segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Angústia e Relacionamento



Assisti no Café Filosófico na Rede Cultura de Televisão um programa em que Ivan Capelatto abordou um tema deveras instigante sobre Amor e Angústia, tema o qual, todos nós tarólologos nos deparamos em nossas consultas. As queixas são similares na maioria das consultas, salvo raras exceções.


Ivan ressalta que a Angústia é a mãe do medo, do amor, do ódio e que não existe a possibilidade do homem viver sem ela. A angústia é e será sempre eterna.

O homem necessita fazer vínculos, acreditar numa religião justamente para aplacar a dor da angústia de não saber de onde vem e nem para onde vai . Estamos sós nesta bolinha azul que gira num grande galáxia e isso angustia, a dúvida angustia.


Se acredito que Deus é bom e nutro minha fé nessa bondade, quando por exemplo, perco um ente querido de forma trágica, meus familiares me dizem: Deus quis assim, faz parte de seu Karma. Que Deus bom é esse, que não poupou a vida deste meu familiar? Onde está Deus? E a terrível angústia volta a afligir meu coração e pensamentos.O que é Deus? Será que estou sózinho mesmo?


O fato da angústia ser eterna faz com que o homem para poder sobreviver crie vínculos e procure parcerias. Hoje está na moda o ficar. O problema do ficar é mascarar a angústia e não sair da fase narcísica, ou seja, quanto mais meninas (os) eu fico, mais eu me acho gostoso(a) e fico mais autocentrado , ou seja, mais fechado. A relação de amor só começa depois de passada a fase narcísica de possuir alguém e fazer alarde de como você é bom!


Uma das características da fase narcísica é acreditar na onipotênciade de que vai mudar o outro no futuro da relação ou no casamento. Quando estamos narcísicos dizemos: Ele ronca, mas é uma gracinha roncando, mas lá na frente do relacionamento o ronco deixa der ser bonitinho e torna-se angustiante, irritante...


Uma relação afetiva passa por várias fases. Da fase narcísica e social, o casal sai com amigos, vai a barzinhos, começa a fase psicológica das reclamações e angústias paralelas. A mãe de um deles tem diabetes e preocupa, o outro tem problemas na empresa em que trabalha, enfim, a realidade toma conta da relação. Mesmo que haja carinho e afeto existem preocupações e aí torna-se maduro e essencial que se tenha paciência e ouvidos para escutar as angústias do outro, ou o que o mais forte dentro da relação tenha essa compreensão e cuide de seu parceiro(a).


Relacionamento afetivo e casamento só dão certo se ambos tiverem estrutura para aguentar frustrações.Ninguém vive uma lua- de -mel eterna!


No ritual de casamento o padre faz o anúncio da angústia: Na saúde e na doença, na tristeza e na alegria até que a morte (física ou não) vos separe.A angústia é anunciada para todos e repetida pelos noivos!


Ser feliz numa relação é ter a capacidade de trocar angústias e existe romantismo nisso!Se existe angústia por conta de problemas materias ou problemas com os filhos é necessário que o mais forte dentro da relação apresente soluções para seu companheiro e não varra a angústia para debaixo do tapete. As angústias entre o casal necessitam ser renovadas e administradas com sabedoria e cuidado. Isso sim é amor de verdade!


Repasso a entrevista por achá-la profunda e sábia!

Tarô : O Carro


VITÓRIA
FORÇA DE VONTADE
AUTO-AFIRMAÇÃO
CONTROLE SEVERO

alcançar a vitória
alcançar seu objetivo
vencer, ser bem sucedido dominar, estar no topo
vibrar com a competição
usar a força de vontade
estar determinado a ter sucesso
focado em sua intenção
estar acima das tentações
não permitir-se nenhuma distração
sustentar seu empenho
concentrar suas energias
fixar-se num objetivo
auto-afirmação
focalizado no ego
estabelecer uma identificação
conhecer quem você é
sentir-se auto-confiante
ter fé em si mesmo
cuidar de seus interesses
alcançar controle total
sobrepujar as emoções
frear os impulsos
manter a disciplina
conter a raiva
entender seu caminho
assumir as rédeas do poder
mostrar autoridade

A figura de Júlio César monta essa carruagem triunfalmente em direção a Roma. Ele venceu seus inimigos e conquistou vastas e novas terras. Este é o espírito da Carruagem. A Carta 7 representa a vitória que é possível alcançar através da força de vontade e do auto-controle. A imagem do militar é apropriada porque esta carta significa a resistência associada ao combate - disciplina, coragem, determinação e assertividade.
A Carruagem representa os aspectos positivos do ego. Um ego saudável é forte e repleto de segurança. Ele sabe o que quer e como obter. Podemos nos perturbar com alguém cujo ego é tão saudável, que freqüentemente nos voltamos para ela, para que nos guie em momentos difíceis. Nós sabemos que ele ou ela não será um fracote.
Nas leituras, freqüentemente aparece quando o controle severo está ou estará em evidência. Na melhor das hipóteses, o controle não é brutal, mas firme e direto. É respaldado por uma grande força de vontade e imensa segurança. Esta carta pode significar auto-controle ou o controle do meio-ambiente. Também representa vitória. Há muitos tipos de vitória; a Carruagem é do tipo ganhar ou perder. Seu sucesso vem da derrota de outro numa competição, na qual se torna o número um. Tais momentos se tornam gloriosos em circunstâncias apropriadas.
Traduçãp: Learning Tarot

Tarô : Os Amantes, O Enamorado


RELACIONAMENTO
SEXUALIDADE
CRENÇA PESSOAL
VALORES
AÇÕES
relacionar-se com os outros
estabelecer ligações
sentir amor
formar uma união ou casamento
confirmar parentescos
simpatizar com os outros
chegar mais perto
fazer conexões
estar íntimo
ser sexual
procurar uma união
experimentar desejos
fazer amor
abrir-se a relacionamentos
responder com paixão
sentir atração física
sugar a energia interna
estabelecer crenças pessoais
examinar opiniões que recebe
compreender onde se sustenta
permanecer fiel a si mesmo
ter sua própria filosofia
guiar-se por seus próprios padrões
faze seu próprio pensamento
determinar valores
esforçar-se
escolher entre o certo e o errado
encarar uma escolha ética ou moral
repelir a teoria de que os fins justificam os meios
descobrir com o que você se importa
DESCRIÇÃO
Os Amantes é a única carta que é fácil de lembrar. Amor e sexo são assuntos fixos e, como você esperava, essa carta representa ambos. O desejo por uma união é poderoso, e, nesta forma elevada, nos leva além de nós mesmos. Isto porque um anjo abençoa o laço entre o homem e a mulher nesta carta.
Nas leituras, freqüentemente se refere a uma relação que é baseada em amor profundo – uma poderosa força sobre todos. O relacionamento pode não ser sexual, embora freqüentemente seja ou será. Os Amantes pode representar a força de atração que liga quaisquer duas entidades em um relacionamento – podem ser pessoas, idéias, movimentos ou grupos.
A Carta 6 também pode significar uma escolha rígida e o questionamento que surge com ela. Em alguns baralhos, mostra um homem entre duas mulheres - uma virgem e uma sedutora. De preferência um ultrapassado triângulo simboliza os grandes dilemas quando tentamos escolher entre o certo e o errado.
Os Amantes pode indicar uma encruzilhada ética ou moral – um ponto decisivo onde você deve escolher entre a estrada principal e o caminho alternativo. Esta carta também pode representar suas crenças pessoais porque faz você se decidir se deve permanecer onde está. Seu próximo caminho pode significar ir contra aqueles que te encorajam a ir numa direção que é errada para você.
Tradução do Learning Tarot

O Papa, o Hierofante


EDUCAÇÃO
FÉ NO SISTEMA
CONFORMIDADE
IDENTIFICAÇÃO COM O GRUPO

AÇÕES
obter educação
perseguir o conhecimento, tornar-se informado, aumentar o entendimento, estudar e aprender, procurar um profundo significado, descobrir mais
ter crença no sistema
repartir o patrimônio cultural, aprender uma tradição religiosa, cumprir cerimônias e rituais, identificar-se com uma visão de mundo, seguir uma disciplina, conhecer onde colocar sua fé,
adequar-se
seguir as regras, ter uma visão conservadora, permanecer nos padrões convencionais, adaptar-se ao sistema, adaptar-se cooperar com o programa, fazer o que é esperado ,fazer parte de uma Instituição
identificar-se com um grupo
estar comprometido com uma causa, devotar energia ao grupo, união e organização, trabalhar como parte de um time,
sentir-se leal aos outros, fazer parte de um ambiente institucionalizado.

DESCRIÇÃO
Exceto em casos raros, todo homem cresce e se desenvolve dentro de uma cultura. Nós aprendemos sobre a vida com os outros. O Hierofante representa este ensino oficial, especialmente nos grupos. Ele é alguém que interpreta os conhecimentos secretos. Na Carta 5 vemos uma figura religiosa no ambiente formal de uma igreja. Está vestindo vestimentas elaboradas no seu ofício. Sua tarefa é trazer os dois iniciados para a igreja para então eles exercerem suas funções.
Além das igrejas, há as escolas, clubes, times, companhias e sociedades. O Hierofante representa todas elas porque seu reino é o dos grupos estruturados com regras e funções determinadas. Como o meio-ambiente, enfatiza a crença nos sistemas – fatos, regras, procedimentos e rituais. Membros são recompensados por seguir as convenções. Ele desenvolve a identidade de grupo. O Hierofante é uma das três cartas que são focadas no grupo. (O 3 de Copase o 3 de Ouros são as outras).
Nas leituras, freqüentemente representa aprendizado com experts ou sábios professores. Esta carta também significa instituições e seus valores. É um símbolo da necessidade de adequar-se às regras ou situações fixas. Quando aparece pode mostrar que o consulente está lutando com uma força que não é inovadora, individual, ou estimulante. Os grupos podem enriquecer ou reprimir, depende das circunstâncias. Algumas vezes nós precisamos seguir uma programação ou abraçar uma tradição, em outras, precisamos confiar em nós mesmos.

Tradução do Learning Tarot

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Tarot - O Imperador


O IMPERADOR
PATERNALISMO
ESTRUTURA
AUTORIDADE, REGULAMENTOS

Ações
paternalismo
estabelecer uma linhagem familiar
demarcar a direção e o tom
proteger e defender
orientar o crescimento
trazer segurança e conforto
oferecer explicações
enfatizar as estruturas
criar ordem em meio ao caos, ser sistemático,promover os modelos e conceitos
ser organizado
aplicar a razão
coordenar
fixar um plano
exercitar a autoridade
conquistar um cargo de liderança
comandar
exercer controle
representar uma instituição
estar numa posição de força
entrar em contato com oficiais
indicar a direção
regular
estabelecer a lei e a ordem
operar através de princípios honestos
aplicar regras ou guias
trabalhar em conformidade com o sistema legal
estabelecer padrões de comportamento
seguir um regime

DESCRIÇÃO


A figura do Imperador fala sobre as qualidades essenciais dessa carta. Nós vemos um comandante severo sentado num trono de pedra. Suas costas estão eretas, e ele olha em nossa direção, ciente de sua completa autoridade para governar.
O Imperador representa estrutura, ordem e regulamentos – forças para balancear o livre fluxo, o gasto abundante da Imperatriz. Ele defende um mundo sólido onde é o momento de educar, jogos são jogados através de regras, e oficiais no comando são respeitados. Em situações caóticas, pode indicar a necessidade de organização. Conclusões imprecisas devem seguir certas obrigações e elementos conflitantes devem ser dominados. Em situações que já estão controladas, ele sugere estreitar os efeitos dessas limitações.
Esta carta pode representar um encontro com uma autoridade ou a compreensão do poder e do controle. Como um regulador, é freqüentemente associado com assuntos legais, ações disciplinadas e funcionários de todas as espécies. Também pode significar um indivíduo que seja um pai ou o arquétipo Pai na função de guia, protetor e provedor.

Tradução do curso Learning Tarot

Tarot - A Imperatriz

A IMPERATRIZ
MATERNIDADE
ABUNDÂNCIA
SENSO
NATUREZA
AÇÕES
maternidade
nascimento, nutrir a vida ,educar e tomar conta dos outros .Amor ao mundo, expressar ternura,trabalhar com crianças
receptiva, abundância
gostar de excessos, receber abundante, recompensa, luxúria, farta, ter mais do que o suficiente, sentir-se rico
experimentar os sentidos
dar e receber aplausos,focar-se no corpo, na aparência própria, apreciar a beleza, sentir uma energia saudável
sentir o plano material, físico
fazer atividades físicas

responder à Natureza
relacionar-se com plantas e animais
abraçar a natureza
sentir-se conectado com a Terra,ficar ao ar livre
harmonizar-se com os ritmos naturais
Imperatriz e a Sacerdotisa são duas metades do arquétipo feminino nos arcanos maiores. A Imperatriz representa a fertilidade, a vida gerada pela Mãe que reina sobre a natureza e os ritmos da Terra. Quando ela aparece, todos os prazeres e contentamentos dos sentidos e a abundância de uma nova vida se forma. Esta carta te encoraja a fortalecer suas conexões com o mundo natural que é a base da sua existência. Muito freqüentemente, falsas sofisticações e prazeres nos levam para longe de nossas rotas. Ela permite que você se lembre de manter seus pés plantados na Terra.
Nas leituras, esta carta pode se referir a qualquer aspecto da Maternidade. Pode ser a pessoa de uma mãe, mas como é um arcano maior, ela também pode significar que você ou alguém da sua convivência representa detalhes específicos da essência da maternidade – a criação da vida e seu sustento através do carinho e da atenção.
A Imperatriz também pode representar ilimitada abundância de todos os tipos. Ela oferece a cornucópia dos deleites, especialmente os dos sentidos - comida, prazer e beleza. Pode sugerir recompensa material, mas apenas com o entendimento de que as riquezas combinam a generosidade com o espírito aberto. A Imperatriz te convida a adotar o princípio da vida e desfrutá-lo com generosa bondade.
Tradução Learning Tarot

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Arquétipos


Quando falamos em Arquétipos, pensamos logo em símbolos, algo mais próximo do que podemos conceituar. Só que esse termo já está bem definido e conceituado, e não é nada disso do que costumamos pensar.


O termo "Arquétipo" foi usado por filósofos neoplatônicos, como Plotino, para designar as idéias como modelos de todas as coisas existentes, segundo a concepção de Platão. Nas filosofias teístas, o termo indica as idéias presentes na mente de Deus. Pela confluência entre neoplatonismo e cristianismo, o Arquétipo foi incorporado à filosofia cristã, por Agostinho, até vir a ser usado academicamente por Carl Gustav Jung, na psicologia analítica, para designar a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar. Ou seja, os modelos inatos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique.


É nesta aplicação psicológica que costumamos encontrar as distorções. Portanto, vejamos este texto de Lázaro Freire, que trata de desfazer alguns enganos:
Não existem "Arquétipos do Tarot", nem o "Arquétipo de Ísis", nem o "Arquétipo do Leão", nem outros absurdos esquisotéricos que ouvimos por aí. Arquétipos estão numa camada muito mais profunda e amorfa. Senão, não são mais Arquétipos, e sim mitos criados para que possamos lidar com eles dentro de uma referência cultural ou simbólica.


Se falam do conceito original, formulado por Jung (mas estuprado e distorcido por todos que quiseram dar um certo ar "científico" aos seus credos), o Arquétipo é quem cria os deuses. É como o buraco da forma de gelo. Não há, portanto, Arquétipo de Maria, nem de Pacha Mamma, nem de Ísis, nem de Lakshimi, nem da Deusa, nem da Imperatriz do tarot. Mas há um Arquétipo UNIVERSAL da Grande Mãe, algo sem forma, sem mito, que está presente no inconsciente coletivo da humanidade, e que fará qualquer povo de qualquer lugar, mesmo se isolado numa ilha ou planeta, daqui há algum tempo arrumar alguma deusa ou figura similar para preencher o buraco psíquico deixado por este arquétipo.


Um dos mais conhecidos é o do Herói, e explica - dentre mil outras coisas - o gosto de muitos por filmes de ação, o acompanhamento de olimpíadas e torneios, e até mesmo porque muito sujeito aparentemente normal e pacífico é possuído por um misto de curiosidade, hipnose e sangue na boca quando vê, num telão desses, algum vale-tudo, jiu jitsu ou luta de boxe.


Se Deus criou tudo, quem criou Deus?
Resposta junguiana óbvia: O Arquétipo.
A "encarnação" de um Arquétipo, seja em um deus, seja em uma carta de tarot, seja na parte do Todo que atribuimos a um signo zodiacal, a um personagem de uma saga de ficção, a um dos tipos do eneagrama, a um santo do catolicismo, não são mais ARQUÉTIPOS. São "mitos". No melhor do sentido da palavra, que não tem nem um pouco de ficcional (embora esteja presente na ficção).


Note também que Arquétipos são COLETIVOS. Necessariamente! A somatória de situações pessoais na lida, por exemplo, com o Arquétipo ou simbolismo do "Pai", do "Poder", são chamadas de Complexos.


Ou seja, PAI tem função simbólica que nos remete a regras, a herança, expectativa, falo, masculino, algum poder. Já o GRANDE PAI é um Arquétipo, algo que faz projetarmos um "pai" coletivo na figura de um grande Deus masculino que tudo vê, como é comum na religião ocidental (note que nao tem nada a ver com o Todo do Tao e de Bhraman). Cada pessoa pode ter uma relação diferente com essas idéias. Como, por exemplo, com o "PODER": Criado resistindo a uma ditadura militar em regime corrupto capitalista, numa noção de ética dos 70 e 80 que faria Delúbio, Valério e cia parecerem fichinha, minha geração certamente não reage ao conceito de "PODER" do mesmo modo que norte-americanos, que consideram a palavra positiva. Aqui, poderoso é pejorativo. Lá, vende mais o livro que usa "The Power Of..."


Isso são COMPLEXOS, ou seja, amontoados de experiências que permeiam nossos conceitos. Note que o termo não é negativo ou necessariamente patológico como no uso popular (complexado). Quando lidamos com o feminino, por exemplo, apenas em parte estamos lidando com a mulher ÚNICA de carne-osso-alma-sentimentos que temos à nossa frente. De certo modo, fazemos ela vestir o nosso complexo de feminino, de mãe, de Anima (este sim um arquétipo), de outros relacionamentos... E repetimos padrões sem perceber.


Mas não é certo dizer que estou projetando o meu Arquétipo de mãe, e muito menos o da Grande Mãe. Entretanto, a somatória coletiva de todos os Complexos, e dos conceitos inconscientes que o originaram, foram, aí sim, um grande Arquétipo inconsciente e coletivo universal. Ou, em efeito Tostines, por ele foi formado.


Voltando aos Arquétipos: Se deixarem de acreditar em um Deus, ele desaparece? Provavelmente sim. Mas o Arquétipo que o originou fará que sua função seja ocupada, em outra mitologia, por algum outro conceito substituto.


Aliás, vários termos hoje populares vêm da linguagem junguiana: Introvertido, Extrovertido, Complexos, Arquétipos, Inconsciente coletivo, Anima. Nem preciso dizer que quase todos são usados de forma equivocada, e não raro distorcidos para fins esquisotéricos e/ou comerciais. Pobre Jung, logo ele, tão acadêmico e preocupado com fundamentação...

Regras para ser um péssimo tarólogo



1-Afirmar que o tarô veio do Egito, ou melhor da Atlântida.

2-Afirmar que tarô é intuição e vidência e não é preciso estudo.

3-Escolher um apelido bem exótico.

4-Método? Para que método?

5- Perguntas objetivas não são importantes porque o guia sabe tudo.

6- Depois de escolher um apelido exótico, escolher uma roupa exótica também.

7- Afirmar que em sua vida passada você foi queimada pela Inquisição.

8-Trabalhar só com os Arcanos Maiores.

9- Ignorar os Arcanos Menores e dizer: são menores,não tem importância!

10-Ignorar qualquer estudo porque o inconsciente coletivo sabe tudo.

11-Dizer que foi para o Peru e encontrou o cordão de prata da Shirley Maclaine

12-Se a intuição falhar dizer para o cliente que o seu tarô está fechado.

13- Fazer consultas com cara de mistério, olhando fixamente no ponto entre as sombrancelhas do cliente.

14- Enaltecer sua vida passada e seus guias.Guia tem que ter prestígio, não pode ser um zé ninguém.

15- Descrever com detalhamento preciso a localização do Templo Egípcio onde foram encontradas todas as lâminas pintadas.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Perguntas Adequadas ao Tarô




A pergunta é uma das condições essenciais para consultar o Tarô.A experiência ensina que a resposta do Tarô correspone exatamente à pergunta formulada.Uma pergunta clara leva a uma resposta clara.Uma pergunta séria leva a uma resposta séria.Quando a pergunta não foi formulada não existe resposta.Quando a pergunta é absurda, o mesmo acontece com a resposta.E quando a pergunta é leviana e se deve a um mero "capricho", é claro que a resposta também parecerá "leviana". Além disso, é preciso levar em conta não só o que você deseja saber, mas até que ponto você está sendo "sincero". Se o futuro não se mostra a nós como um livro aberto, é por um bom motivo, e você também pode ter bons motivos para não querer saber alguma coisa.


Não se deve brincar com o Tarô nem desafiá-lo, pois, como diziam os gregos da Antiguidade: " faça ao oráculo só as perguntas cujas respostas você está disposto a ouvir"
A pergunta pode ser formulada em voz alta ou baixa, pode ser repetida várias vezes ou anotada num papel.Faça como quiser.Nenhum método é melhor que o outro.O mais importante é ter certeza absoluta da pergunta que você fez, e depois não pensar mais nela, escolhendo, revirando e interpretando as cartas com toda a tranquilidade e descontração.Formule a pergunta da mesma forma como lhe ocorreu no pensamento.Não tente torná-la mais lógica ou mais bonita.Basta ter clareza naquilo que você quer perguntar e deseja saber.Para evitar confusão, não misture vários assuntos ou acontecimentos na mesma pergunta. Ao invés disso, deite as cartas separadamente para cada assunto e claro com o método adequado.

Hajo Banzhaf

Metodologia e Tarô



Pense em si mesmo como um astronauta, lançado do cabo Kennedy em uma espaçonave, na época de seu nascimento.No Controle da Missão, em Houston, cada fator contolando o seu vôo foi calculado antes da decolagem: é possível que todos os ajustamentos sejam feitos antes de seu vôo, para que, se nada der errado - e se antes de mais nada, você não fizer coisa alguma - a espaçonave o leve automáticamente a seu destino. Às vezes , contudo, acontecem erros: uma pequena interrupção no fornecimento de combustível, uma célula solar que se carrega como não deveria, uma ligação elétrica que se solta.E você, entediado naquele ambiente entulhado, pode começar a interferir na operação da nave.Talvez seja um leve movimento de corpo desequilibrando o aparelho ou você pode decidir-se a mexer nos botões.Em Houston, mudanças mínimas no vôo da nave serão detectadas muito antes de você notá-las, sendo-lhes possível corrígi-las através da orientação vinda pelo rádio.



O Tarólogo, o Astrólogo podem ser comparados ao Centro de Controle da Missão. Através de estudos e métodos, eles tomam consciência de seu plano de "vôo original" (mapa astral) e no caso do Tarô (momento presente que pode estar conturbado) o quanto você desviou dele. Podem aconselhá-lo sobre as modificações a serem feitas, para que se evite o desastre.As direções do mapa astral , as disposições das cartas dentro dos métodos de tiragens no Tarô, fornecem um foco de concentração que os deixará em "sintonia" com você.



Mesmo não aceitando a idéia da existência de tal plano de vôo - se acredita que seu vôo através do tempo e do espaço começaram acidentalmente - você está cônscio desse vôo e do que faz para controlá-lo; como experiente engenheiro de vôo, o conselheiro psíquico e sério, poderá alertá-lo sobre o provável resultado de seus atos.É este o significado e o valor da "interpretação"e da metodologia no tarô e nas direções astrológicas.



segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A Sacerdotisa


INAÇÃO
PENSAMENTO INCONSCIENTE
POTENCIAL
MISTÉRIO

  • AÇÕES
    permanecer inativa
    não se envolver, não intervenção no acontecimento de eventos, ser receptivo a influências, tornar-se calmo, passividade, esperar pacientemente
    acessar o inconsciente
    usar da sua intuição, procurar guiar-se pelo interior
    ouvir sua voz íntima, ser aberto aos sonhos e imaginação,tornar-se consciente da grande realidade
    visão do potencial
    entender as possibilidades .abrir-se a possibilidades
    visão dos talentos ocultos, deixar desenvolver, permitir que exista o florescimento,
    sente o mistério
    enxergar além do óbvio, aproximar-se de uma “área fechada”,abrir-se ao desconhecido,lembrar algo importante
    sentir o secreto e o oculto
    perseguir o que está oculto
    admitir a Escuridão

DESCRIÇÃO
A Sacerdotisa é a guardiã do inconsciente. Ela está sentada na frente do fino véu do desconhecido que é tudo que nos separa de nosso jardim interno. Guarda em seu próprio interior os segredos desse reino e nos oferece o silencioso convite: "Seja tranqüilo e saberá que sou Deus".


A Sacerdotisa é o princípio feminino que equilibra a força masculina do Mago. O arquétipo feminino no tarot está dividido entre a A Sacerdotisa e a Imperatriz. Esta carta é o desconhecido misterioso que a mulher freqüentemente representa, especialmente nas culturas que se focam no tangível e conhecido. A Imperatriz representa a função feminina como a face externa da vida.


Nas leituras, esta carta propõe o desafio de ir ao fundo – a olhar através do óbvio, da superfície, para ver o que está escuro e escondido. Ela também te convida a trazer à tona a vastidão do seu potencial e lembrar as ilimitadas possibilidades escondidas dentro de você. A Sacerdotisa pode representar um tempo de espera e inatividade. Não é sempre necessário agir para atingir seus objetivos. Algumas vezes eles podem ser realizados através da imobilidade que nos dá uma chance de florescer por dentro o tempo todo.

Tradução do Learning Tarot


O Mago


AÇÃO
PENSAMENTO CONSCIENTE
CONCENTRAÇÃO
PODER
AÇÕES
tomar partido, fazer o que é preciso ser feito, realizar seu potencia, trabalhar com possibilidades reais, praticar aquilo que prega, executar seus planos, produzir resultados mágicos, usar seus talentos .
  • atitude consciente
    saber o que faz e porquê, reconhecer suas motivações, entender suas intenções, examinar a situação reconhecida
  • concentração
    possuir sinceridade em seus propósitos
    comprometido com o que faz, aplicar a força à sua vontade centrado e desprezar distrações focado em seus objetivos
    sentimento de poder
    causar um grande impacto ,vitalidade de produzir milagres
    energia própria

DESCRIÇÃO
O Mago é o arquétipo da atividade, princípio masculino – um moderno executor. Ele simboliza o poder de espremer as forças do universo e usá-las em seus intentos criativos. Note sua posição na imagem. Ele empunha uma vara reluzente – uma arma estendida para cima, puxando a inspiração celestial; a outra mão aponta para a Terra para aterrar esta potente energia. Suas habilidades parecem mágicas às vezes porque sua vontade o ajuda a alcançar feitos que parecem milagres.


O que faz o Mago tão poderoso? Primeiro, ele não tem medo de ação. Acredita em si mesmo e concorda em usar sua crença até o limite. Ele também sabe o que pretende e por que. Não hesita porque entende exatamente a própria situação. O Mago pode focar-se com ingênua determinação. Enquanto lembrar a origem divina de seu poder, será o perfeito canal dos milagres.


Em uma leitura, implica que as forças primárias da criatividade são suas se você invocar seu poder e agir com consciência e concentração. Esta carta é um sinal de agir e produzir agora, com a condição de que você entenda exatamente o que quer e comprometa-se a fazê-lo.
vigoroso e criativo.

Tradução do Learning Tarot

O Louco



O PRINCÍPIO
ESPONTANEIDADE

APARENTE TOLICE
  • AÇÕES
    princípio
    entrar em nova fase e iniciar um novo caminho
    expandir horizontes ,começar algo novo, entrar em uma aventura,sair para uma jornada,rumar ao desconhecido.
    espontaneidade
    viver o momento, não possuir expectativas, fazer o inesperado, agir por impulso, não possuir limites ,surpreender alguém, sentimento de despreocupação
    possuir fé
    ter confiança no fluxo da vida ,permanecer aberto, não se importar com aborrecimentos e medos
    sentir-se protegido e amado ,viver para a diversão,readquirir a inocência,ser crédulo
    cultivar a tolice
    aceitar suas escolhas
    tomar o caminho “do tolo”perseguir “castelos no ar”
    ser sua própria verdade,pegar chances “malucas”
    acreditar nos desejos de seu coração
  • DESCRIÇÃO

Como a Carta 0, O Louco situa-se no começo dos Arcanos Maiores, mas também está, de certa forma, à parte das outras cartas. Nas cortes medievais, o bobo da corte era alguém que se esperava que não seguisse as mesmas regras dos outros. Ele podia observar e então espocar um gracejo. Isto faz do Louco um ser imprevisível e cheio de surpresas. Ele nos faz lembrar do potencial ilimitado e da espontaneidade inerente em todos os momentos. Há uma sensação de que esta carta sirva em qualquer situação – nada é certo ou regular. O Louco acrescenta o novo e o não familiar à situação.

O Louco também representa a completa fé de que a vida é boa e digna de confiança. Alguns podem achá-lo muito inocente, mas sua inocência o sustenta e lhe traz alegria. Nas leituras, pode significar um novo começo ou mudança de direção – uma que irá te guiar por um caminho de aventura, mistério e crescimento pessoal. Ele também te faz manter sua fé e confiar na sua intuição. Se você está frente a uma decisão, ou a um momento de dúvida, O Louco te diz para acreditar em si mesmo e seguir seu coração não importando quão louco ou tolo seus impulsos pareçam ser.

Tradução do Learning Tarot

segunda-feira, 30 de julho de 2007





Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque você escutou. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e fofocado por muitos. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi encontrado escrito em seus livros religiosos. Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos. Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por gerações. Mas após observação e análise, quando você descobre que qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de um e todos, então aceite e viva para isso".
(Siddartha Gautama, o Buda)



“Somos o que pensamos.
Tudo o que somos surge com nossos pensamentos.
Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”.



Dominar-se a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha.


O segredo da saúde da mente e do corpo está em não lamentar o passado, em não se afligir com o futuro e em não antecipar preocupações; mas está no viver sabiamente e seriamente o presente momento.


Cada um é senhor de si mesmo, deve depender de si próprio; deve, portanto, controlar-se a si próprio.


Sidharta Gautama ( Buda)


segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Rainha de Espadas - Notas sobre um escândalo



Site Oficial: www.foxsearchlight.com/NOAS


Sinopse:


Barbara Covett (Judi Dench) é uma professora solitária e dominadora, que controla com mão de ferro os alunos de uma decadente escola pública de Londres. Barbara vive apenas com seu gato, Portia, não tendo amigos nem parentes. Sua vida muda quando a escola em que trabalha contrata Sheba Hart (Cate Blanchett) como a nova professora de artes. Sheba parece ser a amiga com que Barbara sempre sonhou, atenciosa e leal. Porém quando Sheba passa a se envolver com Steven Connolly (Andrew Simpson), um de seus alunos mais jovens, esta amizade torna-se perigosa, pois Barbara ameaça revelar seu segredo para o marido dela, Richard (Bill Nighy), e para todos à sua volta.


Barbara Covett (Judi Dench) encarna uma Rainha de Espadas de uma forma absoluta.A vida deserta, a aridez da solidão, o ressentimento, a raiva, o ciúme atormentam sua vida.A Rainha de Espadas é uma sobrevivente e como tal não deve ser ignorada. A espada erguida em riste está pronta para a luta e o corte.

No I Simpósio Paulista de Tarô o meu tema foi sobre Neurociência, ou seja a relação das cartas do Tarô, precisamente o Naipe de Espadas, com determinadas áreas do cérebro.

O Homem não pode negar sua ancestralidade e dentro de cada um de nós vive um crocodilo que delimita seu território. O naipe de espadas não retrata apenas as tempestades mentais oriundas do ar.Existe algo mais além!

Vou deixar de lado essa tese, porque vou aprofundá-la num próximo Workshop.Voltemos ao filme!

Barbara premedita sempre sua forma de agir.Sua camuflagem é a da professora que impõe respeito e da velha solteirona que vive com seu gato.Quando os seu desejos não são realizados, a defesa do território e a destruição do seu alvo tornam-se o foco de sua vida. Os répteis sempre focam!

A Rainha de Espadas é estéril, dura, amarga, ressentida.Gosto muito da Rainha de Espadas do Tarô da Nova Visão. Ao fundo e à direita da lâmina, três homens carregam o esquife de alguém que ela acabou de mandar matar. A Rainha de Espadas corta, mina, invalida.Ela é supressiva e não muda!

A tendência do supressivo é fazer o outro de errado, ele não tem confronto.Quando falo em confronto é no sentido de olhar para dentro de si mesmo e enxergar que o errado na estória é você.Poucas pessoas tem confronto.Ignorar é mais fácil, como também, culpar o outro.Dá menos trabalho!

Não deixem de assistir! O filme é perfeito!

domingo, 17 de junho de 2007

Tudo eu, tudo eu!



Momento onde o indivíduo sente-se sobrecarregado.O fogo de paus aqui oprime.

O entusiasmo é substuído pela responsabilidade, pelo esforço.

Ultimamente, ando Dez de Paus e única frase que me vem à cabeça é:

Tudo eu! Tudo eu!

Mas não desisto...

Teimosa!

A Voz do Diabo





Deus? É isso? Deus?


Então, deixe-me lhe dar uma pequena informação especial sobre Deus.


Deus gosta de observar.É um brincalhão.


Ele dá ao homem...


os instintos mais incontroláveis.


Dá esse dom extraordinário e depois o que faz?


Para Seu prazer pessoal, numa cósmica e particular sessão de risadas. Isso eu garanto,
Ele, estabelece as regras por contraste.


É a maior traquinice de todos os tempos:


Vejam, mas não toquem.


Toquem, mas não provem.


Provem, mas não engulam.


E enquanto voces andam as voltas com isto, o que faz Ele?


Se rola de tanto rir! Um sujeito gozador! Um sádico! Um desleixado síndico!



Adorar aquilo? Nunca!



É melhor reinar no lnferno do que servir no Céu, é isso?


Porque não?



Estou enfiado nisto até ao pescoço desde o princípio.
Alimentei todas as sensações que ao homem possa ter!
Preocupei-me com o que ele desejava sem nunca o julgar

Por que? Porque nunca o rejeitei, apesar das suas imperfeições!
Sou seu admirador!
Sou um humanista.Talvez o último.
Quem, no seu perfeito juízo, pode negar que o século XX, foi inteiro meu?
Todo ele, Kevin!Por completo.
Meu.
Atingi o auge, Kevin.
Chegou a minha hora.A nossa hora.



A vaidade é, sem sombra de dúvida,o meu pecado preferido.


Muito elementar.
Amor-próprio.
O narcótico 100% natural.
Diálogo de Al Pacino no filme O Advogado do Diabo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007



O Diabo No Corpo Pedro Abrunhosa


Corpo
Como um mapa sagrado,
Em ti desenho o pecado.
Escrevo o mundo no meu
Corpo,
Com um toque divino,
Faço da pele o destino.
Sente nas mãos este meu
Corpo
Uma estátua ardente,
E a cada toque teu,
Até a passerelle devagar
Se vai abrir por ti,
E toda a música que ouvires
Irá ser por existires
Sempre que digo:
Uhuuu, tenho o Diabo no corpo,
Uhuuu, tenho o Diabo no corpo
Leva o meu
Corpo,
Por um momento eterno,
Fazes-me a vida um inferno.
Escondo um louco no meu
Corpo,
Um infinito prazer,
Por isso: "Qu'est-ce qu'on va faire?".
Só tenho tempo para o meu
Corpo,
Como uma sombra inquieta,
E nessa voz discreta,
Até a passerelle devagar
Se vai abrir por ti,
E toda a música que ouvires
Irá ser por existires
Sempre que digo:
Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo,
Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo.

Quem me leva meus fantasmas?




Pedro Abrunhosa - Quem Me Leva Os Meus Fantasmas
youtube.com/watch?v=sqK7Ys155j4



Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acessos
Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos em sonhos gigantes
E a cidade vazia da cor do asfalto
E alguém me pedia que cantasse mais alto
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada
Aquele era o tempo em que as sombras se abriam
Em que homens negavam o que outros erguiam
Eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala nem a falha no muro
E alguém me gritava com voz de profeta
Que o caminho se faz entre o alvo e a seta
(refrão)
De que serve ter o mapa se o fim está traçado
De que serve até à vista se o barco está parado
De que serve ter a chave se a porta está aberta
De que servem as palavras se a casa está deserta
(refrão)

terça-feira, 12 de junho de 2007

O Pendurado - O Homem Espiritual


A lei da gravitação universal diz que dois objetos quaisquer atraem-se gravitacionalmente através de uma força que depende das massas desses objetos e da distância que há entre eles.

A posição de um homem com cabeça para baixo, suspenso por um pé nos sugere a impressão imediata entre o homem e a gravitação dos conflitos que essa relação comporta.

O fenômeno da religião é a manifestação dessa gravitação espiritual voltada para o centro da gravitação espiritual do mundo que é Deus.O Pendurado vive no equilíbrio dos dois campos de gravitação, o da terra e o do céu.Este equilíbrio é ao mesmo tempo benifício e martírio.

O Pendurado vive a tensão da solidão, que é o elemento próprio das almas sob a atração do alto.Ele sabe que precisa afastar-se dos ruídos do mundo para manter a vigilância interior.Alguns santos foram arrebatados pela atração do céu.A gravitação terrestre, a carne, impele o santo para o ideal de enrolamento, isto é , da posse, do poder e do prazer; a gravitação celeste, o espírito, a atrai para o ideal da irradiação, isto é , da pobreza, da obediência e da castidade.

Santa Tereza diz:

"Parece que a alma está em estado tal que não lhe vem nenhuma consolação do céu, onde ela não mora ainda, nem da terra, onde ela não está mais e de onde ela não quer receber consolação; ela está por assim dizer, crucificada entre o céu e a terra e ,em seu sofrimento, não recebe socorre nem de um lado e nem do outro".

A Alma está suspensa entre o céu e a terra e sente uma solidão completa.Não a solidão de estar sózinha no mundo, mas a solidão completa ou de estar fora do mundo, do celeste e do terrestre.Transportada assim para esse deserto, a alma pode dizer em toda verdade como o profeta real: Fico desperto...como ave solitária no telhado.

O Pendurado é o ponto zero entre os campos de gravitação terrestre e celeste.Desse ponto zero é que a alma se eleva na contemplação das coisas celestes e divinas ou desce para agir no domínio terrestre e humano, mas também é o lugar de sua morada permanente. A solidão do deserto entre os dois mundo é a sua morada.

A outra característica do homem espiritual é que ele está de cabeça para baixo.Isto significa primeiramente que o terreno sólido sob seu pés está em cima, enquanto o terreno de baixo é percebido só pela sua cabeça. Em segundo lugar que sua vontade está ligada ao céu e em contato imediato (não mediante o pensamento e sentimento) com o mundo espiritual, de modo que seu querer "sabe " coisas que a cabeça, o sentimento ainda não sabe , e que é o futuro - os desígnios celestes para o futuro - que age na e pela sua vontade, de preferência á experiência e rcordação do passado. O Homem Espiritual é o homem do futuro: só a causa final ativa a sua vontade! Ele é o homem cuja vontade está no alto, acima das faculdades da cabeça, isto é, acima de seu pensamento, de sua imaginação, de sua memória.

Meditação sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô

sexta-feira, 8 de junho de 2007



Entramos numa loja que vende baralhos de Tarô.Talvez haja uma ou duas dúzias deles para se escolher.Qual Tarô escolher?
Primeiro vamos considerar o que constitui um Tarô verdadeiro, comparando alguns dos baralhos contemporâneos que lembram o Tarô tradicional, como Voyager, Motherpeace e o Xultun.O baralho Motherpeace apresenta cartas redondas e imagens relacionadas ao ritual e folclore, evocando em especial a adoração a Deusa.O baralho Voyager usa fotomontagens para criar outras impressões extramundanas de grandes estruturas arquetípicas; e as cartas do Xultun são cheias de hieróglifos maias.Vinte cartas do Xultun receberam o nome dos meses do calendário maia; os Arcanos Menores do Voyager trocam espadas por cristais, Pentáculos por Mundos e as figuras da corte por figura do Sábio, Criança, Mulher e Homem.
Estas são algumas das divergências das muitas divergências que certos baralhos contemporâneos de "Tarô" apresentam face aos modelos convencionais. As imagens dessas cartas são interpretações criativas dos "conceitos" do Tarô, não representação das imagens essenciais do Tarô; os nomes e até os formatos das cartas podem ser diferentes, o conteúdo das imagens pode não ter a menor relação com os temas tradicionais do Tarô e o baralho pode ter a sua propria estrutura divinatória distinta.Esses baralhos alternativos podem ser muito interessantes, misteriosos, instigantes e contemporâneos - mas ao mesmo tempo não tem o peso da longa tradição do Tarô atrás de si. Estão separados de boa parte daquilo que se já pensou ou se escreveu sobre o Tarô, uma vez que a maioria dos comentários sobre o Tarô concentram-se em discorrer de suas " imagens centrais": Imperador e Imperatriz, Roda da Fortuna, Moedas, Pajens e assim por diante.Sem essas imagens centrais, pode ser uma carta de Tarô ser realmente uma carta de Tarô?


Na minha opinião, não. Algo fundamentalmente importante numa carta de Tarô muda quando há uma mudança nas imagens, e chega-se a um ponto em que o grau de mudança é tão grande que algo novo é criado. Por exemplo a Imperatriz ser vista em alguns baralhos como a Super- Mulher montada num cavalo cheia de jóias o que significa uma alteração significativa na mensagem da carta, mas também um enorme distanciamento do lugar que ela ocupa históricamente na estrutura do Tarô. As dimensões extras de significados que foram acrescentados a iconografia da carta acabam efetivamente perdidas.


O termo Tarô é melhor usado quando confinado àqueles baralhos que preservam as imagens centrais das cartas.Um fator de continuidade é vital, não sómente para os estudiosos da teoria e história do Tarô, mas certamente também para aqueles ocupados com a divinação, pois o motivo pelo qual se deu tanta importância ao Tarô é que as imagens centrais possuem uma ressonância imaginativa excepcionalmente forte - e assim servem particularmente bem como "evocadores" no processo de divinação.


As imagens centrais são parte do Tarô como uma estrutura mental, enquanto sua representações são parte do Tarô como um sitema físico que evoca as imagens mentais.Logo , a maneira pela qual as imagens são representadas não altera o significado das imagens.Mas o estilo visual continua sendo muito importante, uma vez que diferentes maneiras de representar uma imagem tem diferentes efeitos psicológicos.


Cynthia Giles : O Tarô : Uma História Crítica: dos primórdios Medievais a Experiência Quântica.

Arcano 1 e sua Evolução















































































quarta-feira, 6 de junho de 2007




Decifrando o Tabuleiro

Tarólogo : Marcelo Bueno



Workshop - Método


A vida às vezes parece um grande quebra-cabeça com várias peças fora do lugar.Quando identificamos a configuração destes elementos dentro de nós e o efeito que eles causam, temos reais condições de promover as correções que julgamos necessárias.

Curso vivencial com Marcelo Bueno (Kirtan).Aprenda o Tabuleiro jogando.Venha e traga o seu baralho.

Informações:Dia 23 de JunhoSábado das 9:30 horas às 18:30 horas

Oceano Centro de EstudosRua Augusta,2933 - 4° andar - 41Tel: (11) 3085-9994



Importante: ter o conhecimento dos Arcanos Maiores do Tarô.


Investimento: 150,00 reais


É necessária a reserva da vaga (75,00) reais


Atenciosamente,Vera Chrystina

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Atendimento de Tarô Online


Para os que moram fora de São Paulo, em outras cidades ou estados.As consultas são feitas através do MSN ou SKYPE, via microfone,com vídeo ou sem vídeo.

As consultas tem a duração de uma hora e consistem na leitura da Mandala Astrológica que permite uma boa análise do momento do cliente.Feita esta análise as dúvidas são resolvidas através de perguntas e respostas com outros métodos de mapeamento. Deixo claro que não faço atendimento gratuíto. O atendimento e o agendamento da consulta é realizado após o depósito bancário.


Contato para maiores informações:Tel: (11)3085-99-94 - São Paulo

MSN:verachrystina@hotmail.com

E-mail: verachrystina@terra.com.br

domingo, 27 de maio de 2007

Imortalidade

Quando observamos da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara........

Não demora muito e só podemos, contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.



Quando observamos o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará:" Já se foi"! "Terá sumido"? "Evaporado"? Não certamente, apenas o perdemos de vista!.... o barco continua o mesmo, não evaporou, apenas, não o podemos mais ver!.... e no exato instante que alguém diz:" Já se foi", haverá outras vozes , mais além, a afirmar:" Lá vem o veleiro"




ASSIM É A MORTE!!!! Quando alguém parte, levando sua carga de amor, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos:" Já se foi"? " Terá sumido"? "Evaporado"? NÃO certamente, apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu! Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.Conserva o mesmo afeto que mantia por nós! Nada se perde, a não ser o corpo fisico...E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: " Já se foi", no mais além, outro alguém dirá feliz: "Já está chegando"!!!... a vida jamais se interrompe...... a vida é feita de partidas e chegadas....de idas e vindas!!!



Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro, partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos TODOS NÓS!!!!


Texto recebido de e-mail

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Tarô, Guia e Amigo


O interêsse pelo Tarô vem aumentando nos últimos anos.
Outrora uma arte feminina, hoje não faltam homens nos Workshops de fim-de -semana.
De onde eu vim e para onde eu vou é a dúvida crucial e tem paralelo em compreender porque certos fatos aconteceram no passado, como estão acontecendo hoje e como o serão amanhã.
Antecipar fatos é inerente a qualquer ser vivo , portanto natural.
Hoje em dia o Tarô é objeto de estudo, pesquisa e interesse em todas camadas socias porque o Tarô é cartomancia, é popular , apesar de sua aura de realeza e requinte.
O mercado editorial oferece muitos títulos, os evangélicos metem o pau, o tarólogo ainda é mal visto, mas apesar de todos os contras, ele perdura e ganha novas versões de artistas, estudiosos,wiccas,bruxos que na maioria das vezes distorcem a linguagem simbólica original.
Hoje fazemos Congressos, Simpósios, Workshops, cursos para que este saber seja melhor compreendido e pesquisado.
As cartas do Tarô falam do homem e revelam com graus de requinte as dores, as alegrias, as realizações, as perdas, os temperamentos da natureza humana.
Em cada homem existe a sombra do Diabo, a displicência do Louco, a intuição da Sacerdotisa, a autoridade do Imperador, o medo da Lua, a esperança e a fé da Estrela, a alegria do Sol, a encanação mental do Pendurado, a força da Força, o ponderar e esperar da Temperança, a vontade do Carro, a mudança da Morte, a busca pelo entendimento do Eremita, a transitoriedade da Roda da Fortuna, as perdas da Torre, a maternidade da Imperatriz, o poder de escolha entre dois caminhos dos Enamorados, o peso dos prós e contras da Justiça.
O Tarô foi feito pelo homem para o homem. Ele é o mapeamento da complexidade humana, um farol que ilumina o porvir, uma bússola que norteia o contato íntimo com nossa alma e responde aos nossos anseios e medos.O Tarô é o amigo sábio nas horas incertas!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O Tarô Egípcio da Kier




As cartas do Tarô Egípcio da Kier são dividas em três setores ou planos.A parte superior da lâmina representa o mundo da causa e equivale no homem ao seu Plano Espiritual.

O centro da lâmina representa o Plano Mental, o mundo das causas em formação e no setor inferior o mundo das causas manifestadas e materializadas que corresponde ao Plano Material.


Os arcanos também são compostos de números, letras, deuses que interagem nos três planos da lâmina.


Como exemplo o Arcano de número 1 do Tarô que corresponde ao Mago:


No Plano Espiritual a simbologia corresponde ao olho de Rá ou Hórus que representa o olho que tudo vê e dois alfabetos: um egípcio e outro místico.


No Plano Mental a figura do jovem egípcio, símbolo da iniciação, está em frente de uma mesa que contém todo o material que necessita para criar , modelar o seu destino.


No Plano Material a representação do cubo, símbolo do homem e do mundo material.

Nas laterais da carta o símbolos da astrologia, uma letra hebraica e o número correspondente ao Arcano.



Todos os Arcanos possuem estes três setores que enriquecem os atributos da lâmina.

Um belo Tarô, sem sombra de dúvida nenhuma!


Estou formando um Grupo de Estudos para o aprofundamento do Tarô Egípcio da Kier.

Maiores informações:

(11) - 3085-9994

A previsão é uma necessidade natural


Prever é antecipar, prever os resultados de um ato e anunciar suas consequências.Nenhuma civilização sobrevive sem previsão.


Se prediz o tempo, o movimento dos astros,os fluxos das marés, o desenvolvimento das doenças, o êxito dos negócios, a consequência do que fazemos, as tendências da moda, os acidentes na época dos feriados, a taxa da inflação. Enfim, nenhuma sociedade sobrevive sem previsão.Saber a hora de plantar, saber a hora de colher...


Prever o que vai acontecer adiante nos ajuda a escolher qual o melhor caminho, qual a melhor solução.


Antecipar o futuro é algo inerente a vida e não tem nada de sobrenatural.Quem diz que não existe previsão equivoca-se por desconhecimento do meio-ambiente ( Cosmos).


Em tudo a previsão está implícita, seja na engenharia, na política,no comércio, na guerra, na escolha de uma profissão, na escolha de um parceiro conjugal, na compra do tão sonhado apartamento.


É só observar a natureza , desde os seus edífícios mais simples até os mais complexos que vislumbramos em todo ser vivo a habilidade de antecipar. O último Tsuami na Indonésia prova a idéia de que os animais tem um sexto sentido.Nenhum animal selvagem foi encontrado morto nas regiões costeiras destruídas pela grande onda.


A ciência hoje prova que os animais sabem planejar o futuro e guardam comida para os maus dias. Como eles sabem isso?


A aranha não possui um cérebro complexo e tem a habilidade de reforçar os fios da teia antes dos fortes ventos. Ela entende de engenharia, física, meteorologia... Isso prova que existe em todo ser vivo a capacidade de interpretar o meio - ambiente para sobreviver.Sem antecipação morre-se!


Existe muita polêmica em relação aos tarólogos e suas previsões. Somos chamados de médiuns, charlatões, magos, porque ainda prevalece hoje em dia a ignorância das ciências e do cosmos.


O ser humano em sua maioria não tem o prazer de investigar, estudar as ciências naturais e prefere atribuir o que é natural ao mágico, ao sobrenatural, por mera, mera acomodação.


Se a habilidade de antecipar , prever , é natural nos animais, porque o tarólogo é tachado de charlatão?


O homem divide com os animais sua ancestralidade (cérebro, genes) e os instintos, importantíssimos para a manutenção da vida.


Vera Chrystina

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Para os amantes da Beleza






O início do período vitoriano (1837- 1860) é marcado pelo extremo recato das mulheres, que tinham seus movimentos restritos pelas pesadas vestes, mangas coladas e crinolina. A aparência das damas era de vulnerabilidade, as roupas eram desenhadas para fazerem as mulheres parecerem fracas e impotentes, como de fato elas eram.

Os cabelos eram cacheados, o ideal de beleza do início da era vitoriana exigia às mulheres uma constituição pequena e esguia, olhos grandes e escuros, boca pequenina e ombros caídos. A mulher deveria ser algo entre as crianças e os anjos: frágeis, tímidas, inocentes e sensíveis. A fraqueza e a inanidade eram consideradas qualidades desejáveis em uma mulher, era elegante ser pálida e desmaiar facilmente. “Saúde de ferro” e vigor eram características “vulgares das classes baixas”, reservadas às criadas e operárias.
Texto retirado do livro : A Linguagem das Roupas - Lurie

Apesar da imagem pudica da mulher muitos nús foram pintados, o que prova que o Período Vitoriano é mais complexo do que se imaginavaO reinado da Rainha Vitória foi o mais longo, até à data, da história do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana

Victorian Romantic Tarot é baseado nas gravuras originais deste período e os autores tiveram o cuidado de respeitar a estrutura simbólica do Tarô Waite.

Amei este Tarô e ele será uma das minhas novas aquisições!

http://www.victorianromantic.com/

Tarô Egípcio da Kier


O Tarô Egípcio é um Tarô transcultural, isto é , ele se baseia na Mitologia Egípcia.Os Arcanos Maiores são similares aos Tarôs tradicionais, o que não poderia deixar de ser. O que muda são as estruturas dos Arcanos Menores. Neles não existem os naipes explícitos e sim a hierarquia da sociedade egípcia. Todos os Arcanos foram numerados de 1 a 78, já que o autor Iglesias copiou a idéia de ocultistas como Papus, Levi, Borgeat e Etteilla baseados na crença de que o Tarô é o Livro de Thot.


Os Arcanos Menores começam com os Reis e desenvolvem-se em ordem decrescente até os Ases.O Naipe de Paus representa o povo, os artesões, o comércio,a navegação. O Naipe de Copas faz referêcia aos artistas, escultores, pintores, dançarinas e claro as emoções. O Naipe de Espadas está relacionado com os guerreiros, soldados e aos problemas deste naipe. O Naipe de Ouros traz a representação da vida do faraó, da generosidade, da especulação financeira, da vida material.


O Tarô Egípcio é fascinante! Eu adoro. O problema é que não existem livros à respeito! Quanto a tudo que se fala à respeito deste Tarô, cabala, alfabeto dos anjos é fruto de muita viagem ocultista. O autor Iglesias copiou o Tarô e deu uma dimensão mágica que nem ele consegue explicar. A Kier aproveita a onda do misticismo e mantém este Tarô numa redoma de obscurantismo não citando fontes.


Este Tarô é reproduzido em Buenos Aires pela Editôra Kier.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Lavar as mãos, o corpo e a consciência


Os cristãos, para quem o baptismo é um acto simbólico essencial, usam a expressão "lavar os pecados"। Muçulmanos e hindus fazem abluções obrigatórias antes das preces e através delas atingem a purificação espiritual necessária às orações। Mas, do ponto de vista da psicologia, como se materializa esta associação entre pureza corporal e moral, que as religiões praticam, afinal, há milénios? Ou, de forma provocatória, será que Pilatos aliviou mesmo a sua consciência quando lavou as mãos do destino de Jesus?Um grupo de psicólogos, liderados por Chen-Bo Zhong, da Universidade de Toronto, no Canadá, decidiu olhar para a questão e, depois de algumas experiências, garante que a associação psicológica entre pureza corporal e moral é real e pode ser medida। Chamaram-lhe o "efeito Macbeth", numa vénia a William Shakespeare, e o seu estudo foi publicado na última edição da Science।



Na sua famosa tragédia com o mesmo título, o dramaturgo inglês quinhentista mergulha na questão quando Lady Macbeth manipula o marido para assassinar o rei da Escócia e refere que "um pouco de água limpará esta acção"। No entanto, ela acabará a gritar "fora, maldita mancha, fora" quando, sonâmbula, vê uma mancha de sangue que não consegue limpar. Para determinar de que forma as pessoas associam mentalmente os estados de limpeza corporal e a correcção ética ou moral, e até que ponto cada uma destas duas dimensões influencia ou se repercute na outra, a equipa fez três experiências diferentes, recorrendo a 60 voluntários, divididos em grupos de experimentação e de controlo.Num dos testes, para tentar perceber se uma ameaça de natureza ética activa a necessidade de limpeza do corpo, ou de algumas partes do corpo, como as mãos, os investigadores pediam a um grupo que copiasse uma história escrita na primeira pessoa, na qual o narrador tinha uma conduta moralmente incorrecta para com um colaborador. O outro grupo copiava uma história neutra, do ponto de vista moral.

Depois era pedido a todos que escolhessem entre produtos variados (que incluíam objectos avulsos, como blocos-notas, pilhas ou chocolates e produtos de limpeza diversos)। O resultado mostrou que o grupo que copiou a história com o comportamento ético censurável demonstrou uma apetência significativamente superior à do outro pelos produtos de limpeza.Noutra experiência, era pedido a um grupo que recordasse uma situação em que, na sua opinião, tivessem agido mal do ponto de vista moral e a outro que fizesse uma boa acção, como entregar uma carteira perdida. Depois era-lhes dada a escolha entre uma lapiseira e uma toalha de limpeza e mais de metade do primeiro grupo escolhia a toalha.Estabelecida esta associação, os psicólogos procuraram dar resposta a outra pergunta: pode uma lavagem corporal transmitir a sensação de purificação mental?Outra experiência avaliou a adesão a um trabalho voluntário, após uma acção negativa. A adesão foi maior por parte dos que não tiveram hipótese de lavar as mãos, dando assim resposta positiva à questão, garantem os investigadores. Ou seja, "uma ameaça à pureza moral activa a necessidade de limpeza física, e esta tem um efeito emocionalmente calmante, reduzindo a necessidade de comportamentos compensatórios". Este estudo, garantem os psicólogos, abre novos caminhos à pesquisa sobre os mecanismos que determinam as decisões éticas.


A água sempre foi tida como um elemento de purificação.Muito interessante a reportagem com bases mais sólidas sobre o assunto.Água e cérebro tem tudo haver!Se acreditamos que a água limpa, ele limpa mesmo!Daí a necessidade de banhos de ervas, sal grosso, copo de água em cima da mesa do tarólogo, beber muita água durante a consulta, borrifar sprays com ervas e óleos essencias...Beber água é fundamental já no ser humano, a água representa cerca de 70% de seu peso corporal e constitui a maior parte do volume de uma célula. Todo o metabolismo é baseado em reações desenvolvidas em meio aquoso. A água está envolvida de forma essencial em importantes processos biológicos, fisiológicos e patológicos, além de exercer papel impressionante em vários processos terapêuticos.O homem é o único animal capaz de distinguir a água comum da água benta. Esta colocação remete às realidades simbólicas e culturais da percepção social e individual da água. "Perto de muita água, tudo é feliz"- Guimarães Rosa em Grande Sertões Veredas.

quinta-feira, 29 de março de 2007

O que é Analogia


Analogia : sobre, acima, elevação, ação de elevar, de arrebatar para o alto.O termo "analogia" portanto, dá a entender que se trata de uma relação em sentido ascendente. Dois objetos estão unidos por uma relação de analogia estão conectados por cima: é em seus aspectos superiores , e por eles, que os entes podem estar em analogia.O que estabelece uma analogia entre dois entes, portanto, não são as similitudes que apresentam no mesmo plano, mas o fato de que emanam de um mesmo princípio, que cada qual representa simbolicamente a seu próprio modo e nível de ser, e que contendo um em outro, é forçosamente superior a ambos.Um exemplo de analogia: O ouro ao mel,o mel ao leão,o leão ao rei, o rei ao sol, o sol ao anjo, o anjo ao Logos.
Olavo de Carvalho
O erro é achar que analogia é igual, similar.Em vários livros encontramos a informação deformada da velha frase: O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.( Hermes Trimegistos).A tradução é : O que está abaixo é análogo ao que está em cima e não igual.
Um outro exemplo: a bôca é análoga ao estômago, mas não é igual.Um outro exemplo de analogia para ilustrar melhor o seu significado:a b- = -b y
Uma analogia é uma relação de equivalência entre duas outras relações.As analogias têm uma forma de expressão própria que segue o modelo: A está para B, assim como C está para D. Por exemplo, diz-se que: "Os patins estão para o patinador, assim como os esquis estão para o esquiador". Ou seja, a relação que os patins estabelecem com o patinador é idêntica à relação que os esquis estabelecem com o esquiador.A maior parte das pessoas achará a analogia dos esquis/patins verdadeira. No entanto, é extremamente dificil estabelecer de forma rigorosa porque é que é verdadeira. Normalmente, as analogias são fluidas e uma análise mais detalhada poderá revelar algumas imperfeições na comparação. Afinal, esquiar e patinar são actividades parecidas, mas não são exactamente iguais.
Wikipidia

A Golden Dawn


Hermetic Order of the Golden Dawn (Hermética Ordem da Aurora Dourada) foi criada em 1887. É uma sociedade mágica, cujo objectivo é alcançar a perfeição do espírito e os seus dogmas são uma amálgama muito pessoal de folclore masónico e rituais rosicrucianos e cabalísticos. As origens da Golden Dawn, segundo reza a versão oficial, que quase corteja a lenda, iniciam-se no momento em que Wynn Westcott, um médico legista, e ocultista, pertencente à Maçonaria, descobre um manuscrito antigo num alfarrabista. Intrigado pelo achado, Westcott leva-o consigo e não sendo capaz de o decifrar sozinho decide pedir colaboração a Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mathers já tinha reputação de ser um indíviduo excêntrico, que se vestia de lorde escocês, caminhando as ruas de Londres armado até aos dentes, provocando homens na rua, entrando em restaurantes e ameaçando os empregados para sair sem pagar, mas apesar de ser um "poseur" era um brilhante académico e um excelente tradutor, conhecedor profundo da história e miltologia egípcia. Mathers traduz o manuscrito com bastante facilidade e descobre que o fragmento se divide em quatro rituais, obscuros e, de alguma forma, enraízados em folclore rosicruciano. Apresenta a nova informação a Westcott que corrobora as suas suspeitas e, ainda, lhe mostra que, estranhamente, o manuscrito estava endereçado a uma tal Sra. Spriengel. Podia esta mulher ser real? Só havia uma forma de saber: os dois homens escrevem a Sriengler, enviando-lhe uma cópia do manuscrito e explicando a situação. Para surpresa de ambos, a sra. Spriengler responde. Afinal, a mulher era líder de uma sociedade mágica secreta, independente mas inspirada em material rosicruciano, chamada Die Goldene Dammerung. Isto impressiona imenso Westcott e Mathers.
Westcott, apesar de pertencer à maçonaria, era, sobretudo, um pesquisador — um explorador — e viu aqui a oportunidade de iniciar algo novo onde pudesse aplicar as suas descobertas. Mathers, por seu lado, ficou seduzido com a ideia de vir a ser líder de uma sociedade mágica e com a benção posterior de Spiengler os dois homens, com o apoio de um grande amigo de Westcott, o Dr. William Woodman, outro maçón, fundaram o gémeo britânico da Die Goldene Dammerung: a Hermetic Order of the Golden Dawn. A maçonaria não odiava a Golden Dawn mas não a aprovava, já que não seguia as tradições cristãs da maçonaria e rejeitava grande parte dos seus dogmas como folclore desnecessário, apresentando uma nova abertura a outras influências mágicas, como a Cabala. Outra razão, culpada do desentendimento entre as duas sociedades, consistia no facto de que a Golden Dawn admitia mulheres no seu seio e oferecia-lhes lugares de poder. Mulheres como Moina Mathers, esposa de Mathers, e a primeira mulher a filiar-se na sociedade. Florence Farr, actriz de grande beleza, amante de Bernard Shaw, possuidora de forte carácter e que chegou a liderar o templo de Londres durante o período da revolta interna no seio do grupo. Annie Horniman, figura importante no mundo das artes, produtora de teatro no Abbey Theatre de Dublin, encenadora e organizadora de exposições. A Golden Dawn atraiu vários indíviduos do mundo das artes e das letras e entre os seus membros mais ilustres figuravam os escritores Wiiliam Buttler Yeats (que chegou a liderar a sociedade após a expulsão de Mathers), Arthur Machen e Algernon Blackwood; assim como o ocultista Arthur Edward Waite, criador do baralho de Tarot mais famoso do mundo e grande amigo de Arthur Machen.
Woodman morreu pouco tempo após a criação da Golden Dawn, em 1891, o que afectou fortemente Westcott. Quando o médico morreu, Mathers ficou a ser o único líder da sociedade. Em breve, a decadência instalou-se com Mathers a deixar o poder subir-lhe à cabeça e a recrutar novos membros sem quaisquer critérios de qualidade. Os membros mais antigos, confundidos por esta mudança, abandonaram o grupo. Um dos membros que permaneceu foi Aleister Crowley que se encontrava desiludido com a conduta de Mathers e, mais importante ainda, magoado com ele. Crowley sentia-se traído por ter acreditado em Mathers, que encarava, agora, como um "poseur" e um mentiroso. Após uma luta pelo controle da sociedade, numa disputa que tinha como objectivo descobrir quem seria o melhor mago, Crowley e Mathers acabam por ser expulsos por uma aliança dos restantes membros. O feudo de Crowley e de Mathers incluíu vários ataques mágicos: Mathers enviou um vampiro astral atacar Crowley e este ripostou enviando uma legião de demónios da Goetia. Nenhum dos homens ficou incapacitado neste duelo de feiticeiros… Mathers não recebeu nenhuma compensação pelo trabalho que dedicou à sociedade nos anos em que foi filiado, todavia, para atingir o seu adversário, Crowley publica na sua revista, The Equinox, vários textos e rituais da Golden Dawn. Os textos estavam despidos do hermetismo que apertava a sociedade e liam-se com fluidez, apresentando-se compreensíveis para qualquer leitor que não estivesse familiarizado com a magia. No material revelado por Crowley apresentava-se todo o estudo dedicado ao Tarot e à Cabala que Mathers havia escrito no seu Book T. A intenção de Crowley era ferir Mathers, mas a publicação dos textos no The Equinox teve outro efeito.
Encorajou todos os indíviduos que não possuíam calibre para entrar na Golden Dawn, a criar os seus próprios cultos mágicos e seitas. Para eles, o ocultismo estava à venda e o protagonismo à distância de meia dúzia de trocados. Foi o golpe de misericórdia. A Golden Dawn, já dividida interiormente, e privada do seus membros mais valorosos, acabou por falir. No seu período áureo a sociedade continha um dos arquivos mais completos sobre ocultismo ocidental e instruía os seus membros em diversos sistemas mágicos e mitologias: desde a Cabala, mitologia egípcia clássica e os oráculos de Chaldean; os manuscritos de Salomão, Abra-Melin e John Dee; os livros mais proféticos de William Blake; alquimia, geomancia, Tarot e astrologia. A Golden Dawn e o trabalho individual dos seus membros mais criativos são os pais de todo o moderno ocultismo ocidental do século XX e todos os novos grupos e sociedades mágicas, conscientes ou sem o saberem, vão roubar rituais e mito à Golden Dawn; tal como esta se apropriou da Cabala e de folclore rosicruciano.
Hoje, a sociedade mágica continua viva em Oxford, onde se encontra uma sede com o mesmo nome criado por Westcott, Woodman e Mathers; recipiente do seu material original. Existem, também, templos nos EUA; na Flórida, por exemplo, resultado do trabalho iniciado por Francis Israel Regardie, aluno e amigo pessoal de Aleister Crowley.
http://osonhodenewton.crimsonblog.com

Eu e meu caderninho



Quando comecei meus estudos de tarô não existiam muitos livros à respeito.Não existia a Internet.Tudo era difícil!Na época o meu interesse pelo Egito era grande.No primário , nas aulas de História Geral com Dona Antonieta, esse povo fascinante enchia os meus sonhos.Não é à toa que o primeito tarô que estudei foi o Tarô Egípcio da Kier.Por ser um tarô transcultural e não ter livro sobre ele, apenas o Cabala da Predição em espanhol, encontrei e aprendi muito com a minha mestra Nelise Vieira.Ela não gosta que eu a chame assim, mas não tem jeito, ela o foi. Mestra , iniciadora e incentivadora para que eu assumisse o meu lado taróloga.Nos meus estudos, Nelise me incentivava a ter um caderno de tarô e fazer as anotações sobre todos os arcanos.Comprei um caderno , tirei xérox em branco e preto de todas as cartas, pintei uma à uma com aquarela e fui formando o meu arquivo de dados manual e criativo.Sugiro que vocês façam o mesmo!É muito bom para o aprendizado de tarô.1- Crie um caderno de tarô com uma ou duas páginas dedicadas a cada arcano.2- Tire xérox das cartas e pinte cada uma delas.Vocês não tem idéia de como vem insights com essa interação.3- Escreva as definições de cada arcano. Numeração, nome, atributos...4- Escolha uma palavra-chave ou uma frase para cada arcano.Por exemplo: Sacerdotisa: intuição, passividade.Enamorados, poder de escolha.5-Estude, estude e estude e observe cada figura em seus detalhes.6- Compre um bom livro sobre Símbolos e faça uma boa pesquisa histórica.7-Quando tiver assimilado o conceito de cada arcano, comece a estudar os métodos.8- Leia várias vezes suas anotações para que seu cérebro possa gravar as informações.O cérebro é o nosso maior banco de dados e ele precisa ser exercitado.Tente escolher boas obras, bons livros para fazer gravações corretas. Quando você aprende algo errado , depois é difícil de resignificar.O conceito figa gravado e demora um tempo para você fazer uma nova gravação por cima.
9-Faça jogos para assuntos onde você possa ter o retorno da Mídia. Anote-os para checar o resultado.Por exemplo: O Lula vai se reeleger? O Lula sabia?10- Quando estiver mais confiante crie um grupo de estudos quinzenal e troquem leituras entre os membros.Essas dez regras são muito boas para se tornar um bom tarólogo!

A Ética do Cliente


Fala-se muito da ética do tarólogo que na verdade é um dever de qualquer profissional, mas pouco da ética dos clientes.Quantas vezes, algumas clientes marcam uma consulta logo cedo, no primeiro horário e não comparecem e nem sequer telefonam avisando do cancelamento? Várias!!!!Outras marcam o horário e nada. Retorno com um telefonema e a resposta : Juro que eu esqueci!!!!Outras querem ser atendidas no mesmo dia. Tem que ser para já!!!!Esquecem que o tarólogo tem seus afazeres, tem que estar bem para atender ou melhor : existe vida além do tarô!Quantas vezes acordei cedinho, depois de ter dormido poucas horas por causa de cursos, tomei o café correndo,me vesti rápidinho, fui para o meu espaço e nada do cliente chegar. Ou outras em que deixei de almoçar , porque o cliente que trabalha só tem horário disponível no almoço, e nem sequer aparece ou tem a educação de desmarcar a consulta.Respeito é uma via de mão - dupla!

Sobre a Arte de Viver

Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo, pois ele é algo artificial. Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma e faz isto. Se você quer o título para dar aulas, o ideal é fazer o curso da maneira mais rápida e fácil. Tendo recebido o diploma, ai você expande a sua educação.Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a a Universidade de Paris. Estava dedicando-me ao Francês ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian – toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha, comecei a estudar Sanscrito e me envolvi com o hinduismo. Depois Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo – deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: “Devo voltar para aquela garrafa?” Meu interesse pelo romance celta se fora.Fui à universidade e disse: “Olha, não quero voltar para aquela garrafa”. Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isto eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.
É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja.Outras pessoas tem um monte de planos para você.Ninguém quer que você faça o que você quer fazer.Eles querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que quiser.Eu fiz isto. Fui para o mato e li durante cinco anos.Foi entre 1929 e 1934, cinco anos. Fui para uma pequena cabana em Woodstock, Nova York, e mergulhei. Tudo que fazia era ler, ler, ler, e tomar notas. Foi na épca da Grande Depressão. Eu não tinha dinheiro, mas havia uma importante distribuidora de livros em Nova York chamada Stechert – Hafner, e eu escrevia e pedia livros para eles – os livros de Frobenius eram caros – e eles me mandavam alguns exemplares, e eu não pagava. Era assim que as pessoas agiam durante a Depressão. Eles esperaram até eu conseguir um emprego, e então eu os paguei. Foi um gesto muito nobre. Fiquei realmente grato por eles. Li Joyce, e Mann e Spengler. Spengler fala de Nietzsche. Vou a Nietzsche. Então, descubro que não se pode ler Nietzsche sem ter lido Schopenhauer, e por isso vou a Schopenhauer. Descubro que não se pode ler Schopenhauer sem ter lido Kant. Então, vou a Kant.– bem, concordo, vc pode começar daqui, mas é bem difícil.
Depois Goethe.Era excitante ver que Joyce estava na verdade, lidando com o mesmo material. Ele nunca menciona o nome de Schopenhauer, mas posso provar que esse foi uma figura importante na forma como Joyce construiu seu sistema.Depois leio Jung e vejo que a estrutura de seu pensamento é basicamente a mesma de Spengler, e fico reunindo todo este material…Não sei como passei esses cinco anos, mas estava convencido de que ainda sobreviveria mais alguns. Lembro-me de uma ocasião em que tinha uma nota de um dólar na gaveta de uma cômoda, e eu sabia que enquanto ela estivesse ali, eu ainda contaria com meus recursos. Foi bárbaro. Eu não tinha responsabilidades, nenhuma. Era excitante – escrever meus comentarios no diario, tentar descobrir o que eu queria. Ainda tenho tudo isto. Quando leio esse material hoje, não consigo acreditar. Na verdade, houve momentos em que quase pensei – quase pensei – “Caramba, gostaria que alguém me dissesse o que eu tenho de fazer”, algo assim Ser livre, implica tomar decisões, e cada decisão é uma decisão que altera o destino. É muito difícil encontrar alguma coisa no mundo exterior que se ajuste ao que o sistema dentro de você tanto anseia. Hoje, sinto que tive uma vida perfeita: aquilo de que precisava apareceu justamente quando eu precisava. Na época, eu precisava viver sem emprego durante cinco anos. Isso foi fundamental.Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito.
E tem uma teoria:se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

JOSEPH CAMPBELL