas a vida é assim. Aprendemos e crescemos com os nossos erros, se percebermos que temos a força e coragem para o fazer. Um ótimo texto de Bonnie Moss

As Religiões Antigas e o Novo Testamento



Ao longo dos séculos, muito se escreveu sobre religião de um modo geral, sua intenção, sua relevância e sua contribuição à humanidade. Em particular, na América e no ocidente muitos livros foram escritos para especular a natureza e o fundo histórico do personagem principal da religião cristã, Iehoshua de Nazaré, O Cristo, segundo os cristãos. Muitos tentaram buscar no passado indícios a respeito da identidade de Iehoshua e produzir um esboço biográfico que confirme a fé ou que revele um lado mais humano deste homem que os cristãos tanto se relacionam. Obviamente, considerando o tempo e a energia gastos neles, os assuntos relacionados ao Cristianismo e ao seu fundador são muito importantes para a mente e a cultura ocidentais. Apesar de toda esta literatura que está sendo produzida continuamente e do significado deste assunto para o público, há uma séria e larga falta de instrução formal a respeito das origens da religião cristã e das características de outras religiões de uma forma geral, e a maioria dos fiéis é altamente desinformada neste ponto. Com relação ao Cristianismo, por exemplo, a maioria dos fiéis aprende nas escolas e igrejas que Iehoshua, O Cristo, foi uma figura histórica real e que alguns povos aceitam-no como o Filho do Eterno e o Mashiach, enquanto que outros não o aceitam. Contudo, ainda que este assunto é o mais comum e mais debatido ainda hoje, no momento não é o mais importante. Embora possa parecer chocante à população em geral, o problema aqui é identificar se uma pessoa chamada Iehoshua, O Cristo, existiu realmente. Devemos observar aqui que o Iehoshua de Nazaré pode ser analisado de duas formas: O Iehoshua de Nazaré dos evangelhos e o Iehoshua, O Cristo, ou seja, o personagem cuja sucessão de fatos levaram o Iehoshua de Nazaré a ser o Cristo. Em outras palavras, tentaremos mostrar que este personagem último, Iehoshua, O Cristo, incorpora, em suas características, muitos traços de divindades que podem ser comparadas com divindades presentes em religiões mais antigas. Embora este debate não seja exibido de uma forma clara e evidente em livros comuns que podem ser encontrados nas prateleiras das livrarias, percebe-se, ao se examinar este assunto, que existe um número muito grande de obras que demonstra repetidamente e de forma lógica, que o personagem Iehoshua, O Cristo, possui uma coletânea de características semelhantes às divindades mais antigas do que ele, sobretudo aquelas das regiões da Suméria, Fenícia, Índia, Egito, Grécia, de Roma e de outros povos. Descobre-se que este assunto não, consequentemente, representa a história de um carpinteiro judeu cuja encarnação física tenha ocorrido há dois mil anos atrás, ou seja, demonstra-se que este personagem, Iehoshua, O Cristo, foi constituído de divindades de outras religiões e não descreveu uma pessoa real, mas que foi construído de uma forma sobre-humana por seguidores entusiásticos que não sabiam como caracterizá-lo. Este problema existiu desde o começo da igreja e mesmo os escritos literários dos pais da igreja revelam que foram forçados constantemente pelos intelectuais pagãos da época para defender este pensamento, e que os não-cristãos e outros cristãos julgaram como uma história absurda e fabricada sem absolutamente nenhuma evidência do que ocorreu no passado. De acordo com estas afirmações, o Novo Testamento parece ser uma coletânea de fábulas. Há um século atrás, o pesquisador Albert Churchward, em sua obra The Origin and Evolution of Religion (Origem e a Evolução da Religião) - Published and Distributed by Lushena Books, Incorporation - October 2003, afirmou: Os evangelhos canônicos podem ser mostrados como sendo uma coleção de provérbios dos Mitos e da Escatologia dos egípcios. Em sua obra Forgery in Christianity - A Documented Record of the Foundations of the Christian Religion (Falsificação no Cristianismo - Um Documento Record da Fundação da Religião Cristã) - Kessinger Publishing Company - March 1997, Joseph Wheless afirmou que os evangelhos são falsificações sacerdotais feitas mais do que um século após as suas datas fingidas. Aqueles que compuseram alguns dos evangelhos e as epístolas alternativas as quais atravessaram os primeiros dois séculos da era comum, admitiram mesmo que tinham falsificado os documentos. A falsificação durante os primeiros séculos da existência da igreja era incontestavelmente desenfreada, de tal forma que a expressão Fraudes Piedosas foi usada para descrevê-la. Alguns dos chamados grandes pais da igreja, tal como Eusébio de Cesaréia, foram chamados por seus próprios companheiros de serem mentirosos inacreditáveis, os quais escreviam regularmente suas próprias ficções do que realmente Iehoshua teria afirmado e feito durante a sua vida. Com o fito de reescrever a história à luz dos caprichos e interesses dos vencedores, Eusébio de Cesaréia, biógrafo do imperador Constantino I e historiador oficial da igreja romana, juntou todo um ramalhete de piedosas falsificações, que outros filósofos como Irineu, Epifânio e Tertuliano, já haviam começado a perpetrar, assim se consumando em uma das maiores fraudes da história da humanidade. Entretanto, toda a história oficial do Cristianismo dos primeiros séculos está baseada na suposta autoridade de Eusébio e de todos os que lhe haviam fornecido os materiais que ele tão habilmente manuseou, juntou e acrescentou. [Estudar o livro de G.A. Williamson intitulado Eusebius - The History of the Church from Christ to Constantine (Eusébio - A História da Igreja de Cristo a Constantino) - Penguin Books (1965)]. A afirmação de que Iehoshua, O Cristo, é constituída de outras divindades pode ser provada não somente através dos trabalhos dos dissidentes e dos "pagãos" que souberam a verdade (e que foram refutados ou assassinados em sua batalha contra os sacerdotes cristãos e os chamados "pais da igreja" que enganavam às massas com suas ficções), mas também através das indicações dos próprios cristãos, que divulgavam continuamente que Iehoshua, O Cristo, possuia características de algumas divindades cultuadas mais antigas espalhadas por todo o mundo. De fato, o Papa Leão X, privilegiado por causa de sua classe elevada, fez certa vez uma declaração muito curiosa: Quantum nobis prodeste haec fabula Christi!!! (Que lucro não nos trouxe esta fábula de Cristo!!!) Este papa ficou muito rico entre os anos de 1518 e 1521. Desta forma, ele pôde comprar posições privilegiadas da igreja romana, até o dia em que assumiu o papado. Assim, com apenas 8 anos de idade tornou-se Arcebispo e aos 13 anos tornou-se Cardeal. Manteve uma côrte licenciosa com seus amigos também cardeais, com quem praticava "passatempos" voluptuosos em deslumbrantes palácios. Foi este papa que Lutero enfrentou em suas discussões. De suas próprias admissões, os cristãos esclarecidos foram, sob crítica contínua de eruditos de grande reputação, impugnados como pagãos por seus adversários cristãos. Este grupo incluía também muitos gnósticos, que foram arduamente contra a idéia da carnalização de Iehoshua de Nazaré. Os cristãos também se apropriaram de muitas das características do seu deus e do deus-homem dos gnósticos. As refutações dos cristãos contra os gnósticos revelaram que o deus-homem dos cristãos era um insulto aos gnósticos, os quais afirmavam que o seu deus nunca poderia possuir uma forma humana. Está muito bem relatado que nos documentos dos cristãos, as epístolas ou as cartas atribuídas a Paulo, não é discutido um fundo histórico de Iehoshua, mas tratam exclusivamente de um ser espiritual que já era conhecido de todas as denominações gnósticas há vários anos. Poucas referências históricas à uma vida real de Iehoshua citadas nestas cartas podem ser demonstradas como sendo interpolações e falsificações. Como Edouard Dujardin afirma, a literatura de Paulo não se refere a Pilatos, ou aos romanos, ou a Caifás, ou ao Sanhedrin, ou a Herodes, ou a Judas, ou às mulheres sagradas, ou a nenhuma pessoa na narração do Evangelho da Paixão, e que também nunca faz-lhes nenhuma alusão; última, que não menciona absolutamente nenhum dos eventos da Paixão, diretamente ou por alusão. Dujardin afirma também que as obras dos cristãos adiantados tal como o Apocalipse não mencionam nenhum detalhe ou drama histórico. No momento, não há um espaço adequado aqui para detalhar de que forma as características de outras religiões contribuíram para a formação do caráter de Iehoshua, O Cristo. É suficiente apenas dizer que há uma abundância de documentação para mostrar que este assunto não trata somente de fé ou de crença. A verdade é que durante a era em que este personagem supostamente viveu, havia uma biblioteca extensiva em Alexandria e uma rede de fraternidade incrivelmente ágil que ia da Europa até a China, e esta rede de informação tinha o acesso aos numerosos manuscritos que comentavam os escritos do Novo Testamento, com nomes de lugar e entidades diferentes para os personagens. Na realidade, as características de Iehoshua, O Cristo, estão identicamente muito próximas às características de Krishna, com muitos detalhes, como foi apresentado pelo historiador Gerald Massey há mais de cem anos atrás e também pelo Rev. Robert Taylor há 160 anos atrás, entre outros. As características de Krishna como narrada nos Vedas indianos são datadas de pelo menos 1.400 antes da era comum. As características de Iehoshua, O Cristo, incorporou elementos desta e de outras dinvindades descritas, como Salvador do mundo, Filho de Deus, que foi crucificado ou executado e etc, a maioria das quais ajudaram na formação do Cristianismo. Algumas destas divindades são as seguintes:  Adad da Assíria;  Adonis, Apolo, Héracles (Hércules), e Zeus da Grécia;  Alcides de Tebas;  Attis da Frígia;  Baal da Fenícia;  Bali do Afeganistão;  Beddru do Japão;  Buda da Índia;  Crite da Caldéia;  Deva Tat do Sião;  Hesus dos Druidas;  Hórus, Osíris e Seráphis do Egito, cuja a aparência da barba e do cabelo longo foi adotada para o caráter de Iehoshua, O Cristo;  Indra do Tibet;  Jao do Nepal;  Krishna da Índia;  Mikado do Sintoos;  Mithra e Zaratustra da Pérsia;  Odin da Escandinávia;  Prometheus do Cáucaso;  Quetzalcoatl do México;  Salivahana de Bermuda;  Tammuz da Síria (que foi, um ídolo, modificado mais tarde para Tomé, o discípulo sem fé);  Thor dos Gauls;  Monarca Universal do Sibyls;  Wittoba dos Bilingoneses;  Xamolxis da Trácia;  Zoar dos Bonzes; Embora a maioria das pessoas pense que Buda foi um homem que viveu em torno de 500 antes da era comum, o seu caráter descrito geralmente como Buda pode também ser demonstrado como sendo constituído de outras divindades que se transformavam em homens que viveram antes de Buda e também que o sucederam. Na realidade, Buda é um título, assim como Cristo. As características de Buda possui em comum com as de Iehoshua, O Cristo, o seguinte:  Buda nasceu da virgem Maya;  Executava milagres e maravilhas;  Esmagou a cabeça de uma serpente;  Aboliu a idolatria;  Subiu ao Nirvana ou aos céus;  Era considerado O Bom Pastor; As características de Iehoshua, O Cristo, e de Hórus também são muito semelhantes, com Hórus contribuindo mais ainda para a formação do Cristianismo. As histórias a respeito de Hórus datam de milhares de anos, e ele compartilha em comum com Iehoshua, O Cristo, o seguinte:  Hórus nasceu de uma virgem em 25 de dezembro;  Teve 12 discípulos;  Foi enterrado em um túmulo e ressuscitado;  Era intitulado a Luz, a Verdade, a Vida, o Messias, o Filho Ungido de Deus, o Bom Pastor, etc;  Executava milagres e ressuscitou um homem de nome El-Azar-us, dentre os mortos (dái provém o personagem Lázaro como consta nos evangelhos);  O epíteto pessoal de Hórus era Iusa, o Filho eterno de Ptah, seu Pai;  Hórus é chamado também de O Krst, ou O Ungido, muito tempo antes dos evangelhos; Nas catacumbas de Roma estão os retratos do bebê Hórus, o qual está preso pela sua mãe, a Virgem Ísis, a Madonna. A área do Vaticano está construída em cima do papado de Mithra, o qual também compartilha de muitas características com Iehoshua, O Cristo, que, segundo os estudiosos, trata-se de uma divindade que já era cultuada muito antes do aparecimento de Iehoshua (em torno de 600 anos). A hierarquia cristã é quase idêntica à versão de Mithra que foi substituída por Iehoshua, O Cristo. Segundos os estudiosos, Mithra é o Desu-Sol da Pérsia. As características de Mithra possui em comum com Iehoshua, O Cristo, o seguinte:  Mithra nasceu de uma virgem em 25 de dezembro;  Era considerado um professor e um mestre que fazia grandes viagens;  Era chamado de O Bom Pastor (daí Jesus dizer nos evangelhos que era o bom pastor);  Era considerado a Luz, a Verdade e a Vida;  Era considerado o Redentor, o Salvador, o Messias;  Era identificado com o leão e o cordeiro (daí provém as expressões leão de Judá e cordeiro imolado atribuídos a Jesus, no Novo Testamento);  Seu dia sagrado era o domingo (Dia do Senhor), centenas de anos antes do aparecimento de Jesus;  Sua festa principal é comemorada exatamente durante o período que se transformou mais tarde na páscoa dos cristãos;  Tem 12 companheiros ou discípulos;  Executava milagres;  Foi enterrado em um túmulo;  Ressuscitou três dias após a sua morte;  Sua ressurreição era comemorada a cada ano pelos fiéis; As semelhanças entre Iehoshua, O Cristo, e Krishna são muitas:  Krishna nasceu da Virgem Devaki (que significa Divina);  É chamado o Deus-Pastor;  É a segunda pessoa da Trindade;  Foi perseguido por um tirano quem requisitou o massacre de milhares de crianças (daí nos evangelhos estar relatado o massacre das crianças por ordem de Herodes);  Executava milagres e maravilhas;  Em algumas tradições morreu em uma árvore;  Subiu aos céus; Ao longo dos anos que se passaram, os cristãos fizeram um frenesi tão intenso com estas divindades para construir as características de Iehoshua, O Cristo, que além de censurarem os cristãos esclarecidos e os gnósticos sob pena de morte, criaram, no tempo do imperador romano Constantino I, o maior embuste, o maior engôdo, a maior mentira religiosa criada pela mente humana. Aqueles que tentaram demonstrar a verdade dos fatos foram sufocados pelos jogos de interesses políticos temporais. Estabelecido assim o acordo, originou-se então a religião universal do império romano, a Igreja Católica Apostólica Romana. Os cristãos mal intencionados asseguraram que o segredo deles estaria escondido das massas, mas os eruditos e gnósticos de outras escolas nunca abandonaram seus argumentos contra a caracterização de Iehoshua, O Cristo. Os argumentos destes dissidentes instruídos foram perdidos porque os cristãos mal intencionados destruíram todos os traços de seus trabalhos. Todavia, os cristãos esclarecidos e gnósticos preservaram as disputas de seus detratores com às próprias refutações dos cristãos mal intencionados. Por o exemplo, Tertuliano, o Pai adiantado da Igreja, (160-220 da era comum), um ex-pagão e bispo de Cartago, admitiu ironicamente as origens verdadeiras das personalidaes que compuseram Iehoshua, O Cristo, e de todos os deuses-homens. É interessante que Tertuliano, um crente e defensor da fé, renunciou mais tarde ao Cristianismo. A razão porque todas estas narrativas são semelhantes com um deus-homem que é crucificado, ressuscitado, que faz milagres e que tem 12 discípulos, é que estas histórias também podem ser encontradas quando se estuda os movimentos do sol através do céu, um desenvolvimento astro-teológico que se pode encontrar em torno do mundo porque o sol e os 12 signos do zodíaco podem ser observados em torno do globo terrestre. Em outras palavras, fazendo-se analogias entre Iehoshua, O Cristo, e os 12 discípulos, podemos perceber que estes elementos personificam o sistema solar, e é neste ponto que os evangelhos levam em consideração os movimentos do sol através dos céus. Certamente, da mesma forma que os 12 trabalhos de Hércules e os 12 ajudantes de Hórus, analogia nos conduz ao resultado de que os 12 discípulos de Iehoshua, O Cristo, simbolizam também as casas zodiacais ao invés de descreverem personagens, literalmente falando, que tenham desempenhado um papel na sociedade judaica em torno de 30 e.c. Estes discípulos também podem ser observados como semi-deuses, heróis e constelações. O historiador Gerald Massey, por exemplo, afirma em sua obra intitulada Gnostic and Historic Christianity - Holmes Publishing Group, LLC - Softcover Edition, que o livro do Apocalipse, em vez de ter sido escrito por um apóstolo chamado João, durante o primeiro século da era comum, é na realidade um texto cujo conteúdo que datam possivelmente de 4.000 anos. Massey afirma que o Apocalipse relaciona a legenda de Zaratustra/Zoroastro. A forma comum deste texto foi atribuído pelo historiador Churchward a Aan, escrivão de Hórus, cujo nome nos foi transmitido como João. Hórus, segundo os estudiosos, foi batizado por Anup, o Batista, o qual desempenha o papel de João, o Batista, nos evangelhos. Judas, por exemplo, é dito representar a Constelação do Escorpião, a qual representa o mal da língua, justamente no período em que os raios do sol enfraquecem-se e ele parece morrer (como tivesse sido pego à traição, como aconteceu com Iehoshua, conforme os relatos dos evangelhos). Muitas das histórias referentes a deuses-homens que foram crucificados têm seu aniversário tradicional em 25 de dezembro. Isto, porque os povos antigos reconheciam (através de uma perspectiva geocêntrica) que o sol faz uma descida anual para o sul até 21 ou 22 de dezembro (o chamado solstício de inverno) quando pára de se mover para o sul por três dias e começa então a se mover para o norte outra vez. Durante este tempo, os antigos declaravam que o sol do deus tinha morrido por três dias e renascia ou ressuscitava em 25 de dezembro. Daí o fato de nos evangelhos está relatado a ressurreição de Iehoshua três dias após a sua morte. Não é à toa que os cristãos dizem que Iehoshua é o sol da Justiça. Os antigos acreditavam piamente que o sol retornava a cada dia e que seria um problema grande se ele continuasse a se mover para o sul e não parasse e não invertesse sua direção. Assim, estas muitas culturas diferentes comemoravam o aniversário do sol do deus em 25 de dezembro. Assim, quando os cristãos adoram o Criador aos domingos, eles inocentemente estão dando continuidade ao culto solar. Seu salvador é realmente o sol, que é chamado a Luz do Mundo, o qual cada olho pode ver. O sol foi observado por toda a história como o salvador da humanidade por razões óbvias. Sem o sol, o planeta duraria mal um dia. As características do sol de deus são as seguintes:  O sol morre por três dias em 22 de dezembro (o solstício de inverno) quando pára em seu movimento para o sul, e nasce outra vez em 25 de dezembro, quando então recomeça seu movimento para o norte;  Em algumas áreas, o calendário começava originalmente na constelação de Virgo, e o sol consequentemente nasceu de uma virgem (daí estar relatado nos evangelhos que Iehoshua nasceu de uma virgem);  O sol é a luz do mundo (daí Iehoshua, nos evangelhos, se auto declarar a Luz do Mundo);  O sol vem envolto de nuvens e cada olho o vê (daí estar relatado nos evangelhos que Iehoshua subiu aos céus envolto de nuvens e retornará pela segunda vez do mesmo em que subiu aos céus);  O sol levanta-se pela manhã e é o Salvador da humanidade;  O sol veste uma corona ou coroa dos espinhos (daí estar relatado nos evangelhos que só Iehoshua foi coroado com uma coroa de espinhos, exceto os outros dois ladrões);  Os seguidores ou os discípulos do sol são os 12 mêses do ano e os 12 sinais do zodíaco, através dos quais o sol deve passar ou caminhar (daí estar relatado nos evangelhos que Iehoshua ao ver os pescadores, diz: Vem e segue-me); De acordo com os Evangelhos de Mateus e Lucas e com as informações acima, podemos encontrar em Iehoshua as características de um Avatar. Para isto, vamos iniciar o nosso estudo utilizando a passagem profética de Isaías muito conhecida pelos cristãos: Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará 'Deus Conosco'. (Yeshayáhu 7,14) Estas foram as palavras ditas pelo profeta há aproximadamente setecentos e cinqüenta anos antes do advento da Era Cristã, prevendo a vinda daquele que se tornaria um dos deuses mais cultuados do ocidente em todos os tempos. A mulher que conceberia tal divindade teria que ser de uma pureza extrema, uma alma também iluminada. Por apresentar tais qualidades, a jovem Maria, filha de Ana e Joaquim, foi a escolhida, sendo então, de acordo com as escrituras sagradas, fecundada pelo Espírito Santo. O nascimento de Jesus, no entanto, é algo ainda cercado de mistérios, já que não foi documentado com precisão. Fatos narrados, como o episódio dos pastores guardando seus rebanhos no campo, não batem com a data proposta, e a confusão quanto ao local da natividade também se faz presente, pois os evangelhos não coincidem quanto a isso (Mateus fala de uma casa; Lucas de um estábulo; e outros, na sua maioria apócrifos, mencionam uma caverna, cujo simbolismo está relacionado a ritos de iniciação). A tarefa de descobrir a verdadeira data do nascimento do Cristo é das mais complexas, pois além do fato de seus próprios discípulos não terem se preocupado em registrá-la (aliás isso é muito comum em se tratando de avatares), há diferenças entre os calendários utilizados na época e os de agora. O que se sabe é que os cristãos primitivos a comemoravam através de um festival realizado em maio ou, por vezes, em abril e, em outras ocasiões em janeiro. De acordo com antigas tradições da Igreja, as datas mais cotadas seriam o vinte de maio, o dezenove de abril (esta segundo Clemente de Alexandria) e o vinte de abril. Existem, no entanto, outras que também são levadas em consideração: vinte e oito de março, vinte e nove de maio e seis de janeiro. Há pouco tempo, o astrônomo britânico Colin Humphrey, professor da Universidade de Cambridge, chegou à conclusão que Jesus Cristo teria nascido em quinze de setembro do ano 7 a.e.c. O mapa astrológico levantado a partir desses dados, deve, contudo, ser analisado com atenção, pois apresenta posicionamentos muito condizentes com sua vida e missão. Apesar dessa polêmica toda, o fato é que a vinda ao mundo daquele que estaria destinado a sacrificar-se em nome de toda a humanidade é comemorada no dia vinte e cinco de dezembro, um dia muito especial e significativo. Todos os grandes avatares paridos por virgens surgiram nessa data e, segundo uma lei espiritual ou cósmica, um redentor ou salvador não pode nascer em nenhuma outra ocasião (na grande maioria das antigas religiões, os deuses ou seus filhos vieram ao mundo através de mulheres ditas puras e imaculadas: Krisna nasceu de uma virgem chamada Devaki; Buda, de uma chamada Maia ou Maria; Lao-Tsé, de uma virgem negra; Hórus de Ísis; e assim o foi com Rá, Zoroastro, Codom, Quetzalcoatl e tantos outros). Na verdade, o natal, do latim natalis, é o dia do solstício de inverno no hemisfério norte, época em que os dias começam a crescer novamente em relação às noites, e o ressurgimento do Sol era comemorado em quase todas as culturas da Europa, Ásia e também no Egito. Na Índia e na China, nesta época do ano, aconteciam festivais religiosos muito antes da Era Cristã. No Egito, se fixava a data da gravidez de Ísis nos últimos dias de março (equinócio de primavera) e, em fins de dezembro, os egípcios celebravam o nascimento de Hórus. Em Roma, também muito antes do nascimento de Cristo, realizava-se em vinte e cinco de dezembro uma festa chamada Natalis Solis Invicti (Natalício do Invencível Sol) em homenagem ao deus solar Mitra, quando então o trabalho era suspenso, declarações de guerra e execuções eram adiadas, e presentes eram trocados entre amigos e parentes (as Saturnais, festividades em homenagem a Saturno, aconteciam também por volta do solstício de inverno, possuindo algumas similaridades com a festa de Mitra). Os antigos escandinavos a essa época celebravam a noite-mãe ou Jul, festa em honra a Freyr, filho de Njörd e Nerthus (aqui também havia o costume de se trocar presentes). Os germanos por sua vez comemoravam esta data através de uma solenidade chamada Festa do Yule, onde todos os contratos eram renovados e os deuses consultados sobre os acontecimentos futuros. Não se pode deixar de mencionar os druidas da Grã-Bretanha e Irlanda, que nesse dia acendiam fogueiras no alto das colinas, assim como os gregos, que celebravam também nesse período o nascimento de Héracles. Para combater a concorrência dos deuses pagãos, principalmente o deus indo-iraniano Mitra, muito popular entre as classes oprimidas (o Mitraismo, assim como o Cristianismo, era uma religião que visava os desprivilegiados da época: escravos, pobres, mulheres etc) e aproveitando o fato de que os grandes avatares nasciam no solstício de inverno, a comunidade cristã reunida em um concílio no século V de nossa era decidiu fixar para o nascimento de Jesus, o dia vinte e cinco de dezembro ou a meia-noite do dia vinte e quatro, e assim surgiu o natal. O mapa astral de um avatar nascido nesta data e hora é extremamente significativo, e para ilustrar tal fato, tomemos como exemplo o próprio Cristo. A princípio temos a questão da volta do Sol, ou seja, da luz, o ser iluminado. O signo que ascende no leste às vinte e quatro horas do solstício de inverno no hemisfério norte seria Virgem, dando a nítida idéia do nascimento a partir de uma virgem; Libra na segunda casa mostra a necessidade de compartilhar, ou mesmo abrir mão dos bens materiais; Escorpião na terceira indica a profundidade de seus ensinamentos; Sagitário na quarta mostra o deslocamento de Maria grávida para Belém e depois as constantes viagens para fugir dos soldados de Herodes, mas há quem arrisque uma provável descendência alienígena (um anjo ou extraterrestre teria através de inseminação artificial colocado um óvulo fecundado no útero da mãe de Jesus); Capricórnio na quinta casa indica uma grande responsabilidade e até uma certa abstinência em relação aos prazeres da vida (Jesus também trabalhou com seu pai José quando criança); Aquário na sexta diz respeito a vida de homem livre que levou exercendo o seu trabalho (depois dos trinta), a pregação; Peixes (signo da exaltação de Vênus, o planeta do amor) na sétima mostra claramente o amor descompromissado e fraternal que tinha em relação a todos; Áries na oitava está relacionado com a morte violenta; Touro na nona casa mostra a forma simbólica com que passava seus ideais, ou seja, através de parábolas, usando na maioria das vezes exemplos relacionados à terra e a questões envolvendo dinheiro, bens materiais e trabalho; Gêmeos na décima indica um homem que teve por profissão, ou melhor dizendo, missão, a comunicação, a palavra, o ensinamento; Câncer na décima primeira diz respeito à forma como tratava seus amigos e seguidores: como uma grande família; e finalmente Leão na décima segunda casa mostra a dissolução do ego em função do todo, o sacrifício do homem em nome de toda a humanidade (fato que associa Cristo ao Arcano XII do Tarot, ?O Pendurado?, ou ?O Enforcado, um tipo de bode expiatório e/ou vítima sacrificial). O astro-guia, que poderia ser um cometa, uma estrela, ou mesmo uma conjunção de planetas (provavelmente Júpiter e Saturno) se encontrava no Meio-do-céu, em Gêmeos, signo de Hermes e Mercúrio, deuses psicopompos, condutores de almas, que velozes, com asas nos capacetes e calcanhares levaram os três reis magos até o deus-menino (existia a crença, principalmente entre os antigos magos, astrólogos ou sacerdotes, que o nascimento de um avatar ou líder que se tornaria um salvador era anunciado por um grande astro no céu). Ao natal estão associados alguns parâmetros que devem ser mencionados pela sua importância. Um deles é a árvore, cujo significado simbólico é muito rico. Em muitas culturas, a mesma é representada como centro e sustentáculo do cosmo, como o freixo Iggdrasil, da Mitologia Nórdica, cujas raízes, estão localizadas nos três mundos: Niflheim (mundo ctônio), Jötunheim (mundo terrestre) e Asgard (mundo celeste). Sendo assim, através de sua verticalidade, pode ser relacionada com uma escada, capaz de conduzir o homem do inferno ao Paraíso, do pecado à salvação. Além do mais, em pleno inverno (hemisfério norte), a árvore de natal está sempre verde, simbolizando o renascimento, ou ainda, a redenção. Os adornos (bolas vermelhas, douradas, etc) dizem respeito às maçãs da árvore da vida e/ou do conhecimento, podendo estar também relacionadas com os pomos de ouro do jardim das Hespérides, cuja função é trazer consciência. Outro símbolo típico do natal é papai Noel ou São Nicolau, ou ainda Santa Claus, que com seu trenó puxado por renas, distribui presentes para as crianças. Tal fato se deve a acontecimentos da vida do Santo padroeiro da Rússia. Segundo a tradição cristã, depois da morte de seus pais, cedeu sua herança aos pobres. Também a ele é atribuída a doação de dotes às filhas de famílias pobres. A sua façanha maior, porém, se deu quando então bispo da Lícia (Ásia Menor), convenceu os tripulantes de uma esquadra que se dirigia a Alexandria, a doar os carregamentos de cereais aos esfomeados lícios, assegurando que se o fizessem, quando chegassem ao seu destino, encontrariam nas despensas dos barcos a quantidade original de grãos. Atendendo ao pedido do sacerdote, os marinheiros ao chegarem no Egito verificaram que o mesmo havia dito a verdade, e diante de tal milagre, converteram-se ao cristianismo. Desta forma, pode-se perceber que o natal, muito mais do que uma festa onde as pessoas se reúnem com o intuito de comer, beber e trocar presentes, influenciadas por uma mídia voltada para o consumo, traz nas suas origens a essência dos avatares, que de tempos em tempos, aparecem para salvar e redimir a humanidade, sacrificando para isso, suas próprias individualidades e porque não dizer, divindades.

A Mulher sem alma




A MULHER SEM ALMA


Régine Pernoud






Em 1975, “ano internacional da mulher”, o ritmo de referências à Idade Média tornou-se estonteante; a imagem da Idade Média, dos tempos obscuros de onde se emerge, como a Verdade de um poço, impunha-se a todos os espíritos e fornecia um tema básico para os discursos, colóquios, simpósios e seminários de todos os tipos. Como eu mencionasse, um dia, em sociedade, o nome de Eleonora de Aquitânia, obtive logo aprovações entusiásticas: “Que personagem admirável! — exclamou um dos presentes. Numa época em que as mulheres só pensavam em ter filhos...”. Eu lhe fiz uma observação sobre o fato de que Eleonora parecia haver pensado assim pois teve dez e, considerando sua personalidade, isto não poderia ter ocorrido por simples advertência. O entusiasmo tornou-se um pouco menor.
A situação da mulher, na França medieval, é na atualidade assunto mais ou menos novo: poucos estudos sérios lhe foram consagrados, pode-se mesmo dizer que se os poderia contar pelos dedos. A sociedade Jean Bodin, cujos trabalhos são tão notáveis, editou em 1959-1962 dois grossos volumes (respectivamente 346 e 770 páginas) sobre a mulher. Todas as civilizações são sucessivamente examinadas. A mulher é estudada na sociedade do Sião, ou de acordo com os vários direitos cuneiformes, ou no Direito malikité-magrebino, mas, para o nosso Ocidente medieval, não se contam mais do que dez páginas relativas ao Direito canônico, outras dez ao período que vai do século XIII ao fim do século XVII, um estudo consagrado aos tempos clássicos até o Código Civil, um outro, a monarquia Franca, e trabalhos mais pormenorizados sobre a Itália, a Bélgica e a Inglaterra, na Idade Média. E eis tudo. O período feudal é completamente esquecido.
É igualmente inútil procurar nesta obra um estudo sobre a mulher nas sociedades célticas, onde, estamos certos, ela tinha um papel contrastante com o confinamento a que estava sujeita nas sociedades do tipo clássico greco-romano. No que se refere aos celtas, para os historiadores de nossa época, o homem e a mulher se encontravam num pé de igualdade completa, tanto que não se ressalta nunca nem um nem outro. Aos celtas, de uma vez por todas, foi recusado o direito de existir.
No entanto, impõe-se uma imagem, à qual já tive ocasião de me referir.[i] Não é, em realidade, surpreendente pensar que nos tempos feudais a rainha é coroada como o rei, geralmente em Reims, às vezes em outra catedral do domínio real (em Sens, como Margarida de Provence), mas sempre pelas mãos do arcebispo de Reims? Dito de outra forma, atribuía-se à coroação da rainha tanto valor quanto à do rei. Ora, a última rainha a ser coroada foi Maria de Medicis; ela o foi, aliás, tardiamente, em 1610, na véspera do assassinato de seu marido, Henrique IV; a cerimônia ocorreu em Paris, segundo um costume consagrado nos séculos anteriores (atingir Reims representava então um feito militar por causa das guerras anglo-francesas). E, além disso, desde os tempos medievais (o termo é tomado aqui em oposição a tempos feudais), a coroação da rainha tinha-se tornado menos importante que a do rei; numa época em que a guerra se alastrava pela França de forma endêmica (a famosa Guerra dos Cem Anos), as necessidades militares começaram a ter primazia entre todas as preocupações, por ser o rei, antes de tudo, o “chefe da guerra”. Tanto assim é que, no século XVII, a rainha desaparece literalmente da cena em proveito da favorita. Basta lembrar qual foi o destino de Maria Teresa ou o de Maria Leszcynska para se convencer. E quando a última rainha quis retomar uma parte deste poder, lhe foi dada ocasião de se arrepender, pois ela se chamava Maria Antonieta (é justo lembrar que a última favorita, a Du Barry, reuniu-se à última rainha no cadafalso).
Esta rápida visão do papel das rainhas dá idéia bem exata do que se passou com as mulheres; o lugar que elas ocuparam na sociedade; a influência que exerceram seguiu, exatamente, um traçado paralelo. Enquanto uma Eleonora de Aquitânia, uma Branca de Castela dominam realmente seus séculos, exercem poder sem contestação no caso de ausência do rei, doente ou morto, e têm suas chancelarias, suas alfândegas, seus campos de atividade pessoal (que poderia ser reivindicado como um fecundo exemplo para os movimentos feministas de nosso tempo), a mulher, nos tempos clássicos, foi relegada a um segundo plano; exerce influência só na clandestinidade e se encontra notoriamente excluída de toda função política ou administrativa. Ela é mesmo tida como incapaz de reinar, de suceder no feudo ou no domínio, principalmente nos países latinos e, finalmente, em nosso Código, de exercer qualquer direito sobre seus bens pessoais.
É, como sempre, na História do Direito que se deve procurar os fatos e seu significado, ou seja, a razão desta decadência que se transformou, com o século XIX, no desaparecimento total do papel da mulher, principalmente na França. Sua influência diminui paralelamente à ascensão do Direito romano nos estudos jurídicos, depois nas instituições e, por fim, nos costumes. É um apagar progressivo do qual se pode seguir as principais etapas, pelo menos na França, muito bem.
Curiosamente a primeira disposição que afasta a mulher da sucessão ao trono foi tomada por Filipe, o Belo. É verdade que este rei estava sob a influência dos legisladores meridionais, que tinham literalmente invadido a corte de França, o começo do século XIV, e que, representantes típicos da burguesia das cidades notadamente das do Sul mais voltadas para o comércio, redescobriram o Direito romano com uma verdadeira avidez intelectual.
Esse Direito concebido por militares, funcionários, comerciantes, conferia aos proprietários o jus utendi et abutendi, o direito de usar e abusar, em completa contradição com o Direito consuetudinário de então, mas eminentemente favorável aos que detinham riquezas, principalmente móveis. Àqueles, com razão, esta legislação parecia infinitamente superior aos costumes existentes para assegurar e garantir bens, tráficos e negócios. O Direito romano do qual vemos renascer a influência na Itália, em Bolonha principalmente, foi a grande tentação do período medieval; ele foi estudado com entusiasmo não só pela burguesia das cidades, mas, também, por todos os que viam nele um instrumento de centralização e de autoridade. Ele se ressente, com efeito, de suas origens imperialistas e, por que não dizer, colonialistas. Ele é o Direito, por excelência, dos que querem firmar uma autoridade central estatizada. Também é reivindicado, adotado, estendido para as potências que procuravam, então, a centralização: pelo imperador, primeiro, depois pelo Papa. Em meados do século XIII, o imperador Frederico II, cujas tendências eram as de um monarca, fez deste tipo de direito a lei comum dos países germânicos. A universidade que ele funda em Nápoles — a única que os súditos do imperador estavam daí em diante autorizados a freqüentar — ministra o estudo do Direito romano, tão bem que esse Direito regeu as instituições e os costumes dos países germânicos numa época em que o Ocidente não o admitia ainda.[ii] Apenas ao longo do século XVII é que o estudo do Direito romano, precisamente, porque era o Direito imperial, será admitido na Universidade de Paris. É verdade que, muito antes, era ensinado em Toulouse, e que, favorecido pela admiração exagerada que se sente, no século XVI, pela Antiguidade, tinha começado a impregnar os hábitos e a modificar profundamente os costumes e as mentalidades, na própria França.
Ora, o Direito romano não é favorável à mulher, nem tampouco à criança. É um direito monárquico, que só admite um fim. É o direito do pater familias, pai, proprietário e, em sua casa, grande-sacerdote, chefe da família com poderes sagrados, sem limites no que concerne a seus filhos; tem sobre eles direito de vida e de morte — e da mesma forma sobre sua mulher, apesar das limitações, tardiamente introduzidas sob o Baixo Império.
Apoiando-se no Direito romano é que juristas como Dumoulin, por seus tratados e seus ensinamentos, contribuem, por sua vez, para estender o poder do Estado centralizado e também — o que nos interessa aqui — para restringir a liberdade da mulher e da sua capacidade de ação, principalmente no casamento. A influência deste direito será tão forte que, no século XVI, a maioridade, que era aos doze anos para as meninas e quatorze para os rapazes, na maior parte dos costumes, vai ser transferida para a mesma idade fixada em Roma, isto é, vinte e cinco anos (em Roma, a maioridade não importava muito, pois o poder do pai sobre os filhos perdurava durante toda a vida). Era uma nítida regressão sobre o Direito consuetudinário, que permitia à criança adquirir, muito jovem, uma verdadeira autonomia, sem que, por isso, a solidariedade da família lhe fosse negada. Nesta estrutura, o pai tinha autoridade de gerente, não de proprietário: ele não tinha o poder de deserdar seu filho mais velho e era o costume que, nas famílias nobres ou de homens comuns, regulava a devolução dos bens, em um sentido que mostra claramente o poder que a mulher conservava sobre o que lhe pertencia: no caso de um casal morrer sem herdeiros diretos, os bens provenientes do pai iam para a família paterna, mas os provenientes da mãe voltavam para a família materna, segundo o adágio bem conhecido do Direito consuetudinário: paterna paternis, materna maternis.
No século XVII já se constata uma profunda evolução neste ponto de vista: os filhos, considerados como menores até vinte e cinco anos, continuam sob a autoridade do pai e a característica de propriedade tendente a tornar-se monopólio do pai não faz mais do que se firmar. O Código de Napoleão dá o último retoque a este dispositivo e dá um sentido imperativo às tendências que começaram a se firmar desde o fim da época medieval. Lembremos que apenas no fim do século XVII a mulher toma obrigatoriamente o nome do marido; e, também, que é somente com o Concílio de Trento, portanto na segunda metade do século XVI, que o consentimento dos pais torna-se necessário para o casamento de adolescentes; tanto quanto se tornou indispensável a sanção da Igreja. Ao velho adágio dos tempos anteriores:
Beber, comer, dormir juntos
Fazem o casamento, me parece
junta-se:
Mas é preciso passar pela Igreja.
Não nos esqueceremos de destacar aqui o número de uniões devidamente arranjadas pela família nos tempos feudais: os exemplos são abundantes realmente, moças e rapazes, noivos desde o berço, prometidos um ao outro. Também não faltou quem quisesse argumentar com o fato de que as mulheres não eram livres na época; o que é fácil de retrucar, pois que, deste ponto de vista, rapazes e moças se encontravam em pé de igualdade rigorosa, porque se dispõe do futuro esposo absolutamente do mesmo modo que da futura esposa. Deste modo, é incontestável que ocorria, então, o que ainda hoje acontece em dois terços do mundo, isto é, que as uniões, em sua grande maioria, eram arranjadas pelas famílias. E nas famílias nobres, especialmente as reais, essas disposições faziam, de algum modo, parte das responsabilidades de nascimento, porque um casamento entre dois herdeiros de feudo ou de reinos era considerado como o melhor meio de selar um tratado de paz, assegurar amizade recíproca e, também, de garantir para o futuro uma herança vultosa.
Uma força lutou contra estas uniões impostas, e esta foi a Igreja; ela multiplicou, no Direito canônico, as causas de nulidade, reclamou sem cessar a liberdade para os que se unem, um com relação ao outro e, com freqüência, mostrou-se bastante indulgente ao tolerar, na realidade, a ruptura de laços impostos — muito mais nesta época do que mais tarde, notemos. O resultado é a constatação que provém da simples evidência de que o progresso da livre escolha do esposo acompanhou em toda parte o progresso da difusão do Cristianismo. Hoje, em países cristãos, esta liberdade, tão justamente reclamada, é reconhecida pelas leis, enquanto que, nos países muçulmanos ou nos países do Extremo Oriente, esta liberdade, que nos parece essencial, não existe ou só recentemente foi concedida.[iii]
Isto nos leva a discutir o slogan: “Igreja hostil à mulher”. Não nos demoraremos em questionar a afirmação acima, o que exigiria um volume à parte; não iremos mais discutir as tolices evidentes[iv] que foram proferidas sobre o assunto. “Não foi senão no século XV que a Igreja admitiu que a mulher tinha alma”, afirmava candidamente, um dia no rádio, não sei que romancista certamente cheio de boas intenções, mas cuja informação apresentava algumas lacunas! Assim, durante séculos, batizou-se, confessou-se e ministrou-se a Eucaristia a seres sem alma! Neste caso, por que não aos animais? É estranho que os primeiros mártires honrados como santos tenham sido mulheres e não homens. Santa Agnes, Santa Cecília, Santa Ágata e tantas outras. É verdadeiramente triste que Santa Blandina ou Santa Genoveva tenham sido desprovidas de uma alma imortal. É surpreendente que uma das mais antigas pinturas das catacumbas (no cemitério de Priscille) representasse, precisamente, a Virgem com o Menino, bem designado pela estrela e pelo profeta Isaías. Enfim, em quem acreditar, nos que reprovam na Igreja medieval justamente o culto da Virgem Maria, ou naqueles que julgam que a Virgem Maria era, então, considerada como uma criatura sem alma?
Sem nos demorarmos, portanto, nestas tolices, recordaremos aqui que algumas mulheres (que nada designavam particularmente, pela família ou pelo nascimento, pois que vinham, como diríamos atualmente, de todas as camadas sociais, como, por exemplo, a pastora de Nanterre) usufruíram na Igreja, e justamente por sua função na Igreja, de um extraordinário poder na Idade Média. Certas abadessas eram senhoras feudais cujo poder era respeitado do mesmo modo que o de outros senhores; algumas usavam o báculo como os bispos; administravam, muitas vezes, vastos territórios com cidades e paróquias... Um exemplo, entre mil outros: no meio do século XII, cartulários nos permitem seguir a formação do mosteiro de Paraclet, cuja superiora é Heloisa; basta percorre-los para constatar que a vida de uma abadessa, na época, comporta todo um aspecto administrativo: as doações que se acumulam, que permitiam perceber ora o dízimo de um vinhedo, ora o direito às taxas sobre o feno e o trigo, aqui o direito de usufruir uma granja, e lá o direito de pastagem na floresta... Sua atividade é, também, a de um usufruidor, ou seja, a de um senhor. Quer dizer que, a par de suas funções religiosas, algumas mulheres exerciam, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens invejariam no presente.
Por outro lado, constata-se que as religiosas desta época — sobre as quais, digamos de passagem, ainda nos faltam estudos sérios — são na maioria mulheres extremamente instruídas, que poderiam rivalizar, em sabedoria, com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às monjas o grego e o hebraico. É de uma abadia de mulheres, a de Gandersheim, que provém um manuscrito do século X contendo seis comédias, em prosa rimada, imitação de Terêncio, e que são atribuídas à famosa abadessa Hrostsvitha, da qual, há muito tempo, conhecemos a influência sobre o desenvolvimento literário nos países germânicos. Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como prova de uma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Digamos, de passagem, que muitos mosteiros de homens e de mulheres ministravam instrução às crianças da região.
É surpreendente, também, constatar que a mais conhecida enciclopédia do século XII é da autoria de uma religiosa, a abadessa Herrade de Landsberg. É a famosa Hortus deliciarum (Jardim das delícias) na qual os eruditos retiravam os ensinamentos mais corretos sobre o avanço das técnicas, em sua época. Poder-se-ia dizer o mesmo das obras da celebre Hildegarde de Bingen. Enfim, uma outra religiosa, Gertrude de Helfa, no século XIII, conta-nos como se sentiu feliz ao passar de estado de “gramaticista” ao de “teóloga”, isto é, depois de ter percorrido o ciclo de estudos preparatórios ela galgara o ciclo superior, como se fazia na Universidade. O que prova que, ainda no século XIII, os conventos de mulheres permaneciam sendo o que sempre foram desde São Jerônimo, que instituiu o primeiro dentre eles, a comunidade de Belém: lugares de oração, mas, também, de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se a Escritura Sagrada, considerada como a base de todo conhecimento e, também, os elementos de saber religioso e profano. As religiosas são moças instruídas; portanto, entrar para o convento é o caminho normal para as que querem desenvolver seus conhecimentos além do nível comum. O que parece extraordinário em Heloísa é que, em sua juventude, não sendo religiosa e não desejando claramente entrar para o convento, procurava, todavia, estudos muito áridos, ao invés de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, de uma jovem desejando “viver no século”. A carta que Pedro, o Venerável lhe enviou o diz expressamente.
Mas há algo mais surpreendente. Se quisermos fazer uma idéia exata do lugar ocupado pela mulher na Igreja dos tempos feudais, é preciso perguntarmo-nos o que se diria, em nosso século XX, de conventos de homens colocados sob a direção de uma mulher. Um projeto deste gênero teria, em nosso tempo, alguma possibilidade de se realizar? E, no entanto, isto foi realizado com pleno sucesso, e sem provocar o menor escândalo, na Igreja por Robert d’Arbrissel, em Fontevrault, nos primeiros anos do século XII. Tendo resolvido fixar a incrível multidão de homens e mulheres que se arrastava atrás dele — porque ele foi um dos maiores pregadores de todos os tempos —, Robert d’Abrissel decidiu fundar dois conventos, um de homens, outro de mulheres;[v] entre eles se elevava a Igreja, único lugar em que monges e monjas podiam se encontrar. Ora, este mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não de um abade, mas de uma abadessa. Esta, por vontade do fundador, devia ser viúva, tendo tido a experiência do casamento. Para completar, digamos que a primeira abadessa que presidiu os destinos da Ordem de Fontevrault, Petronila de Chemillé, tinha 22 anos. Não acreditamos que, mesmo nos dias de hoje, semelhante audácia tivesse a menor oportunidade de ser considerada ao menos uma única vez.
Se se examinam os fatos, uma conclusão se impõe: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na igreja apresentou algumas diferenças daquele ocupado pelo homem (e em que medida não seria esta uma prova de sabedoria: levar em conta que o homem e a mulher são duas criaturas equivalentes, mas diferentes?), mas este foi um lugar eminente, que simboliza, por outro lado, perfeitamente o culto, insigne também, prestado à Virgem entre todos os santos. E é pouco surpreendente que a época termine por uma figura de mulher: a de Joana D’Arc, que, seja dito de passagem, não poderia, jamais, nos séculos seguintes, obter a audiência e suscitar a confiança que conseguiu, afinal.
É surpreendente, também, observar a rigidez que se produziu ao redor da mulher no extremo fim do século XIII. É por uma medida bastante significativa que, em 1298, o Papa Bonifácio VII decide para as monjas (cartuxas, cistercienses) a clausura total e rigorosa que elas conheceram a partir daí. Em seguida, não se admitirá mais que a religiosa se misture com o mundo. Não se tolerarão mais estas leigas consagradas, que foram as penitentes, no século XIII, que levavam uma vida igual a todos, mas que se consagravam por um voto religioso. No século XVII, principalmente, veremos as religiosas da Visitação, destinadas, por sua fundadora, a se misturarem com a vida quotidiana, obrigadas a se conformar com a mesma clausura das carmelitas; tanto que São Vicente de Paulo, para permitir às Irmãs de Caridade prestar serviço aos pobres, tratar dos doentes e cuidar das famílias necessitadas, evitará trata-las como religiosas e de faze-las proferir os votos: seu destino foi, então, de Visitadoras. Não se poderia mais conceber que uma mulher tendo decidido consagrar sua vida a Deus não fosse enclausurada; enquanto que, nas novas ordens criadas para os homens, por exemplo os Jesuítas, estes permaneciam no mundo.
Basta dizer que o status da mulher na Igreja é exatamente o mesmo que na sociedade civil e que tudo o que lhe conferia alguma autonomia, alguma independência, alguma instrução, lhe foi, pouco a pouco, retirado depois da Idade Média. Ora, como ao mesmo tempo a universidade — que admite apenas os homens — tenta concentrar o saber e o ensino, os conventos deixam, de modo gradativo, de ser os centros de estudo que tinham sido anteriormente; digamos que eles param, também, e muito rapidamente, de ser centros de oração.
A mulher se encontra, portanto, excluída da vida eclesiástica, como da vida intelectual. O movimento se precipita quando, no começo do século XVI, o rei de França mantém nas mãos a nomeação de abadessas e abades. O melhor exemplo continua sendo a Ordem de Fontevrault, que se torna um asilo para as velhas amantes do rei. Asilo onde se leva daí em diante uma vida cada vez menos edificante, porque a clausura tão rigorosa não demora a sofrer grandes alterações, confessadas ou não. Se algumas ordens, como a do Carmelo ou de Santa Clara, guardam sua pureza graças a reformas, a maior parte dos mosteiros de mulheres, no fim do Antigo Regime, é de casas de recolhimento onde as filhas caçulas de grandes famílias recebem muitas visitas e onde se jogam cartas e outros “jogos proibidos”, até tarde da noite.
Faltaria falar das mulheres que não eram nem grandes damas nem abadessas, nem mesmo monjas: camponesas ou citadinas, mães de família ou trabalhadoras. Inútil dizer que, para ser corretamente tratada, a questão reclamaria muitos volumes e, também, que exigiria trabalhos preliminares, que não foram feitos. Seria indispensável pesquisar não somente as coleções sobre os costumes ou os estatutos das cidades, mas, também, os cartulários, os documentos judiciários ou, ainda, os inquéritos ordenados por São Luís; [vi] destacam-se aí, colhidos na vida quotidiana, mil pequenos pormenores colhidos ao acaso e sem ordem preconcebida, que nos mostram homens e mulheres através dos menores atos de suas existências: aqui a queixa de uma cabeleireira, ali a de uma salineira (comércio do sal), de uma moleira, da viúva de um agricultor, de uma castelã, da mulher de um cruzado, etc.
É por documentos deste gênero que se pode, peça por peça, reconstituir, como em um mosaico, a história real. Ela nos parece aí, é inútil dizer, muito diferente das canções de gesta, dos romances de cavalaria ou das fontes literárias que tão freqüentemente tomamos por fontes históricas!
O quadro que se delineia da reunião desses documentos nos apresenta mais de um traço surpreendente, pois vemos, por exemplo, mulheres votarem como homens em assembléias urbanas ou nas das comunas rurais. Freqüentemente, no divertimos em conferências ou palestras diversas, citando o caso de Gaillardine de Fréchou, que diante de um arrendamento proposto aos habitantes de Cauterets, nos Pirineus, pela Abadia de Saint-Savin, foi a única a votar não, quando todo o resto da população votou sim. O voto das mulheres nem sempre é expressamente mencionado, mas isto pode ser porque não se via necessidade em faze-lo. Quando os textos permitem diferenciar a origem dos votos, percebe-se que, em certas regiões, tão diferentes como as comunas bearnenses, certas cidades de Champanha, ou algumas cidades do leste como Pont-à-Mousson, ou ainda na Touraine, na ocasião dos Estados-Gerais de 1308, as mulheres são explicitamente citadas entre os votantes, sem que isto seja apresentado como um uso particular do local. Nos estatutos das cidades indica-se, em geral, que os votos são recolhidos na assembléia dos habitantes sem nenhuma especificação; às vezes, faz-se menção da idade, indicando, como em Aurillac, que o direito de voto é exercido com a idade de vinte anos, ou em Embrun, a partir de quatorze anos. Acrescentamos a isto que, como geralmente os votos se fazem por fogo, quer dizer, lar, lareira, por casa, de preferência a por indivíduo, é aquele que representa o “fogo”, portanto, o pai de família, que é chamado a representar os seus; se é o pai de família que é naturalmente seu chefe, fica bem claro que sua autoridade é a de um gerente e de um administrador, não a de um proprietário.
Nas atas de notários é muito freqüente ver uma mulher casada agir por si mesma, abrir, por exemplo, uma loja ou uma venda, e isto sem ser obrigada a apresentar uma autorização do marido. Enfim, os registros de impostos (nós diríamos, os registros de coletor), desde que foram conservados, como é o caso de Paris, no fim do século XIII, mostram multidão de mulheres exercendo funções: professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, etc.
Não é senão no fim do século XVI, por um decreto do Parlamento, datado de 1593, que a mulher será afastada explicitamente de toda a função no Estado. A influência crescente do Direito romano não tarda, então, a confinar a mulher no que foi sempre seu domínio privilegiado: os cuidados domésticos e a educação dos filhos. Até o momento em que isto, também lhe será retirado por lei, porque, destaquemos, com o Código de Napoleão ela já não é nem mesmo a senhora de seus próprios bens e desempenha, em sua casa, papel subalterno. Embora desde Montaigne até Jean-Jacques Rousseau sejam os homens que elaborem tratados sobre a educação, o primeiro, publicado na França foi de uma mulher, Dhuoda, que o elaborou (em versos latinos) por volta de 841-843, para uso de seus filhos. [vii]
Há alguns anos, certas discussões ocorridas a respeito da questão da autoridade paterna, na França, foram muito desconcertantes para o historiador da Idade Média; realmente, a idéia de que foi necessária uma lei para dar à mulher direito de olhar pela educação de seus filhos teria parecido paradoxal nos tempos feudais. A comunidade conjugal, pai e mãe, exercia conjuntamente, então, a função da educação e da proteção dos filhos, assim como, eventualmente, a administração de seus bens. É verdade que a família era concebida em um sentido mais amplo; esta educação causa infinitamente menos problemas, porque ela se faz no meio de um contexto vital, de uma comunidade familiar mais abrangente e mais diversificada do que hoje, pois não está reduzida à célula inicial pai-mãe-criança, mas comporta também os avós, colaterais, domésticos no sentido etimológico do termo. O que não impede que a criança tenha, eventualmente, sua personalidade jurídica distinta; assim, se ela herda bens próprios (legados, por exemplo, por um tio), estes são administrados pela comunidade familiar, que, em seguida, deverá prestar-lhe conta.
Poder-se-ia multiplicar assim os exemplos, com pormenores fornecidos pela história do Direito e dos costumes, atestando a degradação do lugar ocupado pela mulher entre os costumes feudais e o triunfo de uma legislação “à romana”, da qual nosso Código ainda está impregnado. Seria melhor que, na época em que os moralistas queriam ver “a mulher em casa”, fosse mais indicado inverter a proposição e exigir que o lar fosse da mulher.
A reação só chegou em nossos tempos. Entretanto, ela é, digamo-lo, muito decepcionante: tudo se passa como se a mulher, eufórica pela idéia de ter penetrado no mundo masculino, continuasse incapaz da força da imaginação suplementar, que lhe seria necessária, para levar a este mundo seu traço particular, precisamente aquele que faz falta à nossa sociedade. Basta-lhe imitar o homem, ser julgada capaz de exercer as mesmas funções, adotar os comportamentos e até os hábitos de vestir do seu parceiro, sem mesmo se questionar sobre o que é realmente contestável e o que deveria ser contestado. Seria o caso de se perguntar se ela não está movida por uma admiração inconsciente, o que podemos considerar excessivo, por um mundo masculino que ela acredita necessário e suficiente copiar com tanta exatidão quanto possível, seja perdendo ela própria sua identidade, ou negando antecipadamente sua originalidade.
Tais constatações levaram-nos bem longe do mundo feudal; elas podem, em todo o caso, levar ao desejo que este mundo feudal seja um pouco mais bem conhecido, dos que crêem, de boa fé, que a mulher “sai enfim da Idade Média”: elas têm muito que fazer para reencontrar o lugar que foi seu nos tempos da rainha Eleonora ou da rainha Branca...

Idade Média: O Que Não Nos Ensinaram, Capítulo VI, Editora Agir, Rio de Janeiro 1978.